27 Outubro 2009

livro das coisas cotidianas

Paulinho, em foto que o Milton Dória tirou na minha camera, começo dos anos noventa
os textos a seguir são de um grande amigo que já se foi, o Paulo César Ruiz, ele deixou os textos comigo pouco antes de falecer e eu os publico agora em sua homenagem...
Livro das Coisas Cotidianas
Lucrécia, vestindo o seu robe opalescente, dentinhos amarelados pelos tufos de cigarros que consome diariamente e doses hercúleas de conhaque espanhol, passava as horas de sua existência ralhando contra tudo e todos que infernizavam seu convívio tranquilo com a solidão. Aquele era um dia como qualquer outro: céu gris, calor insuportável, insetos atazanando. Sem o garbo da mocidade, Lucrécia era, porém, com os anos de experiência, uma exímia arremessadora de chinelas em quem passasse à sua porta, aí não tinha escolha: podia ser criança ou adulto, era indiferente. Retornando sozinha para o resto de alegria que ainda podia ter, lembrava da infância na fazenda, cercada de animais e as plantações de café que o pai tanto se vangloriava. Mais uma dose era bom neste momento. Um dos fatos que não saía de sua memória, principalmente quando se olhava no espelho, era que numa manhã, ainda criança, a manivela do poço fez miséria no lado esquerdo de sua testa, marcando para sempre o seu rosto que, tirante isso, fora de uma beleza incomensurável e, apesar das evidências, parecia imaculado. Ela lembrava também, com um sorriso matreiro nos lábios os coitados dos frangos, pipocando, caindo na caçarola fumegante, com o pescoço ainda, vocês sabem... Sempre aos domingos, dia de festa no sítio, quando haviam convidados, a família se reunia e todos se divertiam, dançavam, as meninas; bebiam, os homens. Mas hoje, com a idade avançada, isso eram apenas lembranças de um passado de sonhos que não se configuraram na maioridade. Os homens, para ela, foram os responsáveis pela desgraça que era obrigada a viver agora. Mas Lucrécia não era uma mulher que se arrependia montada em soluços e autocomiseração. Não. Lucrécia até se divertia com a decrepitude visível de seus músculos e ossos. - Saia daqui seu velho fedorento - gritava Lucrécia para o seu Patrício, vizinho e incurável apaixonado por ela, que não dava-lhe chance nem de se aproximar para um leve bate-papo. “Quem gosta de velho é reumatismo”. Ela olha dali, de sua cadeira de encosto, com as voltas que o pescoço dá quando a infelicidade é uma cortesã ferina com quem se deve conviver sem resignação. Ela vislumbra as areias movediças que os pústulas colocaram em seu caminho, mas esses, ela gostava de frisar, fez afundar na lama seus bigodes, ah, se fez, alguns demoraram mais para pedir socorro, outros, menos, mas todos, de uma forma ou de outra, caíram a seus pés, as delícias eram visíveis em seus lábios entreabertos, sorrindo. Quem viu, sabe. Poucos, porém, deram mais alegrias, mitigaram sua dor, ela tinha suas armas, canhões, arapucas, minas terrenas sobre a pele delicada e bela que tivera quando jovem, e um bom sarro, orra, liberta mais que um orgasmo-solo. Não é verdade Onã? Depois de se levantar da cadeira de encosto, ofegando, foi à cozinha e, vassoura em punho, varreu a porta de sua casa, antes de pensar em ir ao botequim beber uma tequila - refrescava a memória, dizia -, essa que sorve todas as manhãs para dar impulso aos neurônios, olha ela de novo brincando com as letrinhas no cérebro. - Mas tu é pitoco mesmo, ein, seu Mané. Quem não sabe brincar com o sofrimento que se foda, cai fora, não vou brigar por pouco. Não bebi essas águas que me ofereceste, não seu lettes de uma figa, o meu inferno procuro vislumbrar com mais exatidão quando me preocupo com ele, quando o sorvo com sofreguidão. Me recusei a vida inteira em ser uma idiota. Às vezes Luicrécia tem medo do sono. UM sonho atróz a persegue nessas últimas noites, mas, ela confessa, é um medo, ao mesmo tempo, excitante, confuso e irresistível. Essa sombra que a aperta sobre o colchão indica que ainda provoca algo em alguém, nem que seja de um outro mundo. Portanto, ela espera esse sono como um cão selvagem, como um lancinante grito de uma astuta raposa. Será que o teclado de seu cerebabélico entrou em parafuso? Adora quando a noite começa a comer o dia, quando ouvem-se balidos insurdecedores em sua cabeça embriagada. Será que é perceptível a milionésima parte do que, de fato, existe? Esses seres malignos, que vê com os olhos úmidos e irascíveis, conduzem, imperceptivelmente, à sanha nossa de cada dia? Mundo doido, sem pé nem cabeça, cheia de bichos e criaturas inverossímeis pasmando a mais obtusa ilusão universal. Lucrécia queria ter dito a Dante que não deve haver dor maior do que, na miséria, recordar o tempo feliz. Não digo miséria, ou melhor, digo sim, a velhice é uma miséria, ficar velho é também esse saber. Quando era jovem, Lucrécia adorava balançar o rabo, a fenda intumecida de lavas, quando se esbaldava, caprichando no rebolado e sempre escolhia os mais horrendos para desespero dos mais belos, as mais belas, dizia, não combinam com os belos, ambiciosos e volúveis, esses horrendos lambiam a minha rosquinha com mais sofreguidão, com a sofreguidão dos náufragos na proximidade de uma ilha, eram deuses, zeus, jesus, alá, exu. Lorico, espinhudo, magriça, o mais das delícias com sua tromba pé-de-mesa quase me abria em duas. Mas sempre vinha esses idiotas com carinhas de viados querendo roubar esse meu sonho. Me gusta a pegada ingênua dos desafortunados. O mundo de Lucrécia não era, por experiência própra, esse conluio de idiotas que lhe impingia a razão dominante. - Não me chame de senhora nem de peixinho - dizia a Lorico enquanto lambia-lhe a gosma entre as pernas. Enrabichado que só ele, Lorico fisgava-lhe os passinhos de adolescente, enfiando-lhe o dedinho por baixo da sainha minúscula, botinha de sertaneja. Não tinha medo de zanzar, pequinina como era, por essas ruas ermas, em busca de mãozinhas inxeridas, o joelhinho pulando de tesão. - Vem qui tirar minha meinha branca, Lorico, vem qui, tou escorrendo pelas pernas, tá morninha na canela a baba, vem qui correndo, vou te mostrar o mundo, o ninho da pequerruxa. Tá com fome é? Vem qui. - Tou indo, Luluzinha, quero entabular essa mumunha, já vou, fique quietinha, vou amansar o calor dessa pombinha, sou uma chuva nessas noites de verão - com o olhinho ressabiado de alegria, ele corria atrás de Lucrécia pelas campinas perfumadas de dama da noite e bosta de vaca. Seu exercício predileto: dar azo a contradições: seus pais punham comportamentos na pequena e deus dispunha outros. Nunca foi mulher de pensar pela boca de macho nenhum. Ela diz que pertencia à trupe das sublimes vulgares, das obeliscas limítrofes. Lucrécia voltou ao bar. Ciciava o copo, os olhos se perdendo nas luminosidades do líquido. Os fregueses, como sempre, esticavam os ouvidos para escultar seu solilóquio infindo, mas nada: “Calhordas, que deus há de enfiar-lhes a cimitarra no cu! Pascácios!” Não estava mais ciciando. - Vem até aqui, Aires - solicitou, autoritária, Lucrécia. NO que foi atendida de inopinado. - Quê? - perguntou, como todos os outros, o não menos curioso dos lorpas da redondeza, o dono do buteco. Ela esticou o pé, e Aires caiu de cara na mesa. - Ouça aqui, sua... Todos cairam na gargalhada ante o tombo do desastrado barman, até porque ele não era o primeiro a cair na sardônica armadilha de Lucrécia. - Mais uma dose, seu filha da puta! Aires, com a cara desconsolada, foi para o balcão e preparou outra dose para Lucrécia, sem antes, claro, dar uma cusparada dentro do copo de aguardente. “Toma, sua vaca” - Com catarro é melhor Aires - gritou Lucrécia de sua mesa, soltando a maior gargalhada. - O que o berço dá, só a cova tira - comentou Aires ao velho que ainda ria de seu tropicão. - Saia pra lá, seu português de uma figa, vai catar gabiroba rasteira, vai, lá na quebrada, vai... - respondeu o arrivista. Lucrécia saía do bar em pensamentos horizontais. Lembrava-se de um gordinho que certa noite, em uma boate, fez lhe retretas, poemas, peças, piadas para brincar com a sua priquita. Nunca, sabe, nada. Seus olhos acompanhavam os lábios no sorriso galhofo. “Só comi quem eu quis. “Essa é a minha verdade”, pensava. Mas esse filha de uma puta de tempo, esse rato roedor de coisas... Essa é a minha verdade. Bolhas de sabão. Explico. Há idéias que nascem sem pai nem mãe, crescem com destemida ambição, saem das favelas do cérebro e, inadvertidamente, chegam a um certo topo. Nem sempre, vale dizer, dizem alguma coisa, mas se o cabra a transforma em justificativa para algo, é aceita. Há outras que nascem nos palácios da criação - essas mais difíceis, posto que idéias não sejam matérias que rondem essas rodas - e vão parar no lixo. Que mané verdade. Não tenho verdade, sou uma mentira que só o tempo vai comprovar daqui uns aninhos, não muito. Tudo a seu tempo. Chega. Minha priquita vive de um passado, pronto. Mas era bom, minino. Xiruba, ajeitadinha, molhadinha de uma gosma peixe-boi, e me vinham aquelas lambidinhas, ele (ou ela, nunca me importei) de cócoras, eu com o compasso aberto, siriema, saracura, a linguinha - as duas, diga-se - com a gosma misturada às gotinhas salgadas da podridão das bocas. - Cê tá precisando de uma rede pra entender esse tempo, Lucrécia, pra confortar esse seu espírito, não uma mesa de bar - sentenciava seu Mameluco, que acabava de entrar no boteco e observou a senhora enliada em seus pensamentos. - Já mandei o senhor tomar no cu hoje, Mamelão, já? A gargalhada voltou a frequentar o ambiente. - Como toda exibicionista, sempre buscando o absoluto, Lucrécia. Isso não são modos de umas dondoca chupadeira como você, minha querida. Sua vidinha é chulé nessa busca incessante por reminescências que não voltam mais. O álcool não deixa. - Sabia, Mameluco, que é agradável contemplar os escombros de uma mulher que já foi atraente, desejada, como essa velha que você está pondo o olho nesse exato momento? - Atraente... - Sim, meu querido, para quem suas mãozinhas calejadas já bateram muita bronha em suas abstrações de garanhão solitário, só que nunca comeu ninguém de calibre, só as zinhas... - É verdade, Lucrécia, Não cheguei nunca perto dessa sua xota, nem mesmo de sua saliva desdenhosa. Essa, talvez, foi a minha salvação, viúva negra. - Cuspo agora ou deixo para fazê-lo depois, para não humilhar um ser roto e esganiçado como você, Mameluco, um nefelibata cujos sonhos dormitaram em puros devaneios estéreis e nunca se materializaram, viraram realidade. Os vermes que farão o banquete com sua carne, com certeza, vão ter mais felicidade que você, ignóbil almofadinha. Pelo menos vão realizar algo. Coisa que você, em sua insignificância, jamais fez. Nem hoje deixaria você desfrutar a baba de minha boca cariada. - Ah, querida Lucrécia, essa sua honestidade mexe mais no meu sangue do que a imaginação poderia fazer. Sinto-me satisfeito em em lhe causar essa repugnância. Cuspa onde quiser, já que o cuspe é a única dádiva que ainda pode oferecer a alguém. - As rugas de um infeliz é o maior obstáculo para que ele consiga enxergar - jabiou Lucrécia na face de Malelão, que já dava sinal de fadiga. Foi neste instante que o dono do estabelecimento, Aires, na sua cordial porém desnecessária solicitude, se aproxima dos litigantes: - Parem com essa discussão inócua, o melhor que vocês têm a fazer é um brinde à amizade de mais de 50 anos. Tão parecendo crianças. Lucrécia, que não estava mais preocupada com a discussão com o oponente, pensava no inútil que se tornara fuçar idéias numa mesa de bar, sob burburinhos e intervenções indesejáveis que, se fosse fácil a ela, Lucrécia, os abateria a tapas ou a tiros, como queira. Mas ela não era mais a grande predadora que fora no passado. Mas era preciso, ela entendia, prestar conta com a história, fazer um balanço precisamente da história de suas grandes conquistas e, paradoxalmente, poucas vitórias consistentes. Afinal, como diz o visionário, uma cadeia alimentar sem o grande predador está fadada ao fracasso. E ela era essa leoa, que , agora, estava, de certa forma, entregando os pontos. Lucrécia, cansada da cena, levanta-se e sai do bar, sem, antes dar uma cutucada em seu Aires: “selecione melhor os habituês de seu estabelecimento, Aires. Alguns deles provocam nojo. Ninguém suporta a empafia de certos sujeitos metidos a algelicais”. Foi para casa. Poderia fazer uma viagem, voltar a lugares em que conhecera a alegria, a fugaz e encantatória alegria . Mas viagens, que antes a encantavam, pareciam, nesse momento de sua vida, insuportáveis, uma questão de cor sem substância, essa caça fantasma da sombra de seu próprio sonho. Anoitecia. No poste, logo acima de sua cabeça, a lâmpada dava sinal de vida, um cogumelo iridescente que iluminaria sem piedade a escuridão que Lucrécia considerava purificadora. De volta do trabalho o hediondo e incansável coro de gravatas brancas. Rertornava sozinha para seus restos e para o fundo das chávenas e seu indissociável ar rançoso. Ela pensava que, apesar de tudo isso, preferia beber no mesmo ambiente de pessoas que detestava, a ficar só. Isso fazia em casa. Em seus olhos uma pequena lágrima despontava. Estar de volta à casa, um touro que perdeu os chifres e o gosto pelas emoções, onde os pergaminhos secretos não tinham mais utilidade alguma, estar ali pouco ou nada mais significava. Mas, se quisesse ou tivesse disposição para tal, a volta da maçaneta da porta ainda poderia levá-la a outros mundos. Que bom seria se pudesse se masturbar de novo. - E esta lua, esse óbice de uma grande idéia, de uma saída. Eu sou ela, essa lua, que me quer ver caindo, bêbada numa madrugada impossível, ela que me quer ver velha e capenga, mas ainda resisto, quem é você mesmo? Lua? Era você que fazia um foco à cena que em breve Lucrécia interpretaria dentro de sua casa? Felizmente, sua luz é cega. Lucrécia foi ao banheiro lavar o rosto e dar uma cusparada na pia do lavabo. Como é difícil ouvir pândegos sem sentir aquela íntima vontade de vomitar. “Cuspo por isso”, pensava entre o amargo - catártico? - e o adocicado que lhe descia pela garganta. Não acendeu a luz elétrica, mas o candeeiro, com a luz opaca era possível ver seus olhos no espelho, como isso lhe doía, uma espécie de dor essa falta de escuridão total, uma melancolia que não imaginava ser capaz de sentir depois de todos esses anos de solidão. Ao acender um cigarro, observou a pusilaminidade da brasa que também estuprava, em sua egoísta performance, a escuridão do quarto. Tocou as próprias têmporas e ficou apavorada. Decidiu correr. Não. Isso não era mais possível. Mas ela pensava naquela máxima colhida em um livro de filosofia: “Quem não está a altura de seu desejo, é uma pessoa a quem o mundo pode chamar de covarde”. Lucrécia repugnava quem entendem as mulheres como se fossem estátuas de carnes lascivas, erigidas por um deus desqualificado e, segundo alguns, um pintor acadêmico. O que qualifica a grande mulher, pensava Lucrécia, é a voluptuosidade temperada não com uma inocência metafísica, mas com um iniludível sarcasmo. Uma grande mulher: a que perturba com um simples abrir e fechar de olhos. “Eu deveria, com meu andar de ninfa, ter nascido em Sicíone, onde nunca foi preciso fazer cantatas para as virgens. Pelo contrário, o falo era objeto de adoração.” Mas é evidente que nem todas as mulheres merecem o status de grande. A maioria delas sonham a noite com os mais lindos e guerreiros gajos e, durante o dia, os odeiam. Na mocidade, Lucrécia não estragou sua vida porque outras mulheres encontraram alguém que vai estragar a delas. “Como nos filmes, sempre havia um homem - a quem dominava - sentado em minha mesa. Como Anais Nin, sempre fui subordinada apenas aos meus instintos.” ********* Harmonia? Sinto-me como se fosse um acorde suave de uma música que delicadamente força o tímpano de um jovem em busca de um (fruição deliberada) destino, um olhar de viés sobre os vermes que, no final, festejarão o corpo, alguns deles, eu uma musa esfacelada nesse mato cachoeiras criança perdida lasciva entretida em solilóquios somente para evitar - ou melhor, enganar - a asfixia - estou sendo expulsa de meu habitat por total falta de entrosamento com o que se transformou a existência, estou perdendo o elo que me ligava a este infinito - afinal, consideva-me não só invencível, mas infinita -, o cotidiano perdeu a relação com a força centrípeta que me movia para exatamente esse centro especial, leve, equilibrado, que eu diagnosticava ser a essência de um ser vivo, tento adjetivos, árias, poemas, mas vem-me à lembrança imediata vinhetas abstrusas, achaques indeléveis e constragendores, até mesmo a lua, essa língua que o sol mostra todas as noites depois que vai para o Japão, já não me é mais intranquilizadora, pelo contrário, tornou-se indiferente, sou levada pelas mãos de um Broch, um Virgílio fêmea a deitar sobre uma liteira a um inferno bem particular, desses que quando se é jovem não é possível alcançar nem imaginar, minha mente se dispersa na tessitura desse flagelo elementar, de resto esse metamundo habitado por pessoas incessantes de beleza e, não raro, vazias, está se revelando um canto lento de um esquizofrênico pesadelo, não digo que dói, não é isso, mas a indiferença é pior que qualquer tipo de maledicência que se pode experenciar, vivemos um mundo de ignorância, é tudo: sou uma serpente-arraia-escorpião que morde a própria cauda quando a opção, parece, já não está ao alcance das mãos. Não me sinto uma abelha rainha a encher a pança, cercada por milhões de seres assexuados beijando-me as ordens sem, no mínimo, ter consciência dos próprios atos, não se vive de vaidades sem se transformar numa borboleta, aquela flor que voa carregando a nossa alma e que, loguinho, encontra o fim entre as formigas. *********** A primeira namorada de Lucrécia tinha os cabelos longos e louros. Era linda em sua sainha azul, era um céu aquele azul protetor, e cada passinho que dava quando vinha em sua direção, cada ciscar de lábios, dava pra ver a língua frêmita e molhada deslizar ora pelo lábio inferior, ora pelo superior, num balé de êxtase. O coração de Lucrécia galopava dentro do peito, não tanto de medo, não, isso não, mas por uma singularidade que não conseguia discernir. Tinham 15 anos, na flor da idade. Duane, era seu nome. “Duane, dizia-lhe Lucrécia, sexo, qualquer cachorro sarnento faz. Agora privar da presença de uma mulher elegante, bela, sensível, inteligente, é um prazer para poucos”. Por isso tenho em você meu medium para as estrelas. Não suporto a caterva e suas durezas no andar, dos cabelos esvoaçantes e, sobretudo, pela parca musicalidade. Que a caterva se limite à sua insignificância. “Venha Duane, venha.” No interior, onde Lucrécia aprendeu a arte do “se virar”, como se diz, não em tomos filosóficos, claro, num país como o Brasil a filosofia nacional é a das ruas nunca a das academias nem dos cérebros da elite, que não pensam, só copiam, tinha um ditado, masculino que seja, mas que lhe servia muito: “Ter um homem pode não ser satisfatório. O difícil não é tanto ter que se satisfazer sozinho, mas é não ter em quem pensar para cumprir a relação." desenvolver mais O dia estava clareando, novamente. Pela milionésima vez. Lucrécia não tinha vontade de olhar para o céu, com seu azul corrosivo, que lhe feria as pupilas, noctívaga que era. Preferia olhar para o fundo do poço de onde tirava água para abastecer a muringa da família, aquele mesmo do cambito que lhe feriu a testa. Ela tirava a tampa e ficava divagando sobre as profundezas, a viagem que seria lá dentro, bem mais perto, ela achava, do Japão, como lhe ensinaram, na escola do patrimônio. Sua professora dizia que as meninas e os meninos devem fazer carinho, se tocar constantemente, o carinho comunica calor, e isso, segundo a professora, acalma a alma e o medo da solidão, arght, toma seu rumo. “A baleia, em sua grandeza, deixa-se acariciar; já a pulga, em sua mesquinha pequenez, não.”, era o exemplo que mais usava a professora, até enchendo o saco das crianças com sua filosofiazianha mundana. Mas, não obatante, foi aí que ela, Lucrécia, aprendeu que o corpo humano não vive sozinho, não pode ser entendido como um mundo insular, periférico, ele precisa de um outro pólo, que não precisa ser, necessariamente, oposto. A escola na cidade, uma vida à parte. No início um pesadelo, um outro pesadelo, não menos estranho que o vivido até aquele momento. Seu pai dissera-lhe que agora era a hora de crescer e tomar conta do mundo. Que mundo é esse, queria saber, que vai além do pé de gabiroba, quando se arrasatava, lúbrica. Ela seguiu à risca. Sentada na cadeira - as pessoas diziam “carteira”, fato que até hoje ela desconhece -, Lucrécia cruzou as pernas longas e grossas, como fazia nas festas de domingo. A mesma colisão de olhares convergendo em sua direção. Um risinho maroto, esse que ela deu: “sou a mesma aqui, ainda sou eu, domino, segura, a rédea que me pertence. É bom, né?” Um jovem, belo e idiota, cabelos longos e escorridos, matreiro, altivo, cujos lábios não escondem seu hábito de conquistador banal e ignorante, a olhou com uma lubricidade que a enojou: ela preferia a timidez. Esse rapaz iria certamente, ela pensou, sofrer em suas mãos. Ela olhou para o outro lado e viu o que queria. Suas pernas eram uma faca que se alojava no estômago de um outro jovem. Ela pousou a mãozinha macia e crispada sobre os joelhos. Ela via as estocadas, as viris e inexoráveis estocadas surtir o efeito desejado. O rapaz com uma carinha de cachorro vira-lata, cabelinho à la milico, com um sorriso escarniçado: a faca se fez espada. “Ele, perplexo, eu e minhas dádivas, ele morrendo um pouco naquela manhã, eu não conseguindo segurar a alegria do coração saçaricando dentro do peito. Adorei, era uma espécie de amor esse sofrimento que eu causava àquele jovem que eu ainda não conhecia. Minto. Conhecia, sim, conhecia, sempre conheço. “Se o corpo fala, deve falar por linhas mais tortas que deus”. Mas e o amor? Será sempre essa definição metafísica, essa inconstância entre a dor e o prazer? Aliás, é preciso que se diga, Lucrécia só acredita no amor quando o prazer suplanta de goleada a dor, que - tentáculo do espírito do mal, luciferino, essa dialética do bem e do mal -, como um sistema matemático, sempre volta a fazer das suas alegorias insondáveis, tornando a realidade neste misto de fantasia e pesadelo. Nesse momento, as mentiras tomam seu posto na intimidade dos amantes, as charmosas e persuasivas mentiras finalmente chegam ao seu ápice e revestem o que era belo de um repulsivo bálsamo de falsidade. Isso, geralmente, leva à destruição. Ou à fuga. Muitos escolhem fugir. Mas Lucrécia não tinha muito do que reclamar nessa matéria, já que escolheu, à dedo, todos os passos que dera nessa sua encalacrada vida. Ela guardava a arma de suas escolhas ainda rescendendo a pólvora na gaveta de sua estante mental. Uma máxima norteou a filosofia existencial de Lucrécia: Mulheres belas, sensíveis, inteligentes e gentis adoram ter na cama homens imbecis - entenda como belos e corruptos, déspotas e eloquentes. Lucrécia costumava ditar a suas amigas na escola, bonitinhas, torpes, sonhadoras, mas sem o seu charme e beleza intangível, que um belo homem não é sequer um amante razoável, uma vez que isso seria um desequilíbrio natural ao ecossistema em que o humano está inserido. Além de péssimos amantes, maculam o prazer feminino com suas egoístas ejaculações precoces. Ciscam como galinhas, arrotam como porcos e pulam de cama em cama como macacos. continuar com o rapaz.... Amar os homens e as mulheres que dominou não foi uma experiência difícil para Lucrécia, mas, como se diz, saborosa. Da janela Lucrécia ainda podia ver chegando, depois do crepúsculo, a noite mais cruel que uma Madonna. Os sinais eram precisos nos reflexos alaranjados que emanavam da vidraça. Ler poderia ser uma saída, mesmo depois desses anos todos sem descanso entre letras, emntre moscas que atormentam a leitura, entre abelhas que pousam nas vírgulas, pontos e reticências, os ventos das asas das moscas expulsando as idéias, ah isso... No mundo volátil a que tivemos a intrepidez e a insanidade de construir se vive entre signos, ela pensava, nunca entre humanos. Lucrécia é uma espécie de Gauguim no meio de um turbilhão de filisteus. O bar, naquela hora, não a apaziguaria mais, cada gole ácido de uma dose se comparava a um choque na nuca, mas, qual uma mulher de gênio, astuciosa, ela, Lucrécia, tramava, entre pensamentos entremeados a escalas de Bach, a sua vingança, sua doce e imperativa vingança. - Tenho em mim uma rodelazinha pulsante, a graça pela qual os homens se mutilam, mentem, fazem guerras etc. Eu tenho essa bomba atômica em minha anatomia - pensava, antes de abrir a geladeira para apanhar uma garrafa de água gelada. - Eu tenho, concluiu. Ao apanhar o copo, Lucrécia sentiu uma espécie de torpor se apropriar de seu corpo, começou a tiritar de frio, apesar do calor lancinante. Um medo - não um medo arbitrário, desses comuns aos fracos, mas um medo insinuante, intempestivo - começou a dominar os seus sentidos, no início bem de leve, mas aumentando até se instalar definitivamente em seu espírito. Ao sentir náuseas, percebeu que estava sendo dominada por uma nuvem tempestuosa que atiravam orvalhos malignos, mas mesmo assim, prenhe de silêncio, conseguiu abrir a porta da cozinha e sair para o quintal, numa última tentativa de se distanciar daquele oco abismo, daquela inominável chaga que a atormentava sem motivo aparente, talvez a velhice, talvez a punição divina até estão postergada, talvez um simples mal estar por ter negado o bar, o único local onde ainda encontrava motivos para rir de sua dor - e dos outros também, é claro. Rezar nunca teve serventia nenhuma em sua vida, apesar de encurtar um pouco as dúvidas: isso dos cérebros precários, é óbvio. O barulho farfalhante, aquele zunido sem igual que a atropelou quando respirou o ar noturno, se recolheu, fugiu para o desconhecido, de onde, aliás, nunca deveria ter saído. Lucrécia sabia disso tudo, sabia que dessa linha Maginot às avessas viria o inexpugnável, o ignominioso - mas ela não estava muito interessada, sobretudo agora que a dor se dissimulou em vontade de beber uma dose de conhaque espanhol. Iria ao bar. Não a identifiquem com aquele beberrão dostoieviskiano falantelário que procura a tristeza num do copo de aguardente. Nem quer ser pregada na cruz, ser um novo Cristo, longe disso. Nunca. O que procura na bebida vocês bem sabem, é a alegria, essa alegria recôndita que, nesse estado, pode irradiar e que, por acaso, sóbria, não consegue exteriorizar, até porque, é evidente, todos sabem, a introspecção é mais amargurante que qualquer porre. Quando era jovem tinha uma receita infalível contra a melancolia: orgia, a mundana e necessária orgia. Você ri, né? O ignorante sempre ri quando ignora, já dizia o filósofo. Até Agostinho, ao que se sabe, deu as suas bimbadinhas; antes da castidade era chegado numa fenda intumescida. Lucrécia sempre foi bela. Uma lufada de vento na face em plena manhã de inverno é fichinha perto de sua exuberância juvenil. Lucrécia sempre desejou um amante com dentes proeminentes, coelho, como diziam antigamente, e que se vestisse como um urso. Mas jamais encontrou um que tivesse um mínimo de inteligência. Tinha o Eulálio, mas era o imbecil perfeito. Com aquele estilo espigado, flatulente, uma caca, esse que, de medo, sempre a olhava de soslaio, esse homem, homem? - descupe-me a indiscrição, ele, Eulálio, era, na verdade, um bunda mole. Falando em imbecil, não há argumento suficiente para persuadir um traste desses, que adora, porco na pocilga, um agrado no cangote ou um chute no rabo. Recebem, na maioria das vezes, a segunda opção. Mas não é fácil se desvencilhar desses pobres diabos, enfeitados, eloquentes, e dominadores dessa civilização que criaram. Não gosto quando me olham nos olhos oinsistentemente. Na maioria das vezes sou vencida, abaixo primeiro o olhar, invento uma frase de improviso que não quer dizer, necessariamente, o que estou pensando naquele momento. Encarapitada no cimo do cérebro, essas frases dão a impressão que levo os homens a sério, é quase como um vento gélido coleando na entrada de uma enseada desabitada, por que será que querem as estrelas, se são cegos? Arrasto minha preguiça como uma chama de sensualidade ascendendo a imensidão das pradarias. Minha consciência, de súbito, alcança algo de inantingível, mas que, ao mesmo tempo, é inútil, um raio perdido entre as vértebras de um paraplégico. O simples aproximar de uma mulher faz o homem perder o trem da existência, que num átimo, enrubesce, e dispara para o terreno do onírico. O homem que não vale o que pesa, apenas sonha como um mambembe sem trupe, abúlico, num esgar se torna vítima, e, para variar, cai em prantos e, ao invés de exigir, ajoelha aos pés da mulher, que, altiva, caminha com os passos da ironia, rindo de suas - dele - insidiosas performances infantis. Vejo pânico em suas faces, um pânico anti-byroniano, um turbilhão blasé, uma vernissagem de vergonha é o que lhe resta. Quando um homem - com aspas - não pode ter na alcova a mulher que deseja, ele diz que é uma puta. Simples apanágio de um insípido idiota. Mas não os culpo, foram criados para isso, pois carregam o sobrebome como se fossem estandartes de vitória, triste falácia de um zé-ninguém travestido de uma elegância atávica estéril, desimportante, essencialmente antidestrutiva. Final de milênio: homens e mulheres reunidos não se vê idéias circulando pela noite, apenas penas e pompons decorativos. Quanto mais velha vou ficando, mais a conta vai aumentando com o tempo. Minha vida é fazer versos. Eles hão de perceber que não sou inferior a quem desprezo. Essa altivez imaginária desfalece-se com as primeiras nuances da manhã. Êta vidinha essa minha: limpar o cu com classificados antigos. Será que sofro de uma doença crônica que os homens são incapazes de perceber? Uma AIDS espiritual, virtual, que os escrotos, na sua bestial sinceridade, podem captar? Um gim com limão. Sera que vai ser presico falar com Dickens? A sabedoria cheira a destroços, até o mais tenro urubu sabe, em seu vôo no vácuo, como a fedentina incentiva as narinas mais sensíveis a atingir o nirvana! A razão? Que é isso, matemática intelectual. Sabemos que são os sentidos que nunca mentem! Meu mundo é o das aparências. Você conhece outro? Ao invés de olhar para esse mundinho que você me impinge, prefiro, enquanto preparo uma armadilha para seu olhar, arrancar a sabedoria do cetro que pensa que vai me cegar!
ENCONTRO E REENCONTRO
Gilberto estava com problemas e veio logo agora querer resolvê-los, logo agora que tinha coisas mais importantes pra fazer, logo agora que Isabelle estava tirando a blusa. Logo agora... Fique aí um pouquinho, minha linda, vou ver o que o Gilberto quer comigo, já volto. Gilberto é meu vizinho de chácara. Não é bem um grande amigo, mas depois que se separou da mulher tem me procurado com freqüência. Já volto. Não vá fugir em sua putinha.
"Até amanhã. Não vai se atrasar. Às oito em ponto no escritório". Ele já foi. - Você está mentindo pra mim. - Eu?! Mentindo?! Por quê? - Se ele é só seu vizinho porque me escondeu aqui nesse quarto? - Quem disse que eu escondi você aqui... - Ele conhece a sua mulher? - Claro que conhece. Mas não é por isso. - Essa história é velha... - Que história? - Diga que me ama, diga... Vai...Com aquela boquinha... Vai diz... Você nunca mais disse que me ama. - Eu te amo. - Não assim desse jeito. - Como? - Você é um filha da puta mesmo! - Mas o que foi que eu fiz? - Vou sair de sua vida, Marcelo. . Eu sei quando começo a sobrar. - O que é isso, Isabelle, eu amo você... - Ama uma merda...Você só quer a minha buceta. - Não seja obscena. - Não era você que adorava mulheres obscenas? - Mas não você. - Chega, tá, já chega. Vou embora. Tchau. Ah, não! Você não vai sair daqui desse jeito, sem mais nem menos. Você não vai me deixar na mão. Poxa meu amor, o que é isso? Eu amo você. Fica calma, Isabelle. Toma uma dose comigo. Vem cá. Você é a mulher da minha vida. Tome, segure o copo. Vem cá, meu amor. Desistiu de colocar a blusa. É linda a Isabelle. Aquele disc namoro até que me foi de grande valia. Todas as mulheres que pesquei lá são gostosas. A Isabelle. A Sheilla. A Francini. A Teka. A Luque. A Frida. Todas. Preparei uma dose dupla. Vou até a cozinha pegar alguma coisa pra dar uma salgada na boca. Quer? - Quero. O telefone tocou. Trim... Não atenda, por favor, pode ser a minha esposa... Deixa que eu atendo! -... - Sim, tudo bem. Depois a gente conversa...Por telefone é difícil resolver um assunto como este... -... - Hoje não. Deixa pramanhã. Eu prefiro. Vai ser melhor para todos. -... - Tá bem assim? Põe o fone no gancho. Frida. Me esqueci de ligar pra ela na segunda. Eu amo a Frida também. Ela é inteligente e bonita e trepa como ninguém. - Quem era, Marcelo? - Um cliente lá do escritório. Esses caras não se tocam... Depois de uma boa trepada gosto de ficar sozinho e ler. Não suporto conversa fiada na minha cabeça. Isabelle fala muito. Isabelle vai dar uma voltinha por aí. Toma o dinheiro. Abriu uma loja chocante na esquina da Osório com a Rui Barbosa. Elegantérrima. Acho que você vai adorar. Vai lá, querida...Preciso trabalhar um pouco. - Trabalhar hoje?! Tchau Marcelo.Eu sei...Tá legal...Tô te enchendo, né? Acho que vou pra minha casa. Preciso me preparar para as provas do vestibular mesmo, que começam na próxima semana. Tenho doze dias. Tchau. Vê se me liga. Não vai fazer como é de seu hábito. Um beijo. Isabelle foi embora. Só vem aqui quando está sem grana. Quando consegue enganar outro otário é difícil encontrá-la em sua casa. Gosto de Isabelle. Gosto. E muito. Gosto das mulheres. Do meu jeito de gostar. Acontece é que eu adoro a solidão. Não gosto de sair de casa, ir a teatros, cinema, shows, frequentar reuniões sociais, isso não, essas coisas me enchem o saco. O telefone é meu contato com o mundo. Um computador e um telefone me bastam. Só saio de casa porque tenho que trabalhar. Só. Estou cortando as unhas do pé esquerdo e escutando a terceira sinfonia de Mahler. Há dois dias não ligo pra nenhuma de minhas mulheres. Não sou casado, mas, para elas, as minhas mulheres, sou. Gilberto queria que eu fosse com ele em uma festa na casa do Alcides Cardoso, um figurão aí da alta roda (falida) da cidade. Disse que não dava, que tinha compromisso, essas coisas. Chamei ele pra vir até o meu apartamento. Chamaríamos umas garotas. Faríamos uma noite especial. Quem se separa perde a manha pra conseguir outras mulheres e o jeito, a saída, são as putas, na verdade, as grandes mulheres, as que prefiro, as minhas mulheres. Gilberto, esta aqui é Fernanda e esta, Patrícia - Pat para os íntimos. - Oi, tudo bem Gilberto? O Marcelo falou que você tá meio pra baixo... - O marcelo disse isso? Que nada. É conversa do Marcelo. Eu vou ficar com a Pat, Gilberto, gostei do seu jeitinho de colegial. A Fernanda é mais cheia, gostosona, não faz o meu tipo. Prefiro mulheres pequenas. - Está bem. Gilberto no quarto com Fernanda. - Você quer que eu tire a sua roupa? - Não. Espere um pouco. Por que a pressa. Temos a noite inteirinha pela frente. - É que eu pensei... - Esqueça aquela conversa do Marcelo. Eu tô legal. Vem cá vem garota...Senta aqui...Vem - Ele disse que você estava na pior...Pensei que você tava só querendo... - Eu gostei de você. - Você nem me conhece. - Você sabe dançar? - Quer que eu dance pra você? - Quero. Você dança? Gilberto liga o som. Procura um CD dançante. Encontra. Coloca no aparelho. - É uma delícia ver você dançando daqui. Fernanda faz movimentos sensuais com os lábios. Gira. Desabotoa a blusinha branca. Os peitos pulam pra fora. Seus braços são sensuais. Suas costas lisas. Sua boca carnuda. - Gil, vamos tomar um banho? - Continue dançando... - Você acha que eu danço bem? - Divinamente. - Você está me gozando. - Nem pense nisso. Você é uma bailarina. - Nunca tinha dançado pra homem nenhum. - Eles não sabem o que perderam. - Verdade? - Você quer se casar comigo, Fernanda? - Para de me gozar, vai... - Não é gozação. Estou me amarrando em você. - Você é incrível, Gilberto. Como é que pode um cara tão sensível, bonito, charmoso como você ficar na pior. Como é que pode? - Quer se casar comigo. Eu amo você, Fernanda. Fernanda tirou toda a roupa e se deitou na cama junto de Gilberto. Colocou as mãos sobre o peito dele. Massageou o tufo de pelo, hirsutos. Gilberto estava estático. Tirou os sapatos dele. A camisa, que estava só desabotoada. A calça. Começou a lamber o corpo de Gilberto. A língua sabia o que estava fazendo. Te amo Fernanda, te amo, linda, meu amor, eu quero...eu quero... Marcelo e Patrícia ouviam os gemidos do quarto de Gilberto e Fernanda. Marcelo não queria transar com Pat. Só queria a companhia dela. Estavam abraçados sobre a cama. Ela nua. Ele vestido. Ele acariciava o corpinho de Pat. Quantos anos você tem? - Dezessete. Você sabia que eu tenho idade para ser seu pai. - Quantos anos você tem? - 38 anos, Pat. Gilberto segurava o cigarro com a mão direita. Com a esquerda acariciava a bunda de Fernanda que tinha pegado no sono. Tinha trepado como um leão. Tinha trepado de verdade. Foi ao banheiro e se olhou no espelho. Não viu mais aquele cenho triste, pálido, de hoje de manhã. Passou uma água no rosto e saiu. Na cabeceira da cama tinha um frigobar. Abriu uma cerveja e ficou olhando o corpo de Fernanda, que babava um pouquinho pelo canto da boca, fazendo uma pocinha de saliva no travesseiro. Era incrível. Não conhecia aquela garota que, agora, dormia ao seu lado, no apartamento de um cara que também não era seu grande amigo. Mas aquela garota lhe fazia bem. A sua companhia era agradável, deliciosa. Gostou de Fernanda. Gilberto e Pat assistiam televisão. Estava passando um filme do Truffaut. "De repente num domingo", a tradução em português. Riam. Trocavam olhares. Pat comia pipoca e tomava uns goles num copo de refrigerante que colocava no chão. Ela não conseguia acompanhar a trama do filme, que achava meio complicada, cheia de mistérios. Marcelo explicava. Ela dizia que entendia, mas estava mesmo interessada, criança, na pipoca. Fernanda se levantou e foi ao banheiro tomar banho. Olhou-se no espelho. Gostava muito de seu corpo. Tinha certeza que Gilberto também tinha gostado. Todos gostavam. Os homens a queriam e ela se sentia satisfeita por isso. - Você não vem comigo? A bolsa de Fernanda estava sobre a cômoda. Gilberto abriu-a e colocou um bom dinheiro lá dentro, talvez o melhor dinheiro que recebera de um homem. - O que você está esperando, aí, seu chato, vai me deixar aqui sozinha o dia todo? - Já estou indo, já estou indo. - Vem. Patrícia e Fernanda estavam perto da porta prontas para irem embora. Era difícil achar homens como os dois. Elas ainda não tinham conversado sobre o assunto, mas era evidente que estavam felizes. - Vocês sabem o nosso telefone, né? Vê se não esquece da gente. - Tchau Gilberto, fica legal, você é um cara super legal...legal mesmo... me ligue...amei você... - Tchau. Tchau Pat. -Tchau. O seu apartamento é super legal, Marcelo. Só não consegui entender o diabo daquele filme. Fecharam a porta. E aí Gilberto, tá legal? - Tô.
O Cobrador
Estava vazio o ônibus, pude observar do lado de fora, no último lugar da fila. Mais de dez pessoas, na maioria adolescentes colegiais, esperavam para subir os degraus da escada. Havia organização. Na minha frente, uma garota morena, de olhos amendoados, cabelos pretos, uma linda garota, que fiquei, de esguelha, olhando por alguns instantes. Ela se parecia com uma amiga, Carol, que eu não via há muito tempo, desde aquela viagem que fiz a Marília em 92. Fiquei observando quando ela , a morena, subia os degraus. Suas pernas estavam bronzeadas e a sua minúscula saia não escondia nem mesmo a calcinha amarelo-palha. Subi, parei alguns instantes à procura de um lugar para me sentar. Escolhi a poltrona de frente à do cobrador, antes de ultrapassar a roleta, pois do outro lado o sol ainda penetrava no interior do ônibus. A morena ainda estava na minha memória, quando vi a cena. Pode parecer mentira ou um sonho, mas, tenham certeza, eu estava lúcido quando o que vou contar aconteceu. O cobrador do ônibus, um rapaz de seus 28 anos de idade, louro, barba por fazer, olhos fundos, lia um livro grosso e não tirava os olhos das páginas. Até aí normal: um jovem lendo um livro. A primeira da fila, uma senhora, acho que a professora dos adolescentes, ficou parada diante da roleta, à espera que o cobrador a olhasse e autorizasse a sua passagem, e ele nem ligava, distante, entretido com a sua leitura. De repente, ele, sem olhar para a senhora, disse, categoricamente: - A senhora não vai passar? A mulher, meio sem jeito, atônita mesmo, acabou atravessando a roleta, entregando algumas moedas ao jovem. Ele segurou entre os dedos as moedas, fechou a mão, esfregou-as, ficou assim alguns segundos, e colocou-as na gaveta, nem se preocupou em contá-las. Os olhos comendo as linhas da página, sem qualquer indício de vacilo: lia com voracidade. Isso me intrigou. Pensei comigo: “Ele não conta o dinheiro. Parece que faz as contas com o tato”. Fiquei observando o outro passageiro passar pela roleta. Um senhor de meia idade, cabelos grisalhos e o cenho um pouco cansado. Ele passou e pagou a tarifa com uma nota de dez cruzeiros. O cobrador, para meu espanto, pegou a nota com os dedos, fez os mesmos movimentos que tinha feito com as moedas, enfiou a mão na gaveta, remexeu do lado esquerdo e, depois, do direito, e, finalmente, entregou o troco ao senhor, demorando pouco tempo, uns quatro segundos, talvez, e, principalmente, sem tirar os olhos do livro. Entregou o troco, e já virou, com veemência, a página, e os olhos correndo pela sua superfície branca. Fiquei mais curioso ainda. Olhei em baixo de sua poltrona, e a surpresa foi, ainda, maior. Parecia uma biblioteca. Tinha uns cinquenta livros, dispostos numa organização que faria inveja a muitos bibliotecários. E, como pude obervar, em ordem alfabética por autor. O rapaz não parou de ler sequer um segundo. Não olhou para ninguém, parecia em um outro mundo, em outra sintonia, em transe, e não houve nenhuma reclamação de troco errado, ou qualquer ocorrência que perturbasse a sua leitura. Os passageiros, cúmplices. De quando em vez ele fazia uma anotação em uma folha de papel timbrada que estava dentro da gaveta, sem, contudo, interromper a leitura. Até mesmo quando o fiscal da empresa entrou para verificar se estava tudo bem , ele não olhou para o seu superior, apenas retirou a folha timbrada da gaveta e entregou a ele, ao fiscal, que o devolveu logo em seguida, depois de analisar os números. - Muito bem, Butler. Hoje está um grande dia pra você. Já vendeu mais de trezentos vales transpostes. Muito bem... - O fiscal gesticulava bastante ao falar. O jovem cobrador não respondeu, muito menos parou de ler. Virou mais uma página. Estava no final do livro. Virou para a última página, e continuou. Quando terminou a última palavra, fechou o livro rapidamente, e, para espanto geral, colocou-o em baixo de sua poltrona, no local apropriado, na ordem, e apanhou um outro, e foi logo abrindo na primeira página para começar a alucinada leitura. Não deu a mínima pra ninguém. Todos receberam o mesmo tratamento, quer dizer, o desprezo. O fiscal, na primeira parada, desceu e ficou rindo sozinho, feliz com o desempenho do jovem cobrador misterioso. Acho que ele tem algum benefício com o bom desempenho dos cobradores aos quais fiscaliza, pensei. Eu já não estava acreditando muito no que estava presenciando. Um cobrador que não olha para os passageiros do ônibus, muito menos conta o dinheiro para devolver o troco, que termina um livro e logo começa outro sem tempo para respirar, no mesmo ritmo. Um personagem insólito, no mínimo. A jovem morena, a da fila, que tinha se sentado a umas duas poltronas da minha, percebendo o meu espanto, se sentou ao meu lado e disse: - Não liga não, moço, o Butler é assim mesmo. Todo dia ele lê uns dois ou três livros desses que têm em baixo da cadeira. - Você o conhece? - perguntei, duas vezes feliz; uma porque alguém poderia me explicar o que estava acontecendo, outra, porque era a linda morena que estava ao meu lado. - Claro. O Butler trabalha nessa linha há mais de dez anos. Ele mora perto da minha casa. Todos os dias nos vemos. - Ele foi sempre assim. Quer dizer: ele não pára de ler nenhum minuto. - Enquanto trabalha, não. - Mas como? - Não sei. O Butler é gozado. No começo todos estranhavam...Agora já se acostumaram com ele. - Mas ele fala? - Claro. Depois que ele sai do trabalho, conversa com todo mundo, brinca, joga futebol, faz de tudo. Ele é uma pessoa normal, apesar de, aqui no seu trabalho, parecer um idiota com esses livros todos. Aliás ele namora minha prima já faz mais de dois anos. - Por que ele é assim? - Como eu vou saber. - Mas você não o conhece? - Mais ou menos, a gente não é amigo, na verdade. Ele é amigo do meu irmão. Muito estranho esse Butler, pensei. - Como é o seu nome, garota? - perguntei. - O meu nome? - É. - Dulce. - Dulce, um bonito nome. - Obrigado. - Dulce, você sabe que horas o Butler pára de trabalhar, o seu horário de saída daqui do ônibus? - Acho que às seis horas, quer dizer, 18 horas, se não me engano. Olhei para o meu relógio: 17:l5. Mais 45 minutos e poderia conhecer esse tal de Butler. - Dulce, você não quer tomar um suco comigo em algum lugar por aí, enquanto espero o Butler sair do trabalho? - É que estou indo pra casa. - Então, pode ser perto de sua casa. Não é lá que o Butler mora também? - É. Tudo bem, aceito. - Legal . Acho que vamos ser bons amigos. - Enquanto falava isso, baixei os olhos e admirei aquele maravilhoso par de coxas - e concluí - muito bons amigos. Ela percebeu e colocou as mãozinhas sobres elas, as coxas, obstruindo a minha visão. E o Butler estava lá com os olhos na página e atendendo os passageiros como se nada estivesse acontecendo à sua volta. E todos, ao que parece, achavam a sua atitude normal. Apenas eu estranhava o fato de um cobrador não olhar para lado nenhum, exceto para aquele livro, cujo título tentei ler, mas, como a distância era um pouco grande, e a minha visão não ajudava muito, cinco graus de miopia, não consegui. Finalmente chegamos ao ponto final. Dulce se levantou - e a mão escondendo as coxas. Aí ela falou: - Vamos tomar aquele suco?. Chegamos. É aqui o ponto final dessa linha. - Ah, é, vamos lá. - eu disse - Como é mesmo o seu nome? - Dulce me perguntou. - Guilherme, mas pode me chamar de Guila. - Legal, Guila, vamos descer e tomar um suco no bar do Vinícius. Fica bem ali na esquina, pertinho da minha casa. - E o Butler? - Ele passa lá em frente para ir para a casa dele. - Ah. - Ele ainda vai demorar um pouco. Ele tem que fechar uma tal de planilha, acho que é isso, para passar o serviço ao seu substituto. - Você está por dentro, ein? - Aqui no bairro não acontece nada, mesmo... E foi o meu irmão que me falou isso. - Seu irmão é... - O Guga - ela disse rapidinho. Depois de alguns minutos de espera, finalmente o Butler, o cobrador excêntrico, passou em frente da lanchonete em que eu e a Dulce tomávamos um suco de laranja cada um. - Ei Butler, venha até aqui, tem um rapaz querendo conhecer você - gritou a Dulce. - Agora não dá, Dulce, agora não posso. Não era aquele rapaz com cara de debilóide que estava dentro daquele ônibus lendo, lendo, lendo. Até que parecia um bom rapaz, com uma cara, na primeira impressão que pude ter, até de otário. - Vem cá, Butler, pare de ser caipira !- provocou a Dulce. Ele veio. - Sente-se aí, rapaz - eu disse ao Butler, que estava meio assustado, lembrando até ao velho cobrador. - O que que você quer de mim? - Não seja grosso com o Guila, ele é gente fina, Butler - interveio a Dulce. - Nada, apenas conhecer você. - Por que você quer me conhecer? Dulce se levantou e foi embora. Me disse que gostaria de me encontrar novamente. Me deixou o seu telefone, que guardei na carteira. Continuei a conversa com o Butler: - Achei você um cara super estranho, lá dentro do ônibus, no seu trabalho... - Ah, então é isso?! - É por quê? - Todo mundo, no primeiro momento, me acha estranho, depois se acostuma. - Mas, vem cá, me responda uma coisa: por que você lê daquela maneira? - De que maneira? - Pô, daquele jeito...não olha pra ninguém, nem mesmo para o dinheiro. Como você consegue fazer o troco corretamente? - Eu sou o melhor cobrador da empresa, na opinião do seu Carlos. - É... mas como? - É muito simples. Esse sistema de troca, o dinheiro, é um troço super rudimentar. - Rudimentar? - Muito rudimentar. Você pegando o dinheiro na mão um dia inteiro, no final já consegue distinguir uma nota de dez de uma de cinco, ou, mesmo, uma moeda de um de uma de dez centavos. - Mas como? - Pelo tamanho, peso, textura, essas coisas. - Você não erra? - Nunca erro. - Agora, por que você lê daquele jeito? - O negócio é o seguinte: eu não gosto do meu trabalho, aliás de trabalho nenhum. Mas tenho de trabalhar para poder comer, beber, me vestir, essas coisas. - E daí? - Eu sempre gostei muito de ler. Desde criança. De escrever também. Tenho mais de cinco mil páginas escritas lá na minha casa. - Você tem mais de cinco mil páginas escritas na sua casa... e trabalha de cobrador de ônibus? - É por quê? - Nada, não. Mas por que a leitura mesmo... - Como eu disse, detesto trabalhar. Então eu só consigo trabalhar lendo. Não posso pensar que estou trabalhando, me dói muito... - Quer dizer, então, que você lê para não saber que está trabalhando? - Sim, há alguma coisa errada com isso? - Você é um gênio! - Por que “gênio”? - Você descobriu o ovo de Colombo, a salvação do capitalismo. - Que é isso, Guila, você está ficando louco?! - Louco, eu? - Sim, você mesmo! - Está bem. Acho que estou ficando louco mesmo. - Fica frio, Guila. - Vem cá, Butler, quanto livros você acha que já leu? - Uns dez mil, por aí, já perdi até as contas. Tenho que verificar no meu fichário lá em casa pra responder com precisão. - Quer dizer que você tem um fichário também...desses livros? - Claro. Tudo catalogado, por assunto, autores... - E continua trabalhando de cobrador de ônibus? - Por que a surpresa? Você acha que cobrador de ônibus não pensa, não é inteligente? - Você parece um personagem do Melville ou do Kafka. - Conheço muito bem o marinheiro batavo e o burocrata judeu. Eu sei o que você está querendo dizer com isso. Pouco me importa. Apesar de estar percebendo em suas palavras um certo preconceito, não ligo. - Desculpa, Butler, não queria ser indelicado. Mas você nunca pensou em ser professor em alguma universidade, publicar o que você já escreveu, tentar uma vida melhor? - Eu...não. Nunca pensei nessas hipóteses. - Você deve ser internado urgentemente num hospício! É louco varrido!!! - Só porque eu não gosto de trabalhar?! - Deixa pra lá, Butler. Acho que vou embora. Vou dar uma volta pela cidade...Pensar um pouco. Até um outro dia. Prometo voltar para conversarmos. Eu sei que, hoje, você tem compromisso. - Você sabe, né, vou encontrar a minha namorada, a Silmara. E ela fica uma onça quando me atraso. Fui pra minha casa espantado com a inteligência do Butler. Como é que pode ainda existir pessoas como ele neste mundo? Voltei todos os dias àquele bairro para conversar com o Butler, conhecê-lo mais, depois que ele deixava o trabalho. E quanto mais eu o conhecia, mais espantado ficava com a sua capacidade intelectual, seus conhecimentos de filosofia, história, literatura. Butler se tornou, para mim, um grande amigo, um grande mestre. Ele, de fato, era um gênio. Quando eu entrava no ônibus circular lá estava ele, impassível, com um livro nas mãos, sem olhar pra ninguém, trabalhando, sem gostar de trabalhar. Fiquei sabendo, depois de muitos anos, que o Butler havia morrido num acidente automobilístico. O ônibus em que trabalhava capotou e o velho Butler foi encontrado, já sem vida, com o tomo número um das obras completas do escritor inglês G. K. Chesterton, sobre o seu peito. Morreu feliz. O que me deixou magoado, é preciso que se diga, foi o fato de um gênio como o Butler morrer desse jeito, incógnito. Nenhuma linha a respeito de sua morte foi publicada nos jornais . Pensei comigo: “Um dia ainda publico as obras completas do grande escritor Butler... como é o nome completo dele, mesmo?” Quando falei para a minha esposa Dulce o que tinha acontecido com o Butler, uma pequena lágrima caiu de seus olhos, e escorreu pelo rosto.
Vigo
Cadê o latão, Vigo? Ele não ficava bem aqui, nesse canto de praça, era aqui, sim, Vigo, posso até sentir o cheiro do danado, meu estômago entende dessas coisas. E, aí, Vigo? Era aqui, sim. Acho que estou meio sem faro; também faz quanto tempo que vagueio por essas bandas aqui do cais. O cais, ah, o cais, como tudo isso mudou, as ruas não são mais as mesmas, os carros, esses barcos miniaturas de asfalto, me incomodam mais que esse meu pé esquerdo. Falando nisso Vigo, meu pé não dói mais, não, minino. Será que curei dessa dor que trago comigo desde quando ainda corria pela praia do Pina, ein Vigo, faz quanto tempo isso, ein? Que coisa essa de medir a vida em dia e noite, só um homem como Deus poderia pensar em um negócio tão dificultoso de resolver. Vamos voltar, Vigo, vamos ver se a gente começa desde o início. Bom dia, seu Mundinho, o senhor não tem nada pra nós hoje? Não era o seu Mundinho, Vigo. Era não? Se era, ele nem tchum. Quando tudo começa a dar errado na vida da gente é melhor nem tentar muito. Será que não é essa a rua, Vigo? E aquele coqueiro ali, aquela praça acolá, e isso tudo aqui... Será quer acordei com o pé esquerdo hoje, Vigo? O que doía e nem dói mais. Laraliralalá vou eu. Laralilalá sou eu. Vou descansar um pouquinho aqui embaixo desse meu coqueiro. Talvez daí tudo pode voltar ao seu lugar como antes. Corre Vigo, corre. Vigo é um bom menino, mas já está, como eu, com o faro meio ruizinho, acho que é muita chuva, como tem chovido aqui no Recife nesses últimos dias, faz tempo que não caía tanta água assim aqui por essas bandas. Vem Vigo. Assim Ilcinha, assim, vem com essa linguinha marota, vem, como é bom, é bom, ai! num faz assim não, dói, uma dorzinha gostosa, mas dói... Acho que nem consegui dormir direito. E essa meleca de novo. Vigo vem aqui lamber, vem. Vigo sempre me limpa direitinho, só tomo banho quando vou pros lados da praia, a isso sim é que é vida, banho de mar, aquele sol quentinho enxugando a gente, dá até vontade de viver aqui no Recife. Acho que agora vou achar aquele latão: tô com uma fome de rachar o caqueiro. Olha ele ali, olhe Vigo, o danadinho, tava aí desde quando, ein seu moleque? Será que nós passamos por ele e não vimos. Vamos ver o que tem de bom hoje pra comer. Um, que delícia, macarrão com carne de sol. Meu prato preferido desde que me lembro por gente. Lá em casa, lá no interior, papai - mamãe não conheci, não - fazia cuscus, mas eu não gostava muito, não. Preferia mesmo a hora do almoço, quando vinha aquele macarrãozinho todo branquinho com uma cepa de carne de sol, era o céu aquele dia. Depois tinha que pegar na enxada, aí é que era o inferno. Vem Vigo, vem comer, vem. Esse latão tarda mas não costuma falhar. Esse cão é danado pra comer, se eu não sou rápido - como sempre fui - ele me rouba as melhores partes, esse danado. Mas eu divido direitinho com ele. Tem que dividir, né, já dizia o padre lá do meu interior, quando ainda brincava de jogar côco no gol; eu mais a molecada toda. Eu não era muito bom na coisa, não, mas meu pé é duro que nem pedra, aí me punham no jogo. Com o bucho empanturrado, vou dar as voltas pelo porto, tem sempre um companheiro com quem trocar uma prosa, tomar uma cachacinha, que não sou bobo nem nada. Quando tenho algum dinheiro, às vezes tenho algum, sabe, junto com mais dois ou três, e compramos um litro da mardita. É bom, descansa a cabeça dos tormentos, cê precisa ver. Laralilalá vou eu, laralilalá sou eu. Tou contente hoje. Acho que tou sim, essa música não me sai da memória. De vez em quando acordo com alguma música na cabeça, não é sempre não, mas quando a diaba encasqueta é duro tirar da cachola, mas acho até bom. No começo, quando achei o Vigo aqui, miudinho, um ratinho preto todo se coçando e chorando pela rua, ele não gostava não que eu ficava cantando, mas agora já se acostumou, e já mexe o rabinho quando as palavras começam a sair por essa boca aqui. Fica contente, sim, o Vigo, ele gosta. Acho que é até uma mensagem do nosso Senhor Jesus Cristo lá do céu; é que sempre que a música vem logo cedinho a comida vem dobrada. É bom, cê precisa ver. Tenho um companheiro que puxa um burro-sem-rabo - é assim que as pessoas chamam o carrinho dele, o Miguel. Ele sempre tem dinheiro, mas nem sempre quer que eu fique perto dele, não, mas acho que hoje, como a música veio desde cedo, acho que ele deve estar que só me espera. Ele, sim, toma bastante da branquinha, diz que traz a felicidade que não teve na vida. Não sei não. Eu sou feliz. Tinha o pé, sabe, que doía, incomodava pra caminhar, mas agora parece que sarou bem sarado. Tem também esse mardito do estômago, que, de vez em quando, também tasca a doer um pouco, por fome, sabe, mas não é todo dia, não, principalmente agora então que descobri aquele latão, essa preocupação não tem tomado mais meu tempo, não. Sempre tem um latão que ajuda a gente, é preciso ter paciência pra conseguir achar ele. Mas, achou, tá de bom tamanho, tá feita a vida. Parece que o Miguel num tá por aqui, não é estranho, não, Vigo? E aquele burrico ali sozinho, vazio, sem niguém, não é dele, não? Nunca vi isso de acontecer com o Miguel. Será que ele tá desgostoso hoje, logo hoje que o dia parece ter nascido pra mim? Vou dar uma espiada por aí, talvez encontre o danado do Miguel enrabichado com alguma garrafa por essas bodegas da vida. Miguel? Cê não sabe, não? Sei não seu Néia. Então, Miguel bateu as botas, deve tá lá visitando São Pedro uma hora dessa... Morreu? Atropelado. Atropelado? É, um caminhão de lixo. Coitado do Miguel, tava meio caidinho, meio triste nos últimos dias que vi ele, mas fazer o quê - mas justo um caminhão de lixo, toda a sua vida ele reclamava desses bitelos; coitado mais ainda do seu burrico que vai ficar desacompanhado por esse mundão de deus. Eu não tenho mais saúde pra empurrar burrico nem nada. Enquanto tiver o latão não vou me enroscar em burrico nenhum. Num sou troncho, nem nada, eu ein! Sai daí de cima, Vigo, sai já. Miguel morreu e merece respeito. Sai já de cima do burrico. Sai! Laralilalá... Que mané precisa tirar o burrico daí, Néia, lá sou homem de ficar mexendo em coisa de gente morta, vê se enxerga... Que isso Néia, que isso; corre Vigo, acho que o véio está ficando louco, eu ein, que mané atrapalhar a sua venda, eu ein. Tou levando a minha vida no sossego e lá vem esse véio querendo me mandar pro sufoco, em não! Deus do céu não perdoa esses pecados quando o assunto é morte, perdoa, não, desses eu sei, e como sei. Inté. Vigo, que canseira deu o Néia, ein? Vou até decansar um pouco aqui nesse canto, de repente a Ilcinha vem de novo me visitar, gosto muito da Ilcinha, sabe, é uma menina que tinha lá no meu interior que gostava de bolinar com a molecada, eu mesmo bolinei muito com ela, mas agora é ela que me bolina, é bom, sabe, pra quem vive sozinho de gente é muito gostoso, cê precisa ver! Mas acho que agora ela não vem não, só vem de vez em quando, é que quando mais eu quero, menos ela aparece, a piniqueira. Tá ecurecendo, e é melhor a gente esquentar os cambitos e voltar pro nosso canto, lá perto do cais. Andamos tanto e só teve de bom notícia de morte hoje, credo em cruz. Eu que achava que ía ser um dia e tanto. É melhor a gente rezar um pouco que é o melhor que a gente faz, Deus me livre, sô. Vem Vigo, vem comigo. Laralilalá vou eu. Laralilalá sou eu. Hoje parece que o tempo não vai mandar água, não. O céu tá limpo que nem roupa de padre. E azul que só vendo. Vamos pra outro lado hoje, quem sabe a gente não descobre outro latão mandado por nosso senhor Jesus Cristo lá do céu. Olhe aquele ali, olhe, tem cara de que tem coisa boa pra nosso bucho, olhe Vigo. Corre lá pra ver, corre. Vigo é esperto e sabe muito dessas coisas de procurar comida, sem ele minha vida seria uma dificuldade atrás da outra, só eu sei o valor desse meu cachorrinho. E aí, Vigo, que tem de bom pra nós? Mas como tem gente nessa calçada aqui deste lado do centro, tem é uma multidão que só na rua. Tem Vigo? Tem não né, eu sei, quando tem essa penca de gente na rua, é aquele desmanzelo, tem muita briga, muita coisa ruim, que não gosto não, nem de ver. Vem, vamos sair daqui, desse atropelo. E esse fumacê danado que sai dos carros, esses lagartos de uma figa. Além de não ajudar em nada, só dá atrapalho na vida da gente. Lá no interior não tinha dessas coisas, não, viu Vigo, lá era só carroção de boi, era meio lerdo, mas - tirando os peidos que os bichos dava, e não era sempre - a gente ía tranquilo pra todo canto. Papai que dizia: um carro de boi é melhor que muitos homens, que só sabe subir nas costas da gente, esses safados. Meu pai era tão homem de visão que nunca me esqueci de seus ensinamentos. Vamos voltar para o lado do porto, que é o melhor que a gente pode fazer. Lá, é na certeza, que sorte é coisa de quem tem muito tempo pra perder, e não é o nosso caso, né Vigo? A musiquinha até que não veio hoje no meu senso. Acho que ela foi acordar na cabeça de outro alguém. É bom também. Todo dia aquelas letrinhas na cabeça enche o saco da gente. Vamos comer, vamos Vigo, tô de novo com o estômago só que dói aqui do lado da barriga. Corre, vem. Viche, olhe Vigo, tem gente querendo bulir no nosso latão, deixa não, Vigo, pega. Vigo sabe quando quero que ele pegue no calcanhar de algum peçonha. Ele não é tonto nem nada. Isso mesmo, Vigo, mostre quem é o dono, mostre. Mas que diabo, chegamos meio tarde, aqueles danados comeram nossa comida, vem cá que o Vigo vai mostrar pra vocês com quantos paus se faz uma jangada. Seus tabacudos. Hoje o negócio parece que vai ser feio, Vigo, ter que achar outro latão aqui por essas bandas, nunca foi bom negócio, ainda mais com essa concorrência dos diabos que cada dia aumenta mais. Que será isso, Vigo? Será que os interior tá expulsando o povo da terra de novo, que nem no meu tempo, mas isso já faz mais de anos. Vamos atrás de outro, vamos, que assim com o estômago chiando não dá pra ficar vivo aqui nesse pedaço de mundo, não, cê tá é ficando louco. Tem uma budega ali naquela esquina, vamos ver se a gente arranja algo para amançar o bucho. Tem não, é, seu sovina de uma figa, tem não, nunca tem mais nada, é, seu larápio, eu sei das escapadelas que o senhor dá nessas noites de lua cheia, sei sim, vou é contar pra sua patroa, cê vai ver. Não, meu Vigo não, ele não tem nada com isso, larga ele, larga, eu num conto pra ninguém, tava só brincando com o senhor, conto nada, não, larga o meu Vigo, larga, vem aqui, vem Vigo, morde ele, morde, larga o meu vigo, pelo amor de Deus, larga.
Branquinha
Sentadinha no banco da praça, diante apenas de deus, ela mostrava os tornozelinhos torneados, e um colarzinho, ali, íntimo. Vozes em minha mente fustigando, volição. As nuvens, em pétalas abertas, dando licença ao sol, o ambarino voyeur. Cada movimento dos pelinhos da perna dela, cada ventinho, cada, um Cézzane, um Gauguin, quem saberá? No último domingo tomamos vinho português. Aquele dia, um sonho, não o esquecerei jamais. Os caquis sobre a mesa, no porta-frutas, seus lábios. Bagas doces bagas vermelhas - bagas capazes de ferir de morte o coração mais duro, só ao mordiscar, lambiscar, iscar, tudo. E que olhar... Fico atordoado só de pensar. Cada gole do vinho, suas faces mexiam-se num balé frenético, ruborizando, e os caquis-lábios me cutucando os sentidos, onde coloco as mãos: sobre a mesa, no bolso, onde, meu deus? O que está acontecendo com os meus joelhos?! - Talvez Dostoiévski tenha entrado fundo, tão fundo, na alma do ser humano, que, no final, não conseguiu se distanciar dos personagens que criou. Ela disse. Nem Kraus nem Nietzsche acreditariam. Mas a frase me é tão insignificante que nem prestei a atenção. Tinha outros assuntos para pensar. Sua delicadeza, sensibilidade, não fragilidade, seu perfume que enchia a sala de meus pulmões com aquela fragrância doce-juvenil. Descrever-lhe o rosto? Seria pretensão. Teria que inventar palavras novas. Um pardal cantavadiando sobre nossa cabeça, na árvore que faz sombra no banco da praça onde, depois de muito, velho, experiente (será?), comecei a viver. A pardoca só olhava, de esguelha, lúbrica. A carta que me escreveu com uma letrinha toda barroca, traço preciso, com detalhes imprevisíveis a respeito da pintura de Van Gogh. O pintor, escreveu, foi vítima de sua família. Vindo da escola, com passinhos miúdos, a saia até o tornozelo. Abraça o caderninho como se fosse um passarinho com frio no inverno rigoroso. O seu trotezinho de puro sangue faz a bundinha balançar, saliente. Nenhum homem à sua frente. Todos, estrategicamente, quando estão adiantados, param para amarrar os sapatos, apanhar uma flor. Todos conferem à distância. Sonham. De seu pescocinho voam flechas perfumadas, coloridas, sobre o desespero masculino. Ela sabe disso. Descobriu-se sozinha, sem ajuda. Está adorando o seu último esporte: matar, com a beleza, homens do coração. Aliás, esporte essencialmente feminino, preferido por todas (as belas). Nos finais de semana, usa calças apertadas, pretas ou azuis e parece também que fuma um pequenino cachimbo...nem sempre com tabaco. Como invejo este cachimbo! Daria a vida para chegar próximo daqueles caquis. Nas tardes, viro um vampiro. Não o de Curitiba, claro, apesar da semelhança. Nunca vou desistir. Ontem escrevi uma carta, que não vou mandar. Preferi, mais pragmático, falar diretamente. Passei a noite decorando o texto. Planejo persuadi-la a me seguir até o rio. No ônibus: finge que não me vê. Está indo para o centro. Toda de branco. Um lírio. Os cabelos ainda molhados, curtinhos, castanhos, o pescocinho insinuante, arguto, à mostra, desembocando na camiseta; penso enxergar um pouquinho da pele de suas costas. Vejo só as penugens. Observo de longe: seu vício: roer as unhas. Minúsculos pedaços do esmalte nácar precipita-se para a sua lingüinha vermelha, uma ostrazinha, que imagino... Usa uma sandalhinha de couro, acho que francesa, pelo talhe. Pena que esconda o pezinho com uma insípida meia branca, masculina- intempestiva. Ela fecha os olhinhos e fica assim, por alguns instantes, absorta, apertadinhos. Quando se levanta do banco, sua blusinha levanta-se também, deixando, ah, meu deus, nu o pequenino e solitário e inerme umbiguinho, de onde tudo começou, e eu me delicio, de longe, de meu banco, emocionado, escondido em minha loucura magnética, procurando não incomodar, deixando seus movimentos, o seu teatro particular, a sua exibição, para mim, acredito. Sábado. Ela vai ao Armazém. Tenho uma chance. Oi, como vai, tudo bem, quanto tempo? Nem eu acredito em minha cara de pau. Ela parece gostar de minha mentira. Todas gostam. Todas mentem. Conversamos banalidades. Meu coração está quase pulando em seu discreto decote. Me acompanha até a praça Parteira Bernardina. Não sei o que falar. Tento ser engraçado, elas gostam, mas não sou feliz. Tudo bem. Nunca fui bom em contar piada. Tudo bem. Deixo-a na porta da casa de uma amiga, que não pode me ver - vergonha, talvez -, com um leve beijinho nas mãos. Promete me convidar para uma festa em sua casa...quer que, não acreditei, conheça seus familiares...Me disse que sou um bom amigo... Não sei onde estou nem pra onde vou, tudo, parece, mudou de lugar. Basta uma girada sobre si mesmo com os olhos fechados para o homem se perder no mundo. Terça-feira. Fico marcando no relógio os segundos que faltam para ela sair de casa. São os segundos mais longos de minha vida. Ela sai. Me escondo. Sigo-a até a parada de ônibus. Resolvo não segui-la hoje. Vou escrever uma carta. Ainda não respondi a que me mandou. Não consigo escrever. Tenho que escrever. É necessário que escreva. Ricardo, jornalista, editor de cultura do jornal local, passa pela minha casa e me convida para jogar sinuca. Vou. Está um bom dia para a diversão. Talvez Rica me ajude. Estou um pouco velho e minha conversa deve estar um pouco envelhecida também. E branquinha precisa ser convencida de que não sou o velho que ela está pensando. Por trás dessa calva há um jovem louco pra agarrá-la, jogá-la no chão... Miríades de miragens sobre o pano verde-ervilha. Apanho um livro. Não consigo ler. Estou ficando louco! Cadê você, branquinha? O que é preciso fazer para beijá-la? Não sei como. Vou acabar agarrando você, fazendo uma besteira. Não. Não é uma boa tática. Mas qual é a tática? O que devo fazer, meu deus? Deus, você que está aí em cima, vendo o meu desespero, vê se me ajuda! Deus não me ajudou. Deus não ajuda ninguém. O crepúsculo masculino aconteceu depois da segunda grande guerra. O final de uma era. O final de uma filosofia. O final. Uma filosofia. Nova? Como sofro nestes tempos femininos! Ricardo me leva pra conhecer umas amigas. É uma casa de licenciosidades, como se diz. Me apresenta algumas belas garotas, embora eu tenha o pressentimento de que forcem um pouco o sorriso, uma leve ruguinha no canto da boca denunciam o que acabo de dizer, e, ainda, observo, não têm um décimo da classe de branquinha, principalmente quando ela tem um cigarrinho entre os dedos. Diz que posso me divertir. Uma culpa, o coração apertado, a dúvida crucial, um óbice momentâneo. Não consigo me divertir. Branquinha não sai de minha lembrança. Nem se quisesse conseguiria abraçar outra mulher. A morena que "fica" ao meu lado, solícita, parece perceber o meu embaraço. Me despeço dela e de Ricardo e vou-me embora. Em casa, a dor, acho, é mais suave. Um erro. Um pássaro na gaiola, preso, alucinado, e sem saída, nenhuma, aliás, uma, tenho medo, não sei o que acontece comigo, depois de velho, esse medo, medo, medo. Vou até a casa de Branquinha, que fica perto da USC. Não vou. Vou. Não fui. Jamais verei Branquinha! Me decidi: vou acabar com tudo: no rio: vou conversar com ela: a quero. Estou vivo. Como nunca. Vivo. Viva! Não fomos passear no rio. Branquinha não quis. Teve medo, acredito. Me convidou para almoçar no próximo domingo em sua casa, como havíamos combinado outro dia. Mas não me lembrava de ter combinado isso com ela. Se Branquinha diz que combinamos, quem seria eu para negar. Até porque ando bebendo demais. Deve ser isso. Hoje é quarta-feira. Tenho quatro dias para me preparar...e sofrer. Disse-me que tem uma surpresa. Estou ansioso. Será? É bem provável que não. Voltei correndo para casa rindo, chorando, rindo, falando sozinho, não acreditando, me martirizando: devo ter esperança? Ela deve saber sobre os meus desejos. Claro, as mulheres sempre "sabem". Faz parte de seus instintos. O silêncio, esse vazio. Os vidros da janela embaciados. O inverno é uma questão de dias. Os carros, na rua, lá fora, desfilam como cobras metálicas, ruidosas, pelo paralelepípedo. Rodas roendo o sossego das horas. Estico o meu pescoço para fora. Espio por sobre o parapeito. Quase fico sem meus óculos. Dois senhores conversam sobre política sob a janela. Fazem previsões que não terão tempo de ver. O senhor da direita, com um chapéu puído, preto, mostra, com as mãos, uma senhora que atravessa a rua, próximo à esquina. Bem vestida, roupas modernas, sóbrias, e carrega um perfume doce à sua volta. O senhor da esquerda gesticula. A mulher apenas os observa, de soslaio, com um parcimonioso desdém. Retomo o livro que iniciei na segunda-feira: "Os néscios e os sensatos são igualmente inofensivos. Somente os semiloucos e os semiprudentes são perigosos". Amanhã é domingo. Amanhã. Acordo bem cedo. Uma força de expressão. Nem dormi à noite. Algo de anormal está me acometendo. Nunca, que eu saiba e sinta, fiquei tão obcecado por uma idéia. Será a velhice? Quando jovem só se pensa nisso, embora, no meu caso, pouco fazia neste sentido. Mas percebo que, agora, com Branquinha, só penso nela e estou me esforçando, apesar das limitações que tenho. A velhice faz o homem exacerbar seus sentimentos? Deve ser isso. A velhice, seletiva, caprichosa, faz o homem passar, sem medo, apesar de algum medo sempre existir, vergonha pelos seus instintos masculinos. A paixão não é uma flor, como Branquinha. É uma senhora, velha enrugada, sem vergonha, prostituta aposentada, prisioneira contumaz de madeixas grisalhas. Será? Sábado. Fui ao Armazém esperando encontrar Branquinha. Não encontrei. Não deve ter saído de casa ainda. É cedo. Vou esperar um pouco. Será que ela ainda se lembra de mim? A surpresa que me reserva, talvez? Não haverá almoço. Não fui convidado para almoço algum. Esqueça!!! Nenhuma jovem em flor convidaria um velho pobre para almoçar em sua casa. Já convidou uma vez. Será o meu desejo apenas fruto de uma obsessão? Se for, tanto melhor. Não tenho muito o que perder, eu que já perdi muito, sempre perdi, sempre perco. Não é loucura. Não é obsessão. Percebi desde o início. Ela me reserva uma surpresa. Pronto. Quero falar uma coisa muito importante pra você, Branquinha! Entrei na casa acompanhado de um senhor. Mais novo que eu. Será? É o pai de Branquinha. Homem sisudo, casmurro e parece não se interessar em conversar comigo. Nem eu tenho assunto para ele. A sala de jantar, de estuque branco, esconde, entre a mobília, algo que me interessa. Branquinha. Sua mãe é atraente, simples, uma dona de casa. Me fala sobre a vida na cidade, quando chegaram expulsos da Guerra dos Cravos. Fala ininterruptamente. Branquinha me olha. Olho para Branquinha. Não queria estar ali. Branquinha me fez estar ali. Seu rosto, lívido, um pouco escuro embaixo dos olhos. Chorou? Não. A mãe de Branquinha gosta de conversar. Maria Carolina (Branquinha, claro) sempre foi uma excelente garota, desde a infância, nunca teve pensamentos estranhos à sua idade, e sempre obedeceu os pais. Não a tenho mais. A tive um dia? O almoço foi servido. Bacalhau à portuguesa. Sem vinho. Um suco de uva em seu lugar. O pai de Branquinha não pode mais beber, me confidencia: “ele quase morreu de cirrose hepática, de tanto beber”. Percebo um leve desconforto nos gestos de Branquinha. Rápidos, ríspidos, certeiros. Não são gestos de uma garota intuitiva como Branquinha. Ela me diz, meio sem jeito, que admira a atriz Maria de Medeiros e que adorou o filme Henry e June, principalmente o papel que a atriz portuguesa interpretou no filme. Eu gosto, como ela, de homens mais velhos, como o Miller. À mesa do almoço, junto com seus pais. Meu coração se desespera de alegria. Tenho dificuldades em segurar os talheres. Será que ela quis dizer alguma coisa com tal afirmação? Com licença, vou ao banheiro. Não estou passando muito bem. Com licença Branquinha. Não consegui parar de rir, olhando para o espelho. Belisco minha face. Dói. Faço força, interpreto o velho papel. Volto. Estou bem. Acho que é o frio. O almoço estava ótimo. Quando nos veremos? O que você queria dizer com “eu gosto muito de homens mais velhos...” Gostou da minha surpresa? Não consigo encontrar palavras em meu parco repertório. Branquinha está em meu quarto. Ela senta-se na poltrona. Inicia uma gargalhada. Não páre!. O que farei? Este é o meu momento. Vou me aproximar e beijar-lhe a nuca, acariciar o delicado e lascivo pescocinho. Não posso. Posso. Vou. Branquinha se levanta e me dá as costas. Estará tirando a camiseta? Não acredito! Posso me deitar sobre o seu corpo?- Ela me pergunta já adivinhando a resposta, que nem tento dar. - Tire a roupa, por favor. Ainda não consigo acreditar. Sua pele é macia, como supunha. Suas mãos massageiam as minhas costas e os seios, pequeninos como um casal gêmeos de gazela entre os lírios, se esfregam em meu peito. Ela geme em minhas orelhas. Passa a lingüinha em meu pescoço, em meus peitinhos. Ai! Ela me morde os lábios. Um filele de sangue surge estre os seus dentinhos. Ela é ágil. Uma leoa sobre uma presa indefesa. Deixo que trabalhe. Há dois dias não vejo Branquinha. Ela me ama. Ela me quer. Branquinha não mora mais aqui. Foi para Portugal morar com os tios. Ela quis ficar mas achamos melhor para ela, que quer estudar artes plásticas. O sonho da sua infância é ser uma grande escultora, como a Camile Claudel. Portugal é um lindo país e a Universidade de Coimbra é uma das mais importantes da Europa. O senhor conhece? Sento-me no banco da praça onde me sentei com Branquinha algumas vezes. Olho para todos os lados. A vida é assim. No galho sobre a minha cabeça, um gavião come um indefeso pardal macho sob o olhar incrédulo da pardoca. Assim.
LONTRA
Na saída de uma boate dois amigos de infância se encontram depois de mais de 15 anos. Conversam. Betinho, mendigo, e Lontra, bandido.
Lontra Vou mesmo, cara. Vou esfolar uns riquinhos bunda-moles hoje à noite. Sem essa, o meu. Vou mesmo é nadar de braçada. Tem uma morena gostosona me esperando lá no centro. E tô na pindura, duro, ta sabendo? Não vou perder a pequena só porque estou duro. Que é isso, o meu. Sou o Lontra, cara, tá ligado, L-o-n-t-r-a. Escreve aí, Lontra! E você vai ficar aí nessa de pedir grana pra grã-fino. De araque, meu. Granfa não dá nada pra ninguém. Se quiser tem que sacanear... Betinho Tô arrasado, irmão, dá só uma olhada pra mim. Não quero mais nada... nada nesse mundo. Lontra Que papo de viado esse aí cara. Olha lá, dá só uma uma bicada praquela bundinha ali, toda perfumadinha, travesseirinho pro Lontrinha. Você não é a fim de dar uma mordidinha naquela carne, não? Virou viado. Vem cá: você já comeu umazinha dessa qualidade? Nunca, né meu...nem chegou perto. Vou te contar um segredo: é bom demais, uma delícia, não tem coisa melhor no mundo... Agora você me vem com esse papo. Betinho Faz mais de cinco anos que não trepo. Acho que já esqueci como é que faz. Mulher pelada? Nem sei mais como é que é. Lontra Cara, escuta o que eu tô te falando: vou te dar uma força. Vamos dar um jeito nessa sua vida de merda. Primeiro tem que cortar essa porra de barba, tomar um belo banho, meter uma águas-de-cheiro da hora. Você tá parecendo um gambá...Te liga rapaz. A vida tá aí. É só viver. Se não temos grana, temos músculos e coragem e, claro, um belo canhão - mostra o cano que tem enfiado na cintura - . Se a mina não dá na moral, na diplomacia, tu manjas né, vai na marra. Não tenho escrúpulo nenhum. Escrúpulo é coisa de otário, coisa de carola que a gente aprende naquela merda de infância. Tá ligado? (Betinho abaixa a cabeça e coloca as mãos no rosto. A porta da boate se abre e o som invade a rua. Lontra ensaia alguns passos de dança. Aparece, de repente, um casal de namorados.) Lontra Ei, aí, ô bacana, tem um cigarro pra me descolar? Dá uma piscadela para o Betinho, que ainda está cabisbaixo. Lontra ( para Betinho, baixo) Olha só pra isso: que material! Dá uma olhada, cara, dá só uma olhada na mina do cara...que pele...que pernas! O casal finge que não escutou Lontra pedindo cigarro. Lontra Ei, aí, ô bacana, tô falando contigo e quem tá falando aqui é o Lontra, tá ligado. Vai dar essa merda de cigarro ou vou ter que aí buscar? O rapaz, amedrontado, oferece o maço. Lontra pega e não o devolve. Lontra Valeu, irmão, pela força. Mais tarde a gente se encontra...na saída...tenho um assunto pra ter contigo e com a sua namorada - Lontra dá gargalhadas. Betinho faz sinal com a cabeça, como forma de reprovação. Betinho Deixa eles pra lá. Não te fizeram nada. Lontra Não fizeram o caralho!!! O cara já nasce em berço de ouro, não faz porra nenhuma na vida e ainda ganha de bandeja essas bocetinhas gostozinhas...ficam caindo nos seus pés.. E eu, irmão, e eu? Nós, cara. E nós? Se a gente não batalha, vai à luta, nada cai do céu. Bicho, passei a minha infância toda comendo bagulho, arroz e feijão, bicho, só, mais nada. Olha pra minha cara. Tá vendo o sinal da miséria? Claro que tá vendo: num teve queijinho nem danoninho não. Só bagulho. Alguma coisa tá errado. Claro. O que ele tem que eu não tenho? Tenho boca, nariz, orelhas, igual a ele e...um baita dum caralho gostoso...Pergunta pras minas lá na vila a respeito do Lontra, pergunta, tu ver! Por que só ele come coisa boa e eu tenho que comer carne de pescoço, ficar pra escanteio? Betinho, de repente, se levanta, e , num gesto agrressivo agarra Lontra pela camisa. Betinho ninguém tem culpa de você ter nascido naquela boca de merda que você nasceu! Lontra dá uma porrada em Betinho, que cai no chão. Lontra O que é isso, meu irmão? Tá a fim de morrer. Fica na sua, seu bosta, senão eu arrebento essa sua boca suja, nojenta, esse esgoto aí embaixo desse nariz podre. Seu merda! Bunda mole! Betinho Pára com isso, pára... Desculpa, Lontra... Lontra Que desculpa o caralho. O cara tem culpa, sim, ele e todo mundo que tá dentro desta bosta de boate. A minha mãe, tá ligado, a minha mãe, a dona Conceição, saca né, a dona Conceição, aquela fudida, deve ter trabalhado na casa desses filhos-da-puta aí, lavado cu desses filhos da puta. Pode crer. Minha mãe foi faxineira na casa desses filhos da puta. Trabalhou pra caralho. Deu duro. Acordava todo dia às quatro da matina. Betinho Pára com isso Lontra... Lontra É isso aí mesmo. Olhe pra minha mãe hoje. olhe pra ela, olhe! Olhe pra dona Conceição. Virou um buta bofe, largada, pobre, na sargeta, e esses filhos da puta aí na maior, comendo do bom e do melhor e minha mãe, cara, e minha mãe, cara ((chora. Põe as mãos no rosto. ) Betinho Não chora não, Lontra. Fica numa boa. Senta aqui. Vamos levar uma idéia. Lembra da moçada daquele tempo. Puta tempo bom aquele... Lontra Tô fudido, cara. Fudido. Não tá fácil se descolar nessa merda de mundo, principalmente nascendo pobre que nem nós... Betinho Mas já vivemos pra caralho, em Lontra. Vem cá... Lontra Meu irmão, escuta isso : tô a fim de comer coisa boa, vestir uns panos legais e traçar só mulher gostosa, já comi muito bagulho por aí, não quero mais. Tá escutando Betinho. Tá escutando? E se tiver que meter mão em cumbuca pra conseguir o que quero vou enfiar mesmo, sem medo, falou. Ô Lontra, irmão, escuta isso, o Lontra não tem medo de nada! Nada!!! Betinho se levanta. Tem sangue no canto da boca. Sai para o lado. Dá uma olhada de soslaio em Lontra. Betinho Por isso que estou nessa merda que você tá vendo. Não tenho mais coragem pra nada. Tenho a maior preguiça do mundo. Não gosto de fazer nada. Eu peço esmola, sabe pra quê? Sabe, Lontra? Pra ser humilhado, meu irmão, ser humilhado, pisado...Foi o que sempre quis. Lontra Que isso, irmão. Ô Betinho o que é isso? Sai dessa, aí, cara. Desculpa Betinho. Taí, irmão, desculpa. Você não tem nada a ver com as minhas neuras. Taí, irmão. Betinho - Não é isso Lontra... Lontra Lembrei de um lance super legal, irmão. Daqueles tempos. Puta que o pariu. Betinho, se tá lembrado da nossa professora de matemática, a dona Maria Tereza, aquele mulherão? Betinho Claro que lembro, como poderia me esquecer daquele rabão. Lontra Mas não é dela que eu quero falar, mas da filha dela, aquela lourinha, chuchuzinho, lembra? Lembra daquele dia quando nós, eu você e Gavião, mano velho, tentamos comê-la depois da matinê no cinema, atrás do banheiro, lá na praça.. Tá lembrado? Aí pintou aquele milico filha da puta e cortou o nosso barato... Lembra da bundinha dela...Toda branquinha... e escapou. Betinho Quase nos fudemos em Lontra. O mega queria nos prender. Nunca me esqueci. Toda vez que vejo um milico na minha frente lembro daquele dia. Lontra Então, cara, aquela mina, a filha da dona Maria Tereza, virou o maior boing, cara...dizem que casou com um bacana. Betinho - Gente fina é outra coisa. Lontra Betinho...Vou te falar um negócio. E vai ser pelos bons tempos. Vamos dar um jeito nessa sua cara aí, ô meu. Vamos dar um jeito. Vamos meter uns panos na sua vida... Vamos lá, cara, sai dessa. Eu tenho uns panos bacanas lá no barraco - vou te quebrar essa pelos bons tempos, mas não vai folgando, não, em irmão - Vamos dar um trato nessa sua cara escancarada, meter um cheiro na sua vida ... Betinho Que isso...que isso, Lontra. Não tô muito a fim, não. Não quero fazer nada. Tô numa boa, Lontra, pode crer. Lontra Numa boa, o caralho. Betinho Vamos fazer o seguinte: você me paga uma caninha ali no boteco que já é uma grande força. Tá legal? Lontra Larga a mão de ser bunda mole, Betinho. Betinho Não quero saber de mais nada... Lontra Ah é, então foi isso? Foi mulher que te fudeu. Não me diga que você caiu nessa merda por causa de mulher? Ô Betinho, o que é isso? Betinho Não foi nada do que você está pensando... Lontra Ô Betinho, vamos deixar de chaveco. A gente pega emprestado um carrão de algum granfa aí, dá uma chegada lá no meu barraco e bota pra quebrar, falou, aí, ô derrubado! Betinho Sem essa... Lontra Sem essa o caralho. Você vai, e acabou! Tá me ouvindo? Eu sou o Lontra, irmão, e toma cuidado comigo. Porra não é todo dia que acordo querendo dar uma força aos fracos e oprimidos. Então aproveita, irmão. Não é todo dia que tem pão quente, não... Betinho Não vai dar... Lontra Não vai dar, ô caralho! Levanta já daí, seu bunda mole. Se não levantar até eu contar até três, te encho de porrada. Aí, sim, você não vai se levantar mesmo - Lontra dá gargalhadas e pega Betinho pelo braço. Levanta-o. Vão juntos até a esquina. Lontra Vamos lá...Ânimo animal. Betinho Tá bem eu vou Lontra. Mas agora solta o meu braço que tá doendo. Lontra Betinho, meu irmão, tá vendo aquele carro ali. Tá vendo? É nosso. Vem comigo. Betinho Você vai roubar um carro, Lontra? Lontra Claro. Ou você quer que eu ande a pé por aí. A pé a gente não pega nem gripe. Além disso, tem umas gostozinhas louquinhas pra dar uma volta de carro com o lontrinha aqui. Betinho Tô morrendo de medo, Lontra. Lontra Puxei carro pro Paraguai mais de 10 anos e nunca caí. Betinho Mas tem gente nele, Lontra. Encostado no carro um casal de namorados trocando beijos e amassos. Lontra Ô figura, você mesmo, aí, vai desencostando do meu carro... Não tá vendo que você pode amassar ele, ô babaca! O rapaz Mas esse carro é meu... Lontra Era. Tá entendendo: era. Agora é do Lontra. Tá ligado no nome: Lontra. Nunca se esqueça desse nome, falou babaca. O Lontra aqui é da pesada, falou seu bosta. O rapaz O carro é do meu pai. Lontra Então o carro é do papai. Tá vendo Betinho. Não te falei. "O carro é do papai". Era do papai, meu chapa. Era, tá ligado. Agora é nosso. Do Lontra e do meu amigo Betinho, garoto gente fina, meu irmaõzinho aqui, entendeu? Fala pra ele, Betinho, fala pra ele... Betinho Deixa pra lá, Lontra...Deixa pra lá...Eles são gente fina Lontra Gente fina, ô caralho. Lontra puxa a namorada do rapaz. Vem cá, boneca, vem cá com o Lontrinha. O Lontrinha não vai fazer mal pra uma delícia como você, não, o Lontrinha é um cara legal, só vai fazer uns carinhos. Dá só uma olhada pra ela, Betinho. Olhe bem. Você já viu algo mais bonito que isso na sua vida. Olha a barriguinha dela, olha o umbiguinho. Olha a bundinha dela. Dá uma viradinha aí, boneca, pro meu irmão Betinho poder ver melhor a sua bundinha... O rapaz Tire a mão dela! Lontra Olha, aí, a do rapaz...Qual é a dele em Betinho? Querendo arrumar confusão com a gente, pessoas de bem. Não vou fazer nenhum mal pra boneca aqui, não. Só um sarrinho...O LOntrinha é um cara carente... Lontra agarrou o rapaz pela gravata e deu sopapo na sua orelha esquerda. O rapaz caiu no chão. Um chute nas costelas. Outro na cabeça. Lontra saca do revólver e tira um estilete do bolso e ameaça cortar o caralho do rapaz. A garota Não, pelo amor de Deus...Não faça isso...Pelo amor de Deus! - chora Lontra Olha, Betinho, a da garota. Defendendo o piroco do babaca aqui. Você nunca viu um caralho de verdade, boneca. Um do bom. O Lontrinha tem um do bom, você ainda vai ver. Se eu e meu irmaõzinho tivéssemos mais tempo nós iamos mostrar a você uma coisa boa e deliciosa. Você ía adorar, posso te garantir. Nenhuma garota reclamou até agora do caralho do Lontrinha. Só que agora, hoje, estamos sem tempo. Dá uma olhada pro meu irmãozinho, dá só uma olhada nele. Tá derrubado, não? Então, estamos indo dar um trato nele. Você quer ir com a gente? A garota Não, por favor Lontra O que é isso. Tô em missão de solidadiedade. Onde você mora? Qualquer dia dou uma passadinha lá pra devolver o carro..e você sabe, né, nós poderíamos fazer um nenenzinho, ein, o que você acha? A garota Deixe a gente ir embora. Pode levar o carro. Mas por favor, nos deixe em paz. Lontra Eu tenho um pensamento que é o seguinte: O mundo é pequeno e as noites são longas. Deu mais um chute no rapaz, que já estava sangrando muito. Empurrou a garota para o muro e deu um beijinho em seu pescoço e tirou os peitinhos opra fora. Lontra Olhe pra isso, Lontra, dois papaias...que delícia. Quer dar uma chupadinha Betinho. Vem cá. Ela deixa Betinho Não. Deixa ela Lontra, Deixa ela Lontra Se você não quer, tudo bem. Entraram no carro. Deu partida. Lontra Tchau gatinha, tchau. Até outro dia. Não se esqueça de dizer pro seu amiguinho ter mais cuidado. Qualquer dia ele pode ficar sem o piroco e vai ter que virar viado. gargalhada. Dentro do carro. Lontra O Betinho, como é que você virou um mendigo, ein? Betinho Deixa pra lá. Não tô a fim de deprimir ninguém com o espetáculo da minha miséria. Lontra Que papo é esse, Betinho. Me conta. Foi mulher, num foi? Mulher é uma bosta. Gosto de mulher, mas só pra trepar...Isso sim. Essa história de ficar grudado num rabo de saia não é comigo. Betinho Foi uma porrada de coisa junto. Trabalho, mulher, família. Tudo em cima de minha cabeça. Não aguentei. Caí fora. Lontra Mas virar mendigo... Betinho Não tive muita escolha. No começo até que deu pra descolar algum, fazendo uns biscates, trabalhando de garçon, essas coisas... Mas depois a coisa apertou. Lontra Betinho, vou te falar uma coisa: Nós que viemos lá da quebrada, o nosso é negócio é o crime. Sacou? roubar de quem tem muito. Tem muito bacana por aí montado no dinheiro. Eu vou trabalhar? Pra ganhar salário de fome... Betinho Não tenho coragem. Acho que nunca vou ter coragem. Lontra O difícil é fazer o primeiro serviço. Dá uma tremedeira. Um nervoso do diabo. Depois a gente acostuma.É mole. Dá até um friozinho gostoso na barriga encostar um canhão na cabeça de um granfino. Betinho Sempre fui medroso. Até na escola, aquela bosta de escola que nós estudamos, lembra? nunca aprendi nada. Trampo só pintou porcaria...Desisti. Lontra Que isso, irmão? Ânimo rapaz. A gente vai dar um jeito nisso aí pra você. O lontra aqui vai tirar você da merda. Pode crer. Pode confiar no seu irmão Lontra. Betinho A vida na rua é legal. Tenho alguns amigos. São caras batutas... Tou levando na maresia. Tomando umas biritas aqui, batendo um papo ali e assim a vida vai passando, essa merda! Lontra Mas mulher que é bom nada. Betinho Não penso mais nisso. Lontra Virou viado, por acaso. Tá dando o lordo por aí, Betinho? Betinho Que isso Lontra? Lontra É aqui o meu barraco. Chegamos. Pararam o carro. Ficaram conversando um pouco. Betinho Tá numa boa, em Lontra? Lontra Numa boa, ô caralho. Ainda vou fazer uma mansão aqui na área. Você vai ver. Tenho planos, irmão. E tá pintando um lance super massa...Depois te conto. Vai dar pra levantar muita grana. Essa casa tá derrubada, que nem você. Passa a mão pela cabeça de Betinho. Betinho Ce tá chorando de barriga cheia. Lontra Betinho, o banheiro é ali, naquela porta, vai lá e toma um banho legal. Vou te arrumar uma toalha. Betinho Banho? Bicho, faz mais de um mês que não sei o que é isso. Lontra Dá pra perceber. Betinho Vou lá. Lontra Vou colocar um som na caixa. Escorpius, um grupo gringo. Em homenagem aos escorpiões que moram aqui no barraco. Ah, vê se corta essa barba nojenta. Tem aparelho atrás do espelho. Vê se dá um trato nesse visual. Lava bem essa cabeça. Vou dar uma tozada legal nesse cabelo, você vai ver. Betinho Não vai me falar que você é barbeiro também? Lontra Você vai ver. Tô com as manhas de um corte aí que vai arrepiar. Betinho tomou banho. saiu do banheiro. Cam a barda cortada. Lontra É isso aí, meu irmão...Tá com cara de gente. Betinho Chuveiro massa, o seu, em Lontra? Lontra Senta aí na cadeira. Vamos cortar essa crina perebenta. Betinho Olha lá, em Lontra. Olha lá o que você vi fazer com essa tesoura. Lontra Deixa comigo. E aí que achou do sabonete? Lux, irmão. Tem uma gostosa que faz a propaganda na tv, irmão, uma gostosa!!! Qualquer dia, se marcar no caminho do Lontrinha, meto e ferro nela. (risos) O Lontra não dá moleza pra ninguém! . Depois de algum tempo. Betinho, vestido, cabelo cortado, e Lontra na frente de um bar bacana. Lontra Agora que você tá bacana, vamos tomar uma nesse buteco? Betinho E grana? Tô liso. Lontra Não esquenta a cabeça. Deixa com o Lontra que ele resolve essa parada. Vamos lá. Betinho Olha lá, em Lontra... Vê o que vai fazer, ein, irmão. Lontra Você não tá conhecendo mais o seu irmãozinho LOntra, Betinho. Pirou é? Deixa pra mim. Betinho Tá legal. Vamos tomar uma cana. Lontra Que cana o quê, Betinho! Cana é bebum de pobre. Vamos tomar um chopinho bem gelado e ver as gostosas. Tem cada uma aí na área, irmão. Você vai pirar. Betinho Vamos, vai. Lontra Betinho, vou te contar uma coisa que aprendi nesses anos todos. Betinho Fala, Lontra. Lontra Betinho, irmão, meu avô dizia o seguinte e tô com ele e não abro: "a vingança faz parte da justica". Tá ligado? Vamos beber todas e cair fora. Se alguém entrar numas, eu meto o canhão na cara do filha da puta. Lontra mostra de novo o revólver na cintura. Betinho treme de medo. Betinho Mas cê vai sair com isso aí, Lontra? Lontra Claro, né Betinho, que cê acha? É o meu brinquedinho pra limpar otário. Betinho Tá carregado, Lontra? Lontra Claro que tá. Se já viu o Lontra aqui andar com brinquedinho decarregado no bolso? Tem seis balaços. Se vagabundo marcar, leva chumbo no rabo. Betinho Cuidado com isso. Não deixa ninguém ver, em Lontra. Se não estamos fritos. Lontra Chega de papo. Ô gançon, traz dois chopes gelados, estupidamente gelados, aqui pro Lontrinha Betinho O Lontra que som é esse que vem lá de dentro. Alto pra caralho. Lontra É uma boate, Betinho. Você já entrou numa dessas antes? Betinho Não nunca...Lá na vila não tinha. Lontra Então com o Lontra aqui você vai em muitas ainda. Betinho E paga na entrada ou na saída? Lontra O Lontra não paga nem na entrada nem na saída.(risos) Betinho Então como é que vai ser? Lontra Deixa comigo. Chegaram os chopps. Betinho E eu, tô bacana...A roupa ficou em cima? Lontra Ficou supermassa. Betinho O meu pé tá doendo um pouco. Lontra Também, esse casco Betinho Meu número é 41 Lontra E desde quando sapato de pobre tem número? Betinho Quero ver só amanhã. Lontra Tá cheio de bacana dono da grana no pedaço. Vamos ficar numa boa, Betinho, numa boa. Amanhã a gente compra um "but" novo pra você irmão. Betinho Tá uma delícia o chopp. Lontra Chopp é bebum de bacana. Betinho Lontra, será que eu vou conseguir descolar uma garota? Lontra Qualé, Betinho? Até agora você não tava a fim de nada... O que rolou? Betinho Não é nada disso, Lontra. Eu não sei se consigo. Lontra Claro que consegue. Com o Lontra em campo não há placar em branco. (risos) Betinho Quero só ver Lontra Daqui a pouco a gente sobe. Tem cada gostozinha lá dentro, dançando, balançando, esfregando aquelas bundinhas lisinhas... Você vai ver Betinho. Betinho Eu acho que perdi a manha de como se faz pra chegar numa mina. Lontra Sai dessa, malandro. As minas acreditam em tudo. É só chegar e ir dizendo que acha elas lindas, que tá apaixonado... não dá outra. Mulher é tudo otária. Betinho Tô nervoso. Lontra Larga a mão de ser bunda-mole, Betinho. Betinho E o caralho, será que ainda levanta? Lontra Bicho, a hora que você ver aquele rabão rebolando na sua cara, aquele perfume, aquela bucetinha quentinha ... aquilo levanta até defunto. Tomaram mais uns três chopps cada um e entraram para a outra área do bar. Uma danceteria.Cheia de gente. Muitas garotas. Lontra Tá vendo, Betinho. Num te falei? Dá só uma olhada nessas bundas, meu irmão, dá só uma olhada, Betinho. Betinho Vamos tomar uma coisa mais forte, LOntra. Lontra Tá cagando na calças já Betinho? Ainda nem começou a festa. Vamos tomar uma lá no balcão. Vamos lá. Betinho Com coragem, antecipando Lontra. Ei amigo o que você tem de bebida forte, aí? Lontra Vamos beber um vodka, Betinho, é maneira. Betinho Então vê duas vodkas no capricho pra nós dois. Pegam a bebida e vão perto da pista. Lontra Tá vendo todas essas bundas aí, Betinho? Pra mim não passa de possibilidades. Betinho O quê? Lontra Possibilidades, Betinho, tá surdo? Betinho Mas o que que você quer dizer com isso? Lontra Significa que eu vou comer qualquer uma. Pra mim não faz diferença. Aqui, irmão, só tem coisa fina. Aqui não tem bagulho. E se não der na boa, vai na marra... Betinho Você é um cara muito esperto, LOntra. Lontra Burro eu não sou, tá ligado, Ô Betinho. Betinho Preciso aprender. Fiquei muito tempo na sargeta.. Lontra Ficou porque quis. Porque é um bunda-mole. Betinho Deixa pra lá, LOntra. Agora não é hora... Lontra Vamos descolar uma mesa...É mais fácil pra arrastar as gatas. Betinho Vamos lá. Sentaram-se numa mesa. Pausa. Lontra Ei, aí, gatinha, você mesmo de minissaia, ei, venha até aqui...O lontrinha quer levar um papo contigo. Vem cá, o Lontrinha é gente fina... A garota Sai pra lá seu... Lontra Essa mina vai se fuder comigo, viu betinho. Tá pensando o quê? Vai dispensando o Lontra assim. O Lontra. Betinho Vai lá falar com ela. Lontra ( Para a garota, quase abraçando-a) Ei, garota, não faça isso com o Lontrinha aqui, não...Vem cá...O lontrinha achou você linda...A gatinha mais linda dessa boate...Pode ter certeza... A garota Sai pra lá, cara. Não tô a fim de nada contigo. E Vê se não marca se não meu namorado te quebra a cara. Lontra Ah, é assim, então...Você tem namorado, ein? E daí? E o Lontrinha como é que fica? A garota Tenho...E se ele te ver aqui me pentelhando vai te dar um cacete! Lontra Vamos ver, então. Sabe com quem você está falando, ô piranha? Com o Lontra, sacou e o Lontra não vai deixar barato essa desfeita, não. A garota O Ricardão é faixa preta em judô, seu moleque! Betinho Vamos embora Lontra.... Vamos embora... O cara vai arrumar pra nossa cabeça, Lontra. Lontra - Rindo - Betinho, essa piranha não sabe com quem está mexendo... Vai si fuder...Ela e o faixa-preta Ao sair, LOntra bateu a carteira de um rapaz na fila do caixa. Pagaram a conta. Do lado de fora da boate. Betinho Como foi que você conseguiu aquela grana, Lontra? Lontra Você tá com o Lontra, irmão...Fica frio. Betinho Lontra, você não conhece outro lugar legal, pra gente descolar as minas? Lontra Que nada, Betinho. Vou fuder aquela piuranha. Aliás, nós dois vamos comer fuder aquela bundinha. Só pra largar a mão de ser filha da puta! Betinho E o Ricardão? Lontra Tá morto. O ricardão, Betinho, o faixa preta, tá morto, Betinho. Betinho Você vai matar o cara, Lontra? Lontra Esses filhos da puta acham que só porque entram numa bosta duma academia onde só tem viado e já pensam que são os bons. Com o Lontra o negócio é na bala! Você vai ver o cara querer entrar numas comigo. Vou só me defender. Betinho Vamos embora, Lontra. Deixa pra lá. Lontra A vaca nem olhou aqui pro Lontra, Betinho. Vai se fuder. Vou comer aquele rabinho dela... e sem vaselina - gargalhadas. Depois de umas duas horas. O bar fecha as portas. As pessoas começam a ir em direção ao estacionamento. Shirlei e Ricardão são um dos últimos a chegarem. Lontra e Betinho os esperam na entrada, escondidos. Betinho Lá vem eles, Lontra. Lontra Tô vendo, Betinho. Com o LOntra em campo não há placar em branco, Betinho. Fique ligado. O rapaz, meio embriagado, mas muito forte, alto, enfia a chave na maçaneta do carro. Abre a porta. Shirlei entra. Lontra se aproxima. Lontra Oi boneca, tá lembrada de mim? Shirlei Ricardão esse é o cara que me agarrou la na boate. Ricardão Então é esse filho da puta. Lontra Vem aqui pra fora seu viadinho Ricardão Vou te arrebentar Lontra Vem Ricardão sai do carro. Lontra o espera com o canhão nas mãos. Shirlei Arrebenta ele Ricardão. Ricardão Vou quebrar esse cara, baby, espera só um pouquinho Lontra Prepare pra morrer seu granfino filha da puta. Você mexeu foi com o Lontra, seu puto. Lontra, porém não atira. Apenas aponta o revolver para ele. Chama Betinho. Ricardão Não atire... Não atire... Lontra Entre no carro. Vem aqui Betinho. Entra lá atrás. Shirlei O que está acontecendo, Ricardão. O que tá acontecendo? Lontra Não está acontecendo nada, boneca, nada. O seu namoradinho aí, o faixa preta, tá cagando nas calças. Vai rezando porque o Lontra tá nervoso com você depois daquela desfeita lá na boate. Shirlei Quem é você? Lontra Eu sou o Lontra, Garota, o Lontra! Betinho Deixa eles, Lontra... Lontra Cala essa boca, você, aí, também Ricardão Aonde você vai nos levar? Lontra Toque para o Carvalho, depressa, seu filho da puta! Shirlei O que você vai fazer com a gente...L....ontra? Lontra - Gargalhando - Com você, boneca, nada, o que é isso? Eu já não te falei que o Lontra é gente fina... Você não acreditou. Não precisava ter xingado o Lontrinha daquele jeito la na boate. Não precisava... Ricardão faz uma manobra abrupta com o carro. Lontra dá uma coronhada em sua cabeça. Shirlei se desespera. Betinho tenta acalmar todos. Lontra Não faça mais isso seu filho da puta! Ricardão O que eu fiz? Shirlei Pelo amor de Deus, moço, não faz isso com a gente não! Lontra Não estou fazendo nada, boneca. Ainda (gargalhada) Betinho Deixa eles Lontra Lontra - Apontando o revólver na direção de Betinho Quer fazer companhia pra eles lá no cemitério, Betinho? Shirlei Deixa a gente, pelo amor de Deus... Ricardão A gente não te fez nada Lontra Olha aí, Betinho, o machão, o faixa preta, o fortão que ia me quebrar a cara, cagando de medo, olha aí Betinho. Ricardão Quanto você quer pra nos libertar? Lontra Eu já tenho tudo que quero. Shirlei Fale. Quanto? Lontra Ah. boneca, não fique ansiosa. Eu tenho umas coisinhas pra resolver com você ainda. Você vai adorar conversar com o Lontrinha agora. Chegaram no matagal do Carvalho. Lontra deu indicações para que entrassem. Ricardão Solta a gente, cara, eu te dou o que você quiser Lontra Cala essa boca, seu filho da puta - . Shirlei - Gritando - Socorro. Socorro. Solte a gente. Socorro. Lontra Cala a boca você também sua vaca! Betinho Calma, Lontra, calma Estacionaram o carro. Desceram. Lontra Não te falei Betinho que a gente ia comer essa vagabunda. Shirlei Não pelo amor de Deus. Pelo amor de Deus! Ricardão Você é louco, cara? Lontra Não. A sua namorada é que é uma vaca. Se ela tivesse conversado com o Lontrinha numa boa, eu não precisava fazer isso com você. Ricardão Fazer o quê? Lontra Isso! Lontra dá uma coronhada na cabeça de Ricardão, pelas costas, que desmaia. Amarra as mãos com o cinto. Pega shirlei pela cintura. Shirlei Não. Não. Você não é humano...não tem sentimentos Lontra Claro que tenho... Betinho Você matou o rapaz, Lontra! Matou! Lontra Ainda não, Betinho. Ainda não. Shirlei Pelo amor de Deus! Lontra rasga a camiseta de Shirlei. Os seis pulam pra fora. Ela grita. Ele tira toda a roupa dela.O farol ilumina o seu corpo escultural. Lontra Olha que beleza Betinho... Shirlei Não!Não! Pelo amor de Deus, não faça isso comigo, não, por favor...! Lontra Vem aqui com o Lontrinha. Não precisa ficar com medo. O Lontrinha não vai machucar você. O Lontrinha é gente fina... O Lontrinha é um cara legal...Rindo. Lambendo os beiços. Betinho Como ela é bonita em Lontra? Lontra Eu não te disse? Você conhece alguma garota mais gostosa que essa? Betinho Não machuque ela não ... Lontra Eu nunca machucaria uma coisinha preciosa como essa. E além disso, ela é toda nossa, Betinho. Shirlei Não por favor. Vocês são uns animais! Lontra Não são dos animais que as mulheres gostam mais. Homem forte, musculoso...Então...Tá aqui o Lontrinha, que não é muito musculoso, mas tem um senhor de um caralho. Shirlei Não, por favor. Betinho Eu não posso fazer isso, Lontra, não posso... deixa ela ir embora... Lontra O que é isso? Se não for assim, você nunca vai comer coisa igual. Você é pobre cara. E pobre, brodi, quando come alguém... é bagulho... Betinho Não posso. Não tenho coragem Lontra Vem cá, boneca, faz uma chupetinha pro Lontrinha, faz... Dá uma lambidinha no caralho delicioso do Lontra, vem... você vai ver como é bom, vem? Shirlei Tenho nojo de você seu animal! Lontra O que é isso? Vem aqui fazer um carinho no cacete do Lontrinha, vem? Shirlei Sai pra lá seu filho-da puta! Lontra Filho da puta não, sua vaca! Você nem conhece a minha mãe, aquela fudida, a dona conceição, fudida! Dá uma porrada no rosto de Shirlei. Derruba ela no chão e a estupra. Ela grita. Não adianta. Depois de alguns minutos, Lontra, saciado, se levanta. Shirlei fica deitada no chão. Betinho Vamos embora Lontra. Lontra Calminha, aí, meu irmão, deixa o Lontrinha acabar com com esse filho da puta...esse burguezinho faixa preta de merda. Betinho Não faça isso, Lontra. Lontra Claro que vou fazer. Você acha que eu vou dar mole pra vagabundo? Lontra dá um tiro na cabeça do Ricardão e um na cabeça da Shirlei. Lontra Vamos Betinho. Já me diverti bastante hoje. Betinho Vamos nessa... As luzes se apagam. De manhã, na casa de Lontra. Betinho Você matou aqueles dois, Lontra. Estamos fudidos. A polícia va cair no nossa cola, Lontra. Lontra Vai cair nada. A polícia é um bando de merda. Esses caras não pegam ninguém. Além de tudo, como eles vão saber que fomos nós, Betinho. O Lontrinha aqui não deixa pista, meu irmão. O Lontrinha é profissional. Betinho Tou com medo Lontra No começo é assim, Betinho. Depois, a gente se acostuma.

12 Outubro 2009

Adivinha
A vinha veio
E é divina

01 Outubro 2009

Temporal

sempre tenho tempo
mas o tempo não me tem

05 Setembro 2009

Microscópio Afetivo

Este mundo é pequeno
Mas tem universos dentro dele
Infinitamente grandes

02 Setembro 2009

Ganância e Manipulação do Povo e da Natureza. Estão anunciando a salvação do Brasil com o que está matando o planeta

O mundo todo sabe que o petróleo é a matriz energética causadora do aquecimento global, principal poluente do ar e das águas. Além dos combustíveis é também a matéria prima do plástico, que está formando uma ilha de lixo no Oceano Pacífico, gigantesca, com plásticos de todo tipo em vários estagios de decomposição, desde a sua criação pelo homem até os dias de hoje. Essa ilha de plásticos fica entre os Estados Unidos e o Japão e era desconhecida pelos cientistas até a década passada. Foi se acumulando nesse lugar que é um ponto de calmaria no meio do nada, perto de várias correntes marítimas que trazem lixo do mundo todo, e agora é um monstro e há muita controvérsia sobre seu tamanho, alguns exagerados dizem ser maior que os Estados Unidos.
A sobrevivência da vida neste planteta depende da interrupção do envenenamento do meio ambiente e do aquecimento global. A queima do petróleo e o efeito estufa originado pelos gases resultantes desta queima são os principais causadores das mudanças climáticas e da extinção de muitas espécies de vida animal na terra, fora as queimadas e derrubadas na floresta amazônica, que transforma o que antes era uma floresta com ar fresco, em forno com ar quente poluido e sem vida. Não digo que devemos voltar ao tempo da carroça, apesar de gostar muito de cavalos, ou da máquina a vapor. Já existe carro e moto a álcool, carro e trem movido a energia elétrica, ...porquê investir bilhões em uma tecnologia obsoleta e que envenena e mata a vida do planeta todo? Estão anunciando a salvação do Brasil com o que está matando o planeta. além disso essa Perfuração de poços do pré sal é baseada numa tecnologia que ainda não se sabe se dará certo, com o perigo de vazarem milhões de litros de óleo no mar.
O nosso governo no entanto acha lindo trazer à tona o poderoso poluente que a natureza demorou milhões de anos para esconder bem escondido no fundo, no fundo do planeta. Me digam como assinar um protocolo de redução de emissão de gases causadores do aquecimento global e ao mesmo tempo investir na exploração em uma das maiores reservas de petróleo? Simplesmente se o Brasil não explorar algum outro país o vai fazer. No Iraque foi na base da bomba, no Brasil não precisa, já tá com as pernas abertas. E pior... mesmo sabendo que tem essa enorme quantia de petróleo a ser explorada, o governo ainda quer construir mais uma usina atômica em Angra,...
Ao invés de investir tanto no petróleo ou na perigosa energia atômica, porque não investir em energia limpa, do sol, das marés, dos ventos, ou mesmo dos bio-combustíveis ecológicamente certificados? Já sei o povão não conheçe a possibilidade dessas alternativas... são de longo prazo e com isso não se ganha eleição no Brasil. Mas prometendo a salvação da pátria com o petróleo fica mais fácil. Pronto já passamos a Venezuela em produção de petróleo, acho que no quisito populismo grotesco também.

27 Agosto 2009

não conheço este jornalista, mas ele fez uma boa crítica: Análise de 'Terrorista' e 'A Tal Guerreira', exibidos no 15º Vitória Cine Vídeo 04/12/2008 - 16h23 (Rodrigo de Oliveira - )TERRORISTA, de César Meneghetti e A TAL GUERREIRA, de Marcelo Caetano A manipulação como direito
Igual a quantos filmes "Terrorista" seria se mantivesse apenas o depoimento lúcido, emocionado e, no mais das vezes, já bastante cartografado pela história dos sobreviventes da luta contra a ditadura, igual a quantos filmes se não tivesse, exatamente, um cardápio de intervenções sobre este discurso que são só suas (ainda que baseada num universo gigantesco de referências)? A história de Percy Camargo Sampaio é feito muitas outras, professor militante que é preso, perseguido, exilado, vivendo na clandestinidade, perdendo amigos, família, identidades. Sua presença permanente diante da câmera, seu discurso que atravessa a totalidade do filme, estão ali para marcar o mínimo de diferença: por mais que seja uma história nascida de uma convulsão coletiva e compartilhada por milhares de outros perseguidos pela ditadura, é a própria figura única e ainda resistente de Percy que torna não sua história, mas o modo como ele mesmo a conta, algo digno de atenção e admiração. Uma admiração que esbarra num dos maiores problemas do documentário tradicional: quando Percy começa a chorar, se emocionar com as lembranças, deve a câmera perseguir a lágrima com um zoom, com uma aproximação, deve explorar essa imagem da comoção que se dá espontaneamente diante dela? "Terrorista" não resiste a isso, mas esta pequena intervenção ótica no registro é apenas um pequeno detalhe dentro de um grande painel de manipulações. E falamos aqui sem sentido pejorativo, mas literal mesmo: manipulação no sentido de que percebemos que César Meneghetti fez o filme "com as mãos", colocando e recolocando inserções gráficas, trechos de filmes clássicos sobre as ditaduras latino-americanas, áudio de discursos de políticos e militantes, num trabalho realmente manual. Espécie de tela contemporânea sobreposta à imagem documental mais conservadora, o filme que nasce dessa conjunção incorpora essa briga entre respeito cego e intromissão de maneira interessantíssima. A mais simples das inserções gráficas talvez seja a mais poderosa delas: usando o vermelho forte para colorir a tela e, eventualmente, esconder por completo a imagem ao vivo que se dá ali por trás, "Terrorista" se coloca, como nestes blocos de cor, entre a visão opaca da história e da memória e o trabalho ativo, obrigatoriamente manipulador, desse manancial de sentimentos e afetos.O caso de "A Tal Guerreira" é ainda mais curioso porque, em se tratando de um filme onde a montagem de duas narrativas paralelas oferece um sentido muito claro e bastante pessoal da relação que o diretor Marcelo Caetano mantém com ambas as fontes, o que mais ecoa pelas imagens é a tal da "ética do documentarista", para o qual a resposta mais rasteira e longe de atingir a verdade do filme seria a de que o diretor talvez tenha ido longe demais. Antes de sequer sabermos do que se trata, vemos o discurso do pai de santo de um terreiro que cultua Clara Nunes falar a respeito da natureza sagrada que a cantora assumiu após sua morte, e sobre esta fala o que vemos são homens fantasiados de orixás, dançando em câmera lenta, sem que nada na imagem (detalhada, com fundo preto) nos ofereça um senso de totalidade, alguma localização precisa daquele espetáculo. Mais adiante, quando o mesmo pai de santo falar da incorporação do espírito de Clara por uma série de médiuns, a montagem nos leva ao camarim de uma drag queen, que está justamente se vestindo de Clara Nunes para iniciar seu show - de onde, aliás, foram tiradas as imagens dos orixás anteriores, nada menos que gogo boys musculosos e seminus, participando de um show numa boate gay paulistana. A questão da verdade das incorporações (seja de um espírito numa celebração de umbanda, seja de um personagem numa celebração dionisíaca num palco) está ali posta, mas é menos pela verdade interior destas duas manifestações e mais pela verdade do seu próprio discurso que "A Tal Guerreira" se impõe. O culto à imagem de Clara Nunes é, também, um culto à própria idéia de se ter uma imagem viva e presente, representável e renovável ao gosto e segundos os métodos de quem queira fazê-lo. A televisão ligada no terreiro de umbanda, mostrando imagens das participações da cantora em programas de auditório, ou os clipes do YouTube no qual a "drag queen" diz sempre voltar, para relembrar os tiques e a composição de sua personagem real: são culturas que não vivem apenas da internalização da influência de Clara, das lições espirituais apreendidas da música e da vida da cantora, mas sobretudo de sua face externa, plástica, da dimensão física do mito. A visita anual do grupo de umbandistas ao túmulo da cantora, e as incorporações de pretos velhos feitas ali, lado ao lado dos restos mortais de Clara, são tão impressionantes quanto estranhamente naturais. O culto tem valor de exibição tanto quanto valor de exame religioso íntimo, e vive do espalhafato. "A Tal Guerreira" percebe essa cultura visual de maneira muito parecida ao que um dia o mestre do documentário etnográfico Jean Rouch fizera com um ritual de transe coletivo no interior da África em "Os Mestres Loucos". A carga emocional e o conteúdo de bizarrices é sensivelmente menor de lá para cá, mas os comentários dos diretores sobre as imagens são um tanto próximos. O de Jean Rouch era de um espanto (e um certo reacionarismo) em relação a um universo tão radicalmente bipartido, entre a realidade de pessoas comuns, operários e funcionários e vagabundos que, durante alguns dias, passavam à supra-realidade de personagens incorporados em um transe violento. Marcelo Caetano, mais contido, não deixa de manifestar sua relação ao mesmo tempo compreensiva e distante daquelas narrativas paralelas e tão intimamente ligadas. Mas se não é de espanto sua reação (e não há, diferente de Jean Rouch, uma narração do próprio cineasta sobre as imagens que denote mais claramente que aquele é um discurso pessoal), "A Tal Guerreira" organiza as imagens com tamanha precisão e firmeza de propósitos que não há como nós, espectadores, não nos espantarmos um pouco.

21 Agosto 2009

do blog do meu amigo Tarcísio:
CURTO E GROSSO MARINA NO MATO SEM CACHORRO
Marina tem toda razão nas críticas contra o PT e, sobretudo, contra o governo atado ao saco de gatos ou saco de gatos e cachorros que é o PMDB. Marina diz que o governo é insensível a causas sociais. É pior. O governo Lula fez a opção pelo desenvolvimento capitalista calcado no consumismo e, portanto, alinhado a banqueiros, grandes empresários e ao agronegócio. Mas –apesar de tudo isso – dentro da geléia geral, o PT ainda é o melhor (ou o menos mau) entre os partidos com força para disputar o poder. E governo Lula foi, na História do Brasil, o que mais contribuiu para a distribuição da renda, dentro dos limites permitidos. Marina, portanto, está mesmo perdida. Ou vem a nós empenhados na luta sem fim de contestar o poder, de impedir sua estratificação, ou filia a qualquer outro dos partidos, que são piores do que o PT. O prêmio pode até ser a taça enlameada do poder.

14 Agosto 2009

na cara dura, na cara de pau

ouvi de amigo que estudou na mesma universidade comigo há uns 22 anos uma frase muito boa: Dura lex, sed lex,...latex. traduzindo: a lei é dura...,mas estica!
nestes Dias a estética é bem elástica, a ética nem tanto mas o visgo gruda legal, ou como diriam os de antigamente hoje: a madeira da jaqueira, assim como a lei é dura, mas amoleçe fora dágua. Preciso me lembrar de esquecer, que tem coisas que é melhor não esquecer!

pirama

Não vil, não ignavo, Mas forte, mas bravo, Serei vosso escravo: Aqui virei ter.
Guerreiros, não coro Do pranto que choro: Se a vida deploro, Também sei morrer.
(trecho do ato IV de Juca Pirama, de Gonçalves Dias, pubblicado no blog Chanas em Chamas da minha amiga Lele)

29 Julho 2009

O Presidente disse ontém na rádio que os senadores não podem permitir esse desgaste do senado, pois segundo as palavras dele: Isso "mata as pessoas , mata a instituição"
O que mata as pessoas senhor presidente, sejam elas reis ou meninas de rua, é a morte, mas os pobres morrem mais...
O que mata as pessoas é a idade avançada, falta de sorte, as invenções humanas, o veneno dos bichos, tempestades furacões, rios e mares, mas hoje em dia no Brasil principalmente os carros e o cigarro, poluição, as guerras nos morros, as balas dos capangas... a violência no campo e nas cidades causada pelas desigualdades sociais sustentadas por congressistas, juízes e governantes que governam, legislam e julgam conforme interesses sórdidos O que mata é doença nas favelas e sertões por falta de saneamento, educação que preste, deveres básicos do governo. A falta de dinheiro para comprar comida, um teto decente e para um tratamento de saúde bom sem precisar ficar horas, dias, meses na fila para tratamento adequado.
O que mata é a vergonha de pagar nossos impostos no supermercado e descontados no salário, para sustentar um congresso recheado de safados com grande parte de todo esse dinheiro... As oligarquias continuam no poder sugando o sangue do povo e o senhor dá seu apoio até o osso, triste, isso também mata, no caso, de desgosto.

23 Julho 2009

Dizem que a justiça é para todos, independente de cargo, biografia

O presidente Lula me surpreende cada dia mais e mais com suas declarações: "A única coisa que eu peço é que o Ministério Público tenha o direito e a obrigação de agir com o máximo de seriedade, não pensando apenas na biografia de quem está investigando, mas na biografia de quem também está sendo investigado"... falou isso sem citar nomes ou fatos, mas para bom entendedor fica evidente que ele se referia aos recentes escândalos de corrupção envolvendo Sarney e outros aliados do governo Lula e da oposição também. Fica assim registrado na História do Brasil este peculiar pedido do presidente da República: a justiça, através de um de seus braços: o ministério público, deve tirar sua venda e se vender ao passado glorioso de poderosos históricos com biografia. Segundo o site transparência brasil, 32 % dos deputados e senadores de hoje foram citados em tribunais de contas ou da justiça, e mesmo condenados por crimes em instâncias da justiça podem ser eleitos ou continuam no seu cargo. Ou seja, o congresso é uma zona, sem glamour querida Lady Kate. E não me falem em alianças para garantir a governabilidade. Lula simplesmente rasgou, e cuspiu em cima de todos os princípios éticos e ideologia que regiam o PT quando foi fundado. Se é para fazer alianças assim é melhor ir com a viola na encruzilhada e abraçar o capeta. Lula ainda é o preferido do povo brasileiro, mas o que se vê é uma crise das instituições. Já sabemos que a imprensa, o ministério público, a polícia e o poder judiciário devem respeitar os direitos dos investigados, sem condenar antes de concluidos todos os processos de investigação. Quem deveria agir sim com mais seriedade é o congresso e o próprio Lula, isso para não falar nos altos escalões da justiça que livram empresários e políticos, sempre em poucas horas com Habeas Corpus milagrosos. quando na maioria das vezes isso leva dias, semanas, porque será? Para mim essa declaração do Lula é um claro recado de que a justiça deve ser acionada dependendo da biografia da pessoa e seu círculo social e político e não das acusações que pesam sobre ela e esse tipo de declaração é muito contraditória com a sua bela biografia senhor presidente e não faz nada bem a ela. Quem diria que o Partido com mais identificação com o po(L)vo brasileiro se tornaria isso ao estar no poder com os seus tentáculos todos para abraçar?

10 Julho 2009

Inglaterra considera Brasil sua grande lata de lixo e manda Toneladas de lixo doméstico e hospitalar escondidos para a cidade de Rio Grande

Acho que não só os ingleses consideram o Brasil e o mundo sua lata de lixo, essa mentalidade predomina nas pessoas sem educação e também em muito dotô deste mundão de meu Deus. É bem capaz do governo inglês dizer que não sabia que seu lixo doméstico tem ido parar em outros países como mercadoria enviada por engano ou contrabando, mesmo tendo um serviço de informações digno de James Bond e casos como o do Jean Charles. O pior é que veícularam na tv brasileira que os responsáveis pelo envio do lixo, que não tiveram seus nomes revelados até agora, eram brasilieros... laranjas dos ingleses? A cidade de Rio Grande, RS, belíssimo porto histórico do Atlântico, não merecia isto. E por falar em lixo, a França continua lançando o lixo atômico das suas usinas nucleares no Oceano Pacífico, pertinho da casa do coitado do Bob Esponja. e o presidente Lula defendeu esta semana o uso de energia atômica para fins pacíficos pelo Irã. Que fins pacíficos senhor Lula molusco? Os caras tem petróleo até o pescoço e precisam produzir lixo atômico também? Mais um para jogar lixo atômico na natureza, para mim isso já não é nada pacífico. Por que não defender a instalação de mais usinas termoelétricas no Irã movidas a petróleo ou gás, ou biodiesel do Brasil com certificação ecológica ? haverá poluição lógico, mas bem menos perigo!! Alguem se lembra de Chernobyl? Ou então melhor ainda, usinas de energia solar, no Irã assim como no Brasil tem muito sol, muito petróleo, muuuuuuuuuuuuuita energia portanto, e melhor: a energia solar não polui o ar, os mares, que tal? Na verdade eu acho que o maior problema do Irã não é energético, mas sim o mostrado nas últimas eleições lá. Mas talvez seja melhor mesmo botar um pouco de pau brasil ( Caesalpinia echinata) na fogueira, só para aquecer o mercado do Urânio brasileiro na roda das bombas e usinas atômicas do clube dos países ricos, bem armados e poluidores que formam o G8. E se eles podem produzir lixo atômico e envenenar o mundo, porque não nóis né?

09 Julho 2009

Revolução na Academia Brasileira de Letras Tortas e Secretas do Senado: Sarney é velho imortal, ou imoral?

Ele ocupa um lugar podreroso no governo, dos mais altos níveis de influência na politica e lugar de destaque também na literatura brasileira: Sir ney, não é piada, ou é?

Fora sarney do trono, fora "o" imortal.

Fora collor.

Meu deus em que ano estamos mesmo?

21 Junho 2009

gruta que grita

os olhos da mina
gemas magníficas
alma gêmea mineral
gemendo meu corpo petrifica
(yuri)

15 Junho 2009

MP 458, o ataque dos gafanhotos de Brasília

corrente recebida pela internet
Quarta-feira passada o Senado brasileiro passou a Medida Provisória (MP) 458 que regulariza terras ocupadas de forma ilegal na Amazônia. Isso significa que 67 milhões de acres de terra da Amazônia que são hoje um patrimônio da União estimado em 70 bilhões de reais (na verdade esse valor é incalculável), serão privatizados. A maior parte destas terras irão parar nas mãos de grileiros, os grandes responsáveis por violentas disputas por terra e pelo desmatamento da Amazônia. O governo brasilieiro está deixando entender que aqueles que ocupam a Amazônia de forma ilegal e violenta serão recompensados. O projeto de regularização da Amazônia não começou mal - a idéia era proteger pequenos agricultores que precisavam do título legal de suas terras. Porém, ele acabou sendo corrompido pelos interesses do poderoso agronegócio, que incluíram três provisões perigosas que concedem a eles a maior parte das terras beneficiada pelo programa. Nós só temos até esta quarta-feira para pedir para o Presidente Lula vetar estes pontos da MP, garantindo assim a proteção da Amazônia. Somente uma mobilização coordenada e massiva de pessoas de todos os estados brasileiros poderá convencer o Presidente Lula a vetar os pontos perigosos da MP. Só dependemos de um pequeno esforço de cada um de nós – ligue para o gabinete do Presidente Lula agora mesmo e diga para ele: 1. Nós não queremos que grandes empresas se beneficiem da MP 458 pois são elas as responsáveis por grande parte do desmatamento e queimadas da Amazônia, e consequentemente pelas nossas emissões de carbono2. Nós queremos que o Presidente diferencie pequenos agricultores de grandes proprietários, portanto pedimos uma mudança em três pontos da MP: Vetar os incisos II e IV do artigo 2º que permite a “ocupação e exploração indireta”. O veto garantirá que apenas as pessoas que moram na terra tenham direito ao título legal. Vetar artigo 7º que permite título à empresas privadas. Somente pessoas físicas devem ter o direito de regularizar suas terras. Proibir a comercialização das terras por 10 anos após a regulamentação (ao invés de 3 anos como foi proposto) para evitar a especulação comercial das terras. Gabinete do Presidente: (61) 3411.1200 (61) 3411.1201Nos próximos dois dias uma grande parte da Amazônia será privatizada, dando início a um perigoso e irreversível processo de desmatamento. Enquanto o mundo todo aumenta as suas preocupações ambientais, buscando uma economia livre de carbono e um maior respeito pelos nossos recursos naturais, nós não podemos deixar que o nosso governo venda a Amazônia.
Acontece que os índios já haviam descoberto as "Índias". O secretário do governo inglês disse querer internacionalizar a Amazônia, privatizar a floresta, junto com outras potências, para protegê-la . Acontece que antes do Tratado de Tordesilhas, Colombo, Cabral e Cia., índios de várias tribos já haviam descoberto o caminho das "Indias" e preservaram a natureza toda muito bem até que um dia... A história é bem conhecida. Recentemente alguém teve uma idéia, nem tão original, já antecipada pelo Raul Seixas nos anos oitenta: "a solução é alugar o Brasil". ou se quiser também pode comprar (estrangeiro, brasileiro... laranja ou não) ou grilar... e o senado aprova...talvez o presidente até sancione essa MP dos gafanhotos de gravata que vai privatizar a amazônia, já tão detonada Essa MP é absurda, pois os posseiros pequenos agricultores são uma minoria a ser beneficiada por essa doação das terras da união na floresta. Pedaços gigantes da Amazônia, de graça, para os grileiros, grandes pecuaristas e lideres da bancada do agronegócio, desmatadores cupinchas dos elaboradores dessa afronta à pátria, palavra maldita, que tem sido a desculpa para várias atrocidades. Sou contra as fronteiras, mas faço parte do povo do Brasil, que tem sim o dever de cuidar do seu patrimônio e natureza. Vi outro dia anúncio de uma fazenda a venda: milhares de alqueires, vizinha da aldeia das índias da foto(tirei a foto). Muitos estrangeiros com certeza tem boas intenções e fazem muita coisa boa pela floresta e seus habitantes. Muito mais que órgãos do Brasil as vezes. Existem organizações estrangeiras sérias que arrecadam dinheiro e doam pros índios se estes se comprometerem a não se vender para as madeireiras e garimpos. madeireiras e mineradoras que corrompem os índios e que oferecem um carro velho e noitada no puteiro, bugigangas para algum cacique, de alguma aldeia remota, ou de um palacete ou congresso em Brasília, que seja tão corrupto quanto essa peste de gafanhotos dizimadora da vida em seu berço maior na terra, em troca de riquezas: água, remédios, madeira, frutos...e também: diamante, ouro, bauxita, etc. - quer comprar, ou invadir ? Estamos cansados de ver caminhões e mais caminhões de toras passarem na frente da fiscalização, de ver no google earth, nas imagens por satélite da internet, que não resta mais quase nada de floresta no Mato Grosso, em Rondônia etc. Talvez o invasor, vendedor, comprador queime a floresta pra fazer pasto ou então derrube a madeira nobre para servir de chão e mobília de luxo nas mansões mundo afora e plante soja para exportar e alimentar o gado americano e europeu como tem sido feito. Vamos plantar soja na Amazônia e criar acém, mocotó, picanha e farinha de osso lá na floresta mais rica do mundo, eita negócio bão. Em Araçatuba, "terra do boi gordo" convivi na adolescência com alguns filhos de latifundiários na escola. Um dia no colégio ouvi uma história de arrepiar de um colega sobre "como os jagunços a serviço da fazenda davam um "jeito" nos posseiros e índios: carne seca envenenada deixada no mato "de presente" ou então o velho e conhecido "chumbo grosso", esse colega contava isso e daaaava risada. 0 comentários

07 Junho 2009

Sarau para Maria Tereza

Para ler o convite clique na foto acima
Esse sarau vai ser bonito.
toda renda com a venda dos livros
bebidas e objetos de arte será encaminhada para a Maria Tereza
terça-feira 09/06/09 às 20:30 no Mais Diferenças
rua João Moura 1453, perto da avenida Paulo VI (continuação da av sumaré)

06 Junho 2009

Crisálida BrabuletaCrisálida Brabuleta
uma hora é lagarta
outra hora é borboleta
crisálida brabuleta
crisálida brabuleta
uma hora é vaca mansa
outra boi da cara preta
uma hora vem de banda
outra vem de pirueta
Crisálida BrabuletaCrisálida Brabuleta
ladainha de capoeira angola, parceria minha e de Bernardo Pellegrini

04 Junho 2009

vem tirar o sapato e dançar no meio desse mato,
vamos dar uns
nós uns nos outros
pois momentos de liberdade
são muito poucos

30 Maio 2009

no bolso andar de macaco e suspiros da vovó
pensa no que pensa e caminha onde pedir o caminho
olhando o vazio
baba roxa no canto da boca
na época de amoras
seus cílios parecem no cio
seguram a onda sem deixar a tristeza passar
vou cheirar a flor no vale
morder as folhas suadas de orvalho

29 Maio 2009

formigas frenéticas no metrô
são como minhocas
embaixo da nossa oca
elas tiram uma soneca
nos subterâneos dos seus lares
fiz o texto depois de ler paralelos de carol ribeiro http://www.haicainaoca.blogspot.com/

18 Maio 2009

palavras certas

necessárias
nem sempre
precisas

Nada além

Este texto é inspirado em um papo com meu amigo Jair e nos textos do meu amigo Hector e na peça em que atuei em 1996/1997 na companhia Nova Dança: Lembranças na Queda, criação do Gil Grossi e Adriana Grechi, Tica Lemos, Lu Favoreto, Georgia Lengos, a direção de ator foi da Cristiane Paoli- Quito e da Adriana.
Sinto o sol em mim
Esquentando, dando vida
Esquentando minhas idéias, clareando pensamentos,
me acordando
Sou uma partícula atômica do todo
Do deus, da deusa
Me livrei de pena, preconceito, vergonha, medo, mau olhado
complexo, ira, doença, desprezo, cabaço, mal humor, futilidade
sadismo e masoquismo, falta de confiança e dureza no coração
Nós que estamos aqui na Terra: terrar todos terram
O meu karma sou eu mesmo
Dharma é o que cultivo:
Tocar o divino em outras dimensões

Viver o divino aqui na Terra

Ou outros corpos Celestiais
Você quer dançar comigo?
Na Terra, no Ar
Na Terra, no Amar

03 Maio 2009

sobremesa da virada rumba´n roll

lá no parque tem um piquenique e tem um cara tendo um piripaque
é lá que o sol não tem dó é lá que o som dá ré no mi, onde o fá cai em si fazendo sombra no samba

18 Abril 2009

O Cultivo de Água e o Sr. Zephaniah Phiri Maseko do Zimbábue

http://proxied.changemakers.net/journal/00march/zaidman.cfm Tem também este outro texto que achei na internet: Enquanto viajava pela parte sul da África neste verão , (1995), ouvi falar de um homem que cultivava a Água....
... O ônibus adentrou vagarosamente a campina seca e parou no lugarejo rural de Zvishavane... No jipe atravessamos a solavancos as estradas de terra erodidas rumo a sua propriedade, enquanto Sr. Phiri falava, ria, e gesticulava, contando infindaveis analogias e historias poeticas. A melhor historia de todas foi a dele. Em 1964 foi dispensado do seu emprego na ferrovia por estar politicamente ativo contra o governo branco rhodesiano. O governo alertou que nunca mais trabalharia em nenhuma funcão. (o Sr. Phiri foi preso e torturado por sua luta contra o Apartheid da época) Tendo que sustentar uma familia de oito, Sr. Phiri recorreu as duas coisas que tinha: uma propriedade familiar de 3 hectares, e a Biblia. Ele nao usa a Biblia somente como guia espiritual -- usa como manual de jardinagem. Aa ler a Genese, viu que tudo que Adao e Eva precisavam era suprido pelo jardim de Eden. " Assim", pensou Mr. Phiri, "preciso criar meu proprio Jardim de Eden". Mas Sr. Phiri se deu conta que Adao e Eva tinha os rios Tigres e Euphrates na sua regiao. Nao tinha nem sequer um riacho intermitente. "Entao," pensou Sr. Phiri, "preciso tambem criar meus proprios rios. " Ele fez ambos.A sua propriedade se localiza nas encostas de uma colina, frente ao norte-nordeste. No topo da colina se encontra um afloramento grande de granito do qual a água das enxurradas escorre livremente. A precipitação anual media eh de 570 mm ( um pouco acima de 22 polegadas), mas como Sr. Phiri, aponta, isso é uma media baseada em extremos. Muitos anos são de seca, quando a terra tem sorte se recebe 12 polegadas ( 270 mm) de chuva. No começo era muito difícil que as culturas se desenvolvessem, muito menos lucrar delas, devido às secas freqüentes e falta total de equipamento ou capital para irrigar a partir do lençol freático. Ele dedicou tempo observando o que acontecia quando de fato chovia. Em pequenas depressões e no lado superior das rochas e das plantas, a umidade do solo durava mais do que em áreas onde a água escoava livremente. Assim começou a auto-educacao e o trabalho de coleta de água de chuva . Ao longo de 30 anos Sr. Phiri criou um sistema sustentável que preenche todas as suas necessidades em água unicamente da chuva.
"Você tem que começar a captação no alto, e sarar as voçorocas jovens antes das velhas e profundas rio abaixo," diz Sr. Phiri. Começando no topo da divisória de águas ele construiu muros de pedra seca aleatoriamente mas nas linhas de contorno. Tendo funções similares aos gabioes [cestas quadradas de arame preenchidas de rochas utilizadas para captar água e sedimentos em grandes voçorocas, nota da tradutora] , estes muros diminuem a velocidade do fluxo de água de tempestades , esta atravessando lentamente os espaços entre as pedras. Assim amansa-se o fluxo de água saindo da redoma do afloramento de granito , direcionando-a para reservatórios permeáveis, que, como tudo na propriedade, foram construídas com ferramentas de mão e o suor de Sr. Phiri e suas duas esposas. O maior dos dois reservatórios ele chama do seu centro de imigração. "Eh aqui que dou as boas-vindas para a água em minha propriedade e depois a direciono para onde residira no solo" , ele explica, rindo. "O solo," explica, "é como uma lata. A lata precisa segurar toda a água. Voçorocas e erosão são como buracos na lata que permitem que a água e a matéria orgânica escapem. Estes precisam ser tampados." O " centro de imigração" de Sr. Phiri serve também de medidor de chuva, porque sabe que se encher três vezes durante uma estação, infiltrou chuva suficiente ate o lençol freático para durar dois anos. O reservatório menor direciona a água via uma manilha para uma cisterna livre de ferrocimento que alimenta o quintal durante as secas. Tem outra cisterna de ferrocimento, sombreada por um pe de maracujá luxuriante, que capta a água do telhado. Alem destas duas cisternas , todas as estruturas de captação de água na propriedade visam infiltrar a água no solo o mais rápido possível. Perto da casa ha uma pia externa onde as águas servidas escoam para uma cisterna subterrânea , forrada de pedras secas, onde a água rapidamente infiltra. Do topo da divisória de águas ate o fundo existem varias estruturas para a captação de água como represas de retenção, gabioes, terraços, valas de infiltração ( "swales"), e "covas de fruição". O governo colocou valas de escoamento na região toda muitos anos atrás, mas estas foram feitas fora das linhas de contorno para acabar com a erosão em laminas, levando a água das tempestades para um dreno central. O problema de erosão resolveu-se, mas as terras acabaram sendo roubadas da sua água. Assim, Sr. Phiri cavou grandes "covas de fruição" 10X 6X 4 pés no fundo de todas as suas valas. Quando chove, a água enche a primeira cova e o excedente enche o seguinte , continuando assim ate os limites da propriedade. Muito depois o fim da chuva, a água continua nas covas, infiltrada no solo. Em volta das covas capins grosseiros são cultivados para controle de erosão, para cobertura das casas, e venda. Muitas arvores de fruta vigorosas foram plantadas por Sr. Phiri ao longo dessas valas para fornecer alimentos, sombra, e quebra-ventos. São alimentadas estritamente pelas chuvas e o lençol freático, que vai se aproximando a superfície. Como Mr. Phiri explica: "Cavo valas e covas de fruição para plantar a água para que possa germinar em outro lugar." " Ensinei o meu sistema as arvores,"continua. "Elas entendem-no e aa minha linguagem. As coloco aqui e digo 'Olha, a água esta aqui. Vão a procura." Nenhuma bacia nem divisória para segurar ou negar a água é colocada em volta delas; as raízes são encorajadas a se esticarem e encontrar a água. Uma mistura diversa de culturas nao-hibridas como abóbora, milho, pimenta, berinjela, taboa para cestas, tomate, alface, espinafre, ervilha, alho, feijão, maracujá, manga, goiaba, e mamão, juntamente com arvores nativas como matobve, muchakata, munyii, e mutamba são plantadas entre as valas. Esta diversidade oferece segurança alimentar porque na falha de alguma cultura devido a seca, doença, ou praga, outras sobreviverão. A utilização de culturas nao-hibridas garante que Mr. Phiri possa colecionar, selecionar, e utilizar as suas próprias sementes de um ano para outro. Há uma abundância de plantas fixadoras de nitrogênio. Guandu é um exemplo, e serve também para forragem e cobertura morta. Sr. Phiri percebeu que solos fertilizados quimicamente não infiltram nem seguram água muito bem. Como diz: "Você aplica o fertilizante um ano, e não no ano seguinte, as plantas morrem. Você aplica esterco e plantas fixadoras d e nitrogênio uma vez, e as plantas continuam a prosperar vários anos em seguida. Solo fertilizado quimicamente é amargo."
Os alimentos e as frutas que Mr. Phiri produz estão longe de serem amargos. Ele tem sido generoso na sua abundancia, dando mudas de arvores para quem quisesse. Infelizmente, como ele mesmo aponta, a maioria das arvores que ele doa morrem se não foram implementadas as técnicas de coleta de água a ntes do plantio. Ele propaga as arvores em sacos velhos de arroz e grãos perto de um dos poços a céu aberto no fundo da propriedade. Ele descreve os poços com outra analogia: "A água é como o sangue -- é sempre atraída à ferida. As voçorocas são feridas. O sangue vai ate a ferida para saná-la. Se faz com gabioes e valas de nfiltracao onde a voçoroca se enche de solo fértil." Com este conhecimento Mr. Phiri cavou três poços no fundo da sua propriedade sabendo que a água coletada no seu terreno infiltraria no solo e achar seu caminho ate as feridas no fundo da propriedade. O solo é sua bacia de captação. Nos tempos da seca, os poços dos vizinhos secam (mesmo aqueles mais profundos do que os dele) mesmo assim os seus poços sempre contem água "dentro da qual posso mergulhar meus dedos", porque ele repõe de longe mais água dentro do seu solo. Com a exceção de um poço que é forrado e munido de uma bomba manual para água de uso domestico, os outros são forrados com pedras secas. "Estes poços" ele explica, "são aqueles do homem generoso. A água vem e vai como quiser, porque , como você vê, no meu terreno ela se encontra em todo lugar." Em tempos de seca severa, Sr. Phiri tira água destes poços para irrigar culturas anuais nos campos vizinhos. Ele utiliza uma bomba conhecida como Shaduf Egipcio, que não passa de uma bomba manual que utiliza um pneu velho de trator para bombear a água. Uma manivela abre e fecha a bexiga (o pneu) como um acordeão, criando a sucção necessária. Um brejo natural luxuriante se encontra abaixo dos poços no ponto mais baixo da propriedade. Aqui Sr. Phiri pratica aqüicultura em três reservatórios. Conforme os dois menores vão secando, os peixes são coletados ou realocados ao grande. É aqui onde Sr. Phiri instalou uma plantação densa de bananeiras! Terras secas de todo lado, mas na sua propriedade uma floresta de bananeiras! Cana de açúcar, taboa, e capins como capim elefante também são plantadas nos embancamentos para segurar o solo. O gado se beneficia desta vegetação densa, plantadas para filtrar a água antes que entre no reservatório. Esta forragem nobre é reservada para as vacas prenhas. No começo Sr. Phiri era obrigado a aparecer diante do tribunal três vezes por violação das leis que proíbem cultivação nos brejos. Estas eram leis dos tempos coloniais. Finalmente, na terceira audiência, ele conseguiu convencer o juiz a visitar a sua propriedade. Ao ver o trabalho feito, o juiz arquivou a denuncia na hora. Dentro do solo desta propriedade jazem os rios Tigirs e Euphrates; os reservatórios são onde vem à superfície. O ciclo do Jardim de Éden de Sr. .Phiri, que começa a ser percebido depois de 30 anos de obscuridao e as vezes desprezo, continua a crescer. Das ultimas três décadas ele diz: "Claro, é um processo lento, mas é a VIDA. Lentamente implemente os projetos, e conforme a sua vida comece a rimar com a Natureza, logo outras vidas começam a rimar com a sua." Ele, em conjunto com a ONG que criou, O Projeto Zvishavane de Recursos Hídricos "( Zvishane Water Resources Project), espalham suas técnicas. Ele influenciou CARE Internacional na sua região ao ponto de, em vez de distribuir alimentos, eles agora implementam os seus métodos para que as pessoas possam plantar seus próprios alimentos. Ele tem visitado escolas onde os professores estavam em greve devido à falta de água e às condições difíceis em salas de aula empoeiradas e sacudidas pelos ventos. Ele ensinou os professores e estudantes como colher a água da chuva, e juntos transformaram as escolas em jardins luxuriantes, eliminando o motivo de greve. "Lembre que as crianças são as nossas flores, "diz Sr. Phiri, "de-lhes água que crescerão e florescerão." O projeto de Mr. Phiri trabalha localmente ( uma grande razão pelo sucesso)... por Brad Lancaster, tirado da internet. Nota: o senhor Phiri faleceu há alguns anos.

17 Abril 2009

Vale das Cavernas

Eu e Angelo no Canion do rio Bethary.

Sim eu já fui cabeludo / fiz o céu da foto no photoshop, na foto original é de dia ainda

16 Abril 2009

Este ano, 63 anos de Lucky Luke

Lucky Luke um dos meus quadrinhos preferidos, de Maurice de Bevere, conhecido como Morris. http://en.wikipedia.org/wiki/Lucky_Luke . Morris teve uma grande parceria, que durou décadas, com René Goscinny. As histórias são baseadas em sua maioria em fatos verídicos e figuras lendárias do velho oeste. Muito bom.
O Goscinny é também o criador de Asterix com seu outro parceiro, desenhista fabuloso: Uderzo.

13 Abril 2009

Ham-let, reinauguração do Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona em 1993, direção de Zé Celso Martinez Correia

Para ler a matéria clique na foto para ampliar, Folha de São Paulo, 11 de novembro de 1993,
Para ler a matéria clique na foto para ampliar, Folha de São Paulo, 10/10/1993

Poucos meses após minha chegada em Sampa io-eu de Contra-regra, Yo-rik, recebendo o público de Ham-let, Teatro Oficina 1993 /1994

Eu vejo surgir teus poetas de campos, espaços Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva...

para ler a matéria clique na foto para ampliar, Folha de São Paulo, 1 de outubro de 1993
Yuri de V. Sampaio estréia no Teatro Oficina como ator e contra-regra, produtor de objetos de cena na peça Hamlet, na montagem do Zé Celso. Essa época foi horrível para mim e minha família toda pois meu irmão ficou doente e faleceu na semana antes da estréia de Ham-let, justamente essa peça que trata vida e morte tão profundamente e onde praticamente todas as personagens morrem no final. Por outro lado as pessoas bacanas que faziam parte do trabalho e a propria peça que me ocupava ao menos 14 horas nos dias de apresentação me faziam muito bem, o que era ótimo para o corpo e a cabeça, principalmente a cabeça do yorik, o personagem bobo da corte que eu fiz uma época no espetáculo, o primeiro a morrer no prólogo, a caveira, objeto de cena de isopor que Hamlet encontra posteriormente na peça. Ham-let terminava com uma ciranda do Surubim: a minha tribo quando entra na aldeia , índio não faz cara feia , não deixa a flecha cair... Tupi Tupi, or not Tupi.

12 Abril 2009

Floresta em imagens por yuri

Com quantos paus se faz uma canoa?

11 Abril 2009

poemúsica da casa da Bete no vale verde (criação coletiva de Yuri, Elisabete, Rodrigo e Maurício

saia do meu sol

alexandre magno

deixe-me na minha barrica

ou lhe mando um raio

desferido de meus poderes espaciais

eu sou o primeiro cínico da terra

o primeiro signo

o primeiro cigano swingando, meu nome é diógenes

eu vim de longe, de onde a gente vive o hoje

lambo aos que dão, ladro aos que não

tenho vida de cão e mordo os maus

meu nome é diógenes, eu vim de longe... de onde a gente vive o hoje

barba de milho

sabugo pelado

roça de outono

teu funk gruda na traseira do meu dia seguinte eu mordo e não largo

minhocas performáticas no cérebro informático

minha cabeça um scanner, vitrola enguiçada cheia de nostalgia conecta cortinas indo e vendo

vevindo e aprendonde com a lingua libidinosa abrir a mente e as pernas em gotas sonoras

foi com a grana do algodão que eu fugi do Alabama minha glândula paranormal deixa o arrepio melhorar

pétalas pisadas na areia monazítica

mil cortizonas

assim é a life

pôr do sol em angra dançando tango de tanga o barquinho vai o barquinho vem sem ninguém

08 Abril 2009

Epigramas feitos por Yuri

Muito junto
Seu pântano
Meu junco
tudo se reduz
quando a grana é alta
mas é pouca a luz
Vida escorregadia,
te vejo de noite,
te esqueço de dia

07 Abril 2009

www.epigrafias.blogspot.com

do livro Epigrafias do meu amigo Maurício Arruda Mendonça, poeta dos mais requintados

O coração; caverna. A alma; lodo. A mente;

armadilha inefável

foto por yuri de v. sampaio

03 Abril 2009

foto by Yuri

Serra do Mar / Een top van het Gebergte van de Zee in Brazilië

foto by Mimi

02 Abril 2009

CD Festa do Nascimento

design by Yuri
foto by Mônica Cortês
Um dos últimos trabalhos meus :
A edição do encarte do cd do Jeff Izaki com as crianças Alquimia
com a participação de feras como
Elba Ramalho, Letícia Sabatella, Chiris Gomes e Renato Braz,
meu amigo Jeff é autor de todas as músicas.
As fotos utilizadas na capa são de bonecos de lã das figuras como o burrinho, Maria e os
anjos do conto de natal que inspirou as músicas.
O CD Festa do Nascimento é
encontrado em lojas como a Livraria da Vila em São Paulo.

01 Abril 2009

do blog do meu amigo Tarcísio

Pimeiro de abril de 2009 CURTO E GROSSO PODRES PODERES Vi na televisão uma reportagem sobre sem-teto nos Estados Unidos, sobretudo mães solteiras com seus filhos. A grande maioria constituída de pessoas desalojadas de suas casas porque não puderam pagar aos bancos a hipoteca. Amanhã, com grande alvoroço da imprensa, reúnem-se em Londres os dirigentes dos países do G-20 para discutir novas medidas contra a crise. Certamente mais dinheiro para os bancos a fim de cobrirem o rombo causado pela irresponsabilidade e possam manter fechadas as casas recebidas como garantia até que seja possível vendê-las com lucro. É um sistema que se parece muito com o Reino da Dinamarca de Hamlet. Há algo de podre lá dentro. PS: Em Haia realizaram ontem uma conferência internacional com pompa e circunstância sobre o Afeganistão. O anarco.net resume como foi. EM HAIA: blá,blá, blá,blá, blá,blá, blá,blá, blá,blá, blá,blá, blá,blá, blá,blá, blá,blá, blá,blá, blá,blá. NO AFEGANISTÃO: bum, bum, bum, bum, bum, bum, bum, bum, bum, bum, bum, bum, bum, bum, bum.Não temos piadinha de primeiro de abril. Até porque, a maior delas foi feita pelos milicos brasileiros em 1964.

27 Fevereiro 2009

A panela furou

minha vida é uma esfirra aberta de carne

quando tudo acaba em pizza

quem avisa amigo é, já dizia vovô cadmo nas ruas bacantes

acteon dilacerado, ainda tentou abrir os olhos, o caçador virou a caça do rotweiler e da pinter

também ouvi dizer por ahi: diógenes virá de longe de onde se vive o hoje e tem poderes espaciais... ando meio surdo, meio caixa, meu bumbo bebum citando os tantans: pega na minha baqueta uuuuuuuuuu ááááááááááá

vejo idéias, sonhos e vidas de todas as espécies sendo roubadas. mas isso não é comigo. ou é? não acredito na justiça nem na vingança. uma amiga disse: a segunda é o princípio da primeira. acho que pode ser também o contrário! no fundo do mar tem dinheiro.

16 Fevereiro 2009

Vinheta do blog Deixa que eu conto

ERA UMA VEZ UM LEÃO VAIDOSO BATEU UM VENTO, FICOU HORROROSO.

19 Dezembro 2008

ERA UMA VEZ UM ELEFANTE DELICADO, LEVOU UMA BRONCA, FICOU EMBURRADO
(vinheta do blog deixa que eu conto da minha amiga querida Tânia Antunes)

poema hematoma

madrugada fria
um sorriso pugilista
me derruba na calçada

07 Dezembro 2008

vitória no espirito santo

O juri deu o prêmio para dois filmes, por considerar ambos muito importantes, na premiação do Melhor Documentário em Vídeo do 15º Vitória Cine Vídeo: A tal guerreira, de Marcelo Caetano e Terrorista, de César Meneghetti, filme no qual , além de ter vivido a história contada de perto, fiz câmera S8, pesquisa e tratamento de arquivos, fotos. Também participei como assistente de direção. www.vitoriacinevideo.com.br

29 Novembro 2008

um poema de alguém

navego tranqüilo pelo mar infindo
das espumas da praia emergem sentimentos escafandristas
o sol brilha bonito e aquece meu lençol na areia
uma tartaruga apareceu e eu dei tchauzim
fiquei parado sorrindo numas
depois eu encontrei com uma sereia
em uma ilha escondida

17 Setembro 2008

14 Setembro 2008

07 Maio 2008

Raposa Felpuda

Do ótimo blog www.anarco.net : O governador de Roraima, José de Anchieta, disse que os índios da reserva Raposa Terra do Sol são terroristas. O governador estava defendendo seu aliado, o líder dos arrozeiros Paulo César Quartiero, prefeito de Pacaraima, que mandou capangas encapuzados balear dez índios quando tentavam reaver terras usurpadas pelo fazendeiro. Ontem, o arrozeiro, seu filho e mais nove capangas foram presos pela Polícia Federal acusados de tentativa de homicídio, formação de quadrilha e porte de artefato explosivo. É isso aí, terrorismo de rico vira defesa da propriedade usurpada. ...continua...

26 Abril 2008

Hoje na Virada Cultural tem Walkiriana (uma tragicomédia em 4 regências) no Centro Cultural São Paulo, estação Vergueiro de metrô, sala Paulo Emílio, 21:00 horas

19 Abril 2008

Apicultores gaúchos e catarinenses relatam desaparecimento de abelhas em níveis inéditos. Alguns produtores registram perdas de 25% na produção de mel. Pesquisador diz que uma das causas do fenômeno pode ser a influência de lavouras transgênicas. As primeiras notícias sobre o fenômeno do desaparecimento das abelhas foram recebidas como uma espécie de enredo de um novo filme de ficção científica. Mas o problema tornou-se muito real. Nos Estados Unidos recebeu o nome de Colony Collapse Disorder (Desordem e Colapso da Colônia). Agora, o problema foi detectado também no Brasil, particularmente em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.Matéria publicada no jornal Diário Catarinense, de Florianópolis, afirma que o desaparecimento das abelhas já é motivo de grande preocupação entre apicultores dos dois Estados. E o desaparecimento vem acompanhado de outro problema: as abelhas que permanecem nas colméias estão morrendo infectadas por diversas doenças. Em depoimento ao jornal, o apicultor e pesquisador Leandro Simões, de Campo Alegre, diz que nunca viu algo parecido em 35 anos de profissão.O fenômeno pode causar graves desequilíbrios ambientais, uma vez que as abelhas são responsáveis por mais de 90% da polinização e, de forma direta ou indireta, por 65% dos alimentos consumidos pelos seres humanos. Alguns produtores já registram perdas de 25% na produção de mel.Segundo Jair Barbosa Júnior, do Instituto de Estudos Socioeconômicos, com sede em Brasília, uma das possíveis causas do fenômeno pode ser a influência de lavouras transgênicas. No Brasil, lembrou Barbosa, não há estudos aprofundados sobre o impacto dos transgênicos no ecossistema. Outra possível causa apontada pelo pesquisador é o aquecimento global. O sistema de orientação das abelhas funciona por meio dos olhos. As abelhas dependem da luz solar para encontrar o caminho de volta para as colméias. O aumento da incidência de raios ultravioletas poderia, assim, ser uma das causas do fenômeno. Essa possível causa não explica, porém, o que está atingindo o sistema imunológico dos animais.A advertência de EinsteinO físico Albert Einstein disse que se as abelhas desaparecessem, a humanidade seguiria o mesmo rumo em um período de 4 anos. A razão é muito simples: sem abelhas não há polinização, e sem polinização não há alimentos. O desaparecimento das abelhas começou a ser tema na mídia em 2006, nos EUA e no Canadá, quando criadores que alugam enxames para agricultores começaram a relatar o desaparecimento destes animais em níveis muito elevados. Em várias regiões destes dois países, apicultores chegaram a perder 90% de suas colméias. O biólogo norte-americano Edward Wilson, chamou o fenômeno de “o Katrina da entomologia”, numa referência ao furacão que arrasou Nova Orleans, nos EUA.Na Califórnia, entre 30% e 60% das abelhas desapareceram. Em algumas regiões da costa leste dos EUA e do Texas, esse índice chegou a 70%. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), o fenômeno foi registrado em 42 estados norte-americanos e duas províncias canadenses. A redução das colônias de abelhas no país vem ocorrendo, pelo menos, desde 1980. De acordo com dados do USDA, o número de colméias hoje nos EUA (2,4 milhões) é 25% do que aquele que existia em 1980. Já segundo a Associação de Apicultura Americana, o desaparecimento das abelhas atingiu 30 estados dos EUA. A morte repentina de abelhas também já foi registrada em países como Alemanha, Suíça, Espanha, Portugal, Itália e Grécia. Manfred Hederer, presidente da Associação Alemã de Apicultores, relatou uma queda de 25% nas populações de abelhas por toda o país.Transgênicos entre os suspeitosEntre as possíveis causas do fenômeno, são citadas a radiação de telefones celulares, o uso indiscriminado de herbicidas e o uso de transgênicos, em especial os do milho Bt (com gene resistente a insetos; contém pedaços do DNA da bactéria Bacillus thuringiensis).Diversos países proibiram, recentemente, variedades transgênicas do tipo Bt, o segundo transgênico mais plantado hoje no mundo (fica atrás apenas da soja). O governo peruano proibiu a variedade da batatinha transgênica Bt, em razão do país ser o centro de origem e biodiversidade desta cultura. O México proibiu totalmente o plantio ou consumo do milho Bt pelas mesmas razões. O governo da Grécia tomou a mesma decisão, estendendo a proibição a 20 variedades do milho Bt, por risco de ameaça à espécie humana, à vida silvestre e à indústria de criação de abelhas. O Brasil, por sua vez, vem aprovando a liberação de transgênicos Bt.Outra hipótese levantada relaciona o problema à radiação dos telefones celulares. O jornal inglês The Independent publicou matéria a respeito, afirmando que a radiação dos celulares poderia estar interferindo no sistema de navegação das abelhas, provocando a desorientação das mesmas, que, assim, não conseguiriam mais voltar para suas colméias. Além disso, citou pesquisas alemãs que apontaram mudanças de comportamento das abelhas nas proximidades de linhas de transmissão de alta tensão. Ainda não foi encontrada nenhuma prova sobre a real causa do problema. A possibilidade de uma praga causada por algum produto químico é questionada pelo fato de que não são encontrados restos mortais das abelhas em grande número. Quando uma colônia é afetada por algum microorganismo, há muitos insetos mortos em torno delas. Nos casos relatados nos EUA e em outros países, as abelhas simplesmente estão desaparecendo. Alguns cientistas, por outro lado, minimizam o problema. O professor emérito de entomologia da Oregon State University, Michael Burgett, disse ao jornal The New York Times que as grandes baixas em abelhas em algumas regiões poderiam simplesmente ser um reflexo de picos populacionais superiores à taxa normal de mortalidade em décadas recentes. Segundo ele, no final dos anos 70 houve um fenômeno similar a este, que, na época, foi chamado de “doença do desaparecimento”. Não foi encontrada uma causa específica para o desaparecimento.Mas não se trata de uma simples repetição. A novidade é que, desta vez, o problema está aparecendo ao mesmo tempo em várias regiões do planeta, inclusive no Brasil.Marco
Aurélio Weisheimer - Carta Maior

05 Abril 2008

filhote da bomba

Em Hiroshima (e em Nagasaki também) a bomba caiu...
caiu em cima da população civil
(Jorge Mautner)
FILHOTE DA BOMBA FAZ ANIVERSÁRIO (do ótimo site anarquista anarco.net) A OTAN e sua távola redonda de guerra e agressãoA OTAN – Organização do Tratado do Atlântico Norte –, reunida com pompa e circunstância no Palácio do Ceausescu em Bucareste, completa neste 4 de abril 59 anos de existência. A OTAN é filhote da bomba atômica, tanto é assim que lá estava, no ato solene de sua instalação em 1947, o responsável pelo extermínio em massa em Hiroxima e Nagashaki, Henry Truman.

18 Março 2008

trailer do filme terrorista

Eis o trailer do documentário sobre histórias das últimas ditaduras no Brasil e Chile contadas por Percy. O filme chama-se Terrorista... Um trabalho que eu gostei muito de fazer. http://www.youtube.com/watch?v=Jnx3V2ESFCo

14 Março 2008

Sagração

Belo Espetáculo de histórias, canções, sonhos e símbolos que nos fazem reencontrar a alma feminina.
Últimas apresentações em Londrina, de graça, na Usina Cultural, até domingo dia 16 de março. Imperdível

15 Fevereiro 2008

civilização do lixo

Vi na tv: uma pesquisa descobriu que em grande parte dos Oceanos a quantidade de partículas de plástico flutuando já ultrapassa a de Plancton (animais e plantas marinhas microscópicas , base da cadeia alimentar). As partículas de plástico em decomposição flutuando no mar confundem peixes, aves, tartarugas que acabam ingerindo plástico pensando que é plancton e acabam morrendo. Sou um animal em extinção também, devido a destruição do meu habitat pela minha própria espécie. Pode demorar alguns anos. Mas não vou esperar sentado. Antes vou consumir bastante! Poluir muito ainda! Na verdade sempre que posso procuro reusar ao maximo embalagens e matérias primas e depois recilar o lixo. Só não sei ainda quanto ao destino certo dos meus dejetos do esgoto, se são tratados ou se eu também sou um dos ignorantes (urbanóide ou não) que jogam a própria bosta na água sem tratamento no que um dia já foi um rio. Muita gente acaba bebendo indiretamente o esgoto dos outros e o seu mesmo. recicladão! É a civilização trazendo o progresso.

11 Fevereiro 2008

11 Janeiro 2008

Dinamite Pura

MPB, rock e jazz de primeira:
Dinamite Pura, cd raridade de bernardo pellegrini e o bando do cão sem dono, Londrina 1993/94, (eu sou suspeito para dizer se é de primeira) Tenho a honra de ter participado como percussionista nos ensaios junto com Candido Lima, Celmo Reis e a maravilhosa Rosalina de Jesus, a Rosa (in memoriam) , Bernardo Pellegrini e Marco Scolari, na gravação do cd entraram mais de 20 instrumentistas e cantoras, cantores, entre eles: Marcos Santos, Edu Batistella, Vitor Gorni, Guto Caminhoto, Gilson Corsaletti, Paulo Wesley, Elaine Godinho, Sidney Giovenazzi, Zé Marcelo, Dona Vilma, Cascão, Padeiro, Mestre Fran, Lurdinha e o saudoso escritor e terapeuta Roberto Freire...Nos shows de rua aparecia Maria Angélica fazendo a Moça da Gamelinha, demais...

17 Dezembro 2007

O rio, o religioso, o presidente, o STF, o senhor africano, os soldados brasileiros, a natureza e a fome

Admiro muito o Sr. Zephaniah P. Maseko, um senhor do Zimbabwe que soube transformar o deserto em terra fértil http://proxied.changemakers.net/journal/00march/zaidman.cfm ... A transposição do rio são fransisco parou! O bispo fazia greve de fome. O povo brasileiro se comoveu com o ato do religioso em defesa do rio. Mandam suspender a obra... Foi como dar uma última esperança a um moribundo ao parar a obra, para logo depois tirá-la, assim como se rouba o doce de uma criancinha. Logo após a interrupção da greve de fome do bispo , o STF manda continuar a transposição do rio São Fransisco... O povo do semi-árido foi por muito tempo, e ainda é, uma das populações mais exploradas e abandonadas do Brasil. eles necessitam de água sim e precisam cultivá-la. o cultivo de água é uma forma inteligente de manejo da terra e da água.Exemplo: captação de água em Cisternas veja http://www.fao.org/docrep/U3160E/u3160e03.htm#1.3.1%20microcatchments%20(rainwater%20harvesting ) tem um link do governo a favor da transposição: www.integracao.gov.br/saofrancisco/ e um contra a transposição; http://www.fundaj.gov.br/docs/tropico/desat/fran.html exemplo de transposição chupado da internet: No mar de aral (exunião soviética,quarto maior mar interior da Terra) as águas eram renovadas pelos rios Amu Daria e Sir Daria. O desvio da água desses dois rios para os projetos de irrigação das plantações de algodão, realizados pelo então governo da União Soviética,secou 90% da água que chegava ao Aral. O resultado foi desastroso: 30 mil km2 secaram e o que era fundo do mar transformou-se em deserto.será que vai acontecer o mesmo no são fransisco, ou essa obra tem fundamento e está baseada em estudos sérios e interesses legítimos? será que os politicos corruptos vão passar por cima de tudo de novo para governar a favor deles mesmo e fazer tudo às pressas e por baixo do pano? a obra de transposição(desvio de parte do rio) moldada nos moldes dos gabinetes de grandes empreiteiras, me parece atender a interesses da especulação de terras, mas não aos pobres agricultores, que vivem na região , na natureza já esgotada pela sêca que "eles" propõem molhar. será que é isso? acredito na ministra marina silva e ela tem o meu apoio, o rio deve ser revitalizado. analistas técnicos apontam a inviabilidade da transposição e massacre do rio. será que vão fazer isso mesmo? o que fazer? o senhor ciro gomes conhece muito bem o cultivo de água e aplicou com sucesso a construção de cisternas no ceará em seu mandato de governador levando água a milhares no sertão com baixo custo, agressão zero ao meio ambiente. O vice-presidente do comitê da Bacia do São Francisco, o professor Luís Carlos Fontes confirma: no São Fransisco já há problemas de assoreamento e desmatamento, desbarrancamento das margens, sêcas do rio que acabaram com a navegação em grandes trechos. ""projeto de revitalização não existe. “Se alguém conhece esse projeto, ele deve ser divulgado, pois até hoje não conhecemos”, disse. “Vamos entrar com um recurso de imediato contra a decisão, mas essa questão não se limita a um problema judicial. É um conflito de uso das águas, uma questão moral e ética. O presidente eleito tem a obrigação de conversar com a sociedade sobre isso”, concluiu."eu já vi muita mentira por ahi, então é preciso saber distinguir e pesquisar. Enquanto isso agricultores ignorantes continuam secando/aterrando as nascentes dos rios do Brasil. Estou contente que o Exército Brasileiro, assim como a Marinha do Brasil, pararam, por algumas horas pelomenos, os trabalhos neste projeto anti-ecológico e baseado em interesses de especulação de terras. Espero que se empenhem mais na construção de cisternas e principalmente: proteger a Amazônia. O Cerrado do Planalto brasileiro também está seriamente ameaçado pelo agro-negócio selvagem. É lá no centro do Brasil, na vegetação do Cerrado, que ficam as nascentes de 70% da água que brota no Brasil, como o São Fransisco, que nasce no Cerrado mineiro. Se continuar neste ritmo logo logo teremos que combater a sêca não no nordeste, mas no centro oeste e na amazônia desertificada. É dever do governo Combater de verdade a catástrofe das secas, desmatamentos, queimadas, grilagens de terra, garimpos ilegais, Enfim peço ao governo e às forças armadas para fazerem seu trabalho melhor: proteger o povo brasileiro e a natureza desta terra que está sendo devastada por ignorância e ganância de brasileiros e estrangeiros.

05 Dezembro 2007

Energia positiva

Na região semi-árida do sul da Espanha estão produzindo energia de modo incrívelmente limpo e barato (vi a notícia na rede Globo). Espelhos dirigem os ráios solares para uma torre onde corre água, que aquecida a 400 graus celsius vira vapor, que roda turbinas, que geram energia elétrica. Pequenos motores cuidam para que os espelhos sigam o movimento do sol no céu. Será possível mover turbinas a vapor com água do mar? Assim se produz sal e energia ao mesmo tempo! Já havia pensado em algo parecido faz um tempo já, uns dez anos, a idéia é fazer o mesmo, mas ao invés de espelhos, usar lentes que concentram os raios. O ideal seria que o vapor que move as turbinas fosse esfriado de modo a reciclar a água utilizada na usina. Quem nunca acendeu um fogo com pequenas lentes de aumento? Até com alguns óculos comuns e fundos de garrafa é possível acender fogo sob o sol, concentrando-se os raios solares com a lente. A enorme jazida de petróleo descoberta na bacia de Santos vai poluir muito ainda o meio ambiente nos próximos anos, e uma idéia simples e eficiente como esta pode evitar grande parte dos desastres ambientais causados pela poluição procedente da manipulação e queima de combustiveis fósseis (petróleo, gás, carvão). A construção destas usinas solares geraria um incrível desenvolvimento no setor ambiental e energético no Brasil. E econômico nas regiões de construção destas usinas, de preferência na região nordeste e áreas degradadas do norte. Milhares de hectares de florestas e comunidades ribeirinhas deixariam de ser inundadas no norte do Brasil para a construção de barragens de usinas hidroelétricas em rios importantes como madeira e da bacia do rio Xingu, usinas hidroelétricas criminosas ambientalmente, cujos projetos já estão em andamento. Ameaçando patrimônios naturais do País. Milhares de toneladas de carvão, gás e petróleo deixariam de ser queimados para mover os sistemas iluminação, produção industrial do Brasil e também transportes: metrô e trens, estes últimos coitados foram sucateados. ( Rezo para que em breve tenhamos carros abastecidos na tomada de casa). Com as usinas de energia solar de espelhos e vapor evita-se grande emissão de poluentes causadores do aquecimento global.

11 Novembro 2007

“Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defende-lo para as presentes e futuras gerações.” (Artigo 225 da Constituição)

26 Setembro 2007

Nestas mal traçadas linhas pelas traças

14 Setembro 2007

Meu pai, meus tios, meu vô e amigos

11 Setembro 2007

TERRORISTA

Chega hoje o filme Terrorista na sua versão final em nossas mãos. Documentário curta metragem do qual tenho o maior prazer e honra de participar. A Direção e o roteiro são de César Meneghetti, a montagem de Willem Dias, produção e fotografia de Ludmilla Ferrola, a música é de Fernando Forni e o assistente de direção, fotógrafo/super-8 é Yuri V. Sampaio, na foto sou o menino no colo, ao lado do querido Alexandre, que Deus o tenha irmão. TERRORISTA é um documentário experimental que relata a história do ex-professor universitário de microbiologia PERCY SAMPAIO CAMARGO , 75, acusado de terrorismo em 1969, e sucessivamente exilado político no Chile e Holanda após o golpe de pinochet. De volta ao Brasil trabalha pela UNESP no Projeto Rondon, se aposenta e vai ser dentista voluntário e formador de agentes indígenas de saúde juntos aos índios Zorós, Araras, Tuparis, Macuraps e Gaviões. Indistinto no meio de outros 20 milhões de aposentados brasileiros, PERCY narra a sua extraordinária história pessoal, que se funde muitas vezes com história oficial do país, numa tentativa de resgatar um fragmento de memória perdida. http://www.filmeterrorista.blogspot.com/)

10 Julho 2007

do livro vermelho de Millôr

do Livro Vermelho dos Pensamentos de Millôr:

O dinheiro não é tudo. E como, por mais rico que o homem seja, não está garantido contra o desastre e o infortunio, contra a doença e contra a morte, foi fácil convencer a maior parte da humanidade (gastando se nisso, é verdade, rios de dinheiro) de que "É mais fácil um camelo passar pelo buraco da agulha do que um rico entrar nos reino dos céus""No juizo final os humildes herdarão a terra", "A riqueza não traz felicidade", etc. Até o dia em que o Millor chegou, olhando a miséria em volta, trazendo como conseqüência o analfabetismo, a sujeira, o ódio e a opressão, e concordou tranqüilamente: "Sim, o dinheiro não é tudo. Tudo é falta de dinheiro".

O Capitalismo não perde por esperar! Em geral ganha 6% ao mês. 1970.
Quando as informações sobre a destruição do meio ambiente pela ganância dos sistemas econômicos vigentes, chegou ao conhecimento do homem médio, este adotou a técnica do avestruz: comprou mais um apartamento e enfiou a cabeça na areia. E passamos a xingar a tecnologia que não sendo má em si mesma é também, ela, uma vítima do sistema, que exige uma produção caótica, um afã de superação, uma ânsia doentia de status e o pensamento dirigido só e unicamente para a rentabilidade. Tudo isso colocando o homem nesses escaninhos sinistros cahamados classes, vivendo à espera da morte ou, se preferirem, morrendo à espera da vida. 1967.

Desconfio por princípio daqueles que lucram com seu ideal, 1971

Nos países ditatoriais de esquerda ou direita, a miséria social se torna tão grande que, de tempos em tempos, se distribui ao povo um a esmola política na forma de um voto. 1956.

21 Março 2007

Menina Firmeza

meu coração lateja no lampejo do desejo do teu beijo, estrondo raio elétrico

20 Março 2007

Guerra lucrativa

do blog de tarcísio, www.anarco.net : "Iraque, quatro anos de sangue na conta do império. E daí? O negócio da guerra é bom, muito bom. Tão bom, que alguns fundos de pensão da Holanda estão investindo na indústria de bombas de fragmentação nos Estados Unidos. Corpos estraçalhados, mas com dividendos garantidos."

13 Março 2007

pássaros de folhas

pássaros de folha, colagem da minha mãe

05 Março 2007

meu irmão

pintura de alexandre, final dos anos 70

04 Março 2007

chupando a segundinha do caroço da manga

?
Este blog pode conter informações e textos que foram chupados e colados de outros blogs, livros, discos etc. Quase todos, devidamente creditados, espero. Enfim é quase o contrario do que eu fazia pra entregar alguns trabalhos na universidade. Copiava trechos de textos. Como era mesmo O nome da rosa. Não li o livro. Pregava fotografias, xerox, outdoor descascado. Inclusive um dos trabalhos da facu era justamente sobre isso, a colagem e a sobreposição de imagens e textos na criação de sentidos novos. A arte revive o homem na origem da colagem. Na tribo dos homens crocodilo, no vale do rio Sepik, em Papua-Nova Guiné, os homens fazem máscaras rituais de uma mistura de relíquias de grandes guerreiros. O ancião que lembra as feições do homenageado junta dentes e crânio da exumação com camadas de argila e reconstrói a face. Vai lhe devolvendo a carne do rosto, agora feita de barro. Carne e pele de terra. No Brasil temos o Kuarup no Xingu, onde o espirito retorna para um tronco de árvore. Em Nova Guiné algo semelhante acontece nessa estátua, meio humana construida sobre uma caveira. Reino animal- vegetal-mineral. Pinturas e tatuagens são refeitas sobre a nova face, buzios como olhos. Colares. Um cocar, o brinco de nariz. As armas, seu instrumento. A colagem utiliza uma mistura, principalmente de imagens e objetos e até de sensações como cheiros, texturas e dimensões. Acredito que nesse caso até uma mistura de mundos. Uma nova realidade com peças fora de seu contexto, ou não, o caos beirando a harmonia. Vida e mundo espiritual em contato pela arte. Reconstrução e memória. Composições e decomposições. Chegamos aos dias atuais: copiando e colando representações desta "realidade" em novos cenários, multiplicando e espalhando aos quatro ventos. Blogs baseados no reproduzido. Com a internet, a pesquisa evoluiu muito, em rapidez, assim também como a pirataria evoluiu. Parece que a questão dos direitos autorais entrou pelo cano pra valer. Evolução é tudo. Na China antiga, já se falava sobre esse tema da autenticidade e davam conselhos: se alguém usar teu verso como sendo dele(a): - não dá bola e fica relax, afinal como escreveu Shen-hsiu: “a mente é um espelho brilhante, não deixe a poeira pousar nele”, ao mesmo tempo Hui-neng disse: “tudo é vazio onde pode a poeira pousar?". No espaço virtual do meu computador? Nas aspas? Sei lá joe! Usa um espanador, um pano molhado pra dar brilho, purificar as idéias. Não esqueça do óleo de peroba! Alguns escritores, compositores e músicos que andam por aqui em Sampa registraram versos meus em seus nomes, sem consulta. Parceiros que esquecem de citar os co-autores em seus cds, shows, livros ou seja lá o que for. Perdoar os caras? Acho que sim!

03 Março 2007

Ham-let 1994

parque lage, rio de janeiro, 1994

26 Fevereiro 2007

1993 antes da Inauguração do novo Teatro Oficina - teat(r)o

eu e o ator e diretor de cena Joaquim Soares em foto da grande Lenise Pinheiro

no jardim dos comigo ninguem pode, Teat(r)o Oficina durante reforma, 1993.

25 Fevereiro 2007

Ressaca

Meio dia. Estou quase cego. Viro uma nuvem de morcegos vermelhos sobrevoando árvores secas. Ainda consigo ver vultos entre garrafas abandonadas. Uma rocha em estado liqüido, tateio um cu piscando antes. Um balaio de crianças vorazes se derramou na praia chutando as nuvens. Um anjo beija minha testa fazendo um a u no ar e some no brilho ofuscante do sol. Já li isso antes. De frente pro palco de areia uma touceira de palmeiras falantes sai acelerando bêbada e soca uma senhora no corredor da fila c. fhc, tbc, thc eu não disse isso, não vi nada, não ouvi nada. Sou um túmulo em ruínas. Delicadeza trabalhada por erosões e picaretas sutis. Uma falésia dançando. Escapam gases de minhas rachaduras. No alto de estátuas de madeira brotam flores, árvores. Os porcos e as porcas se perderam, mas já estão chegando. Ficaram os parafusos e as ruelas espalhados no asfalto da proesia, bezerrona mamona na brasília amarela.

15 Fevereiro 2007

Carlito Maia, genial

(epigramas, pérolas de Carlito chupados do blog de Aray, lá tem uma biografia dele)
Evite acidentes, faça tudo de propósito

Brasil? Fraude explica!

Vim ao mundo a passeio, não em viagem de negócios
Homem está em falta, machão tem a dar com pau
Uma vida não é nada. Com coragem, pode ser muito
A verdade deve ter escravos e não donos
Nós não precisamos de muita coisa. Só precisamos uns dos outros

07 Fevereiro 2007

Crônicas do Paulo César Ruiz amado amigo

Paulo, eu e Preta em foto por Bete

no meio do ano de 1999, o paulinho ( paulo césar ruiz ) deixou comigo um disquete com textos seus. alguns foram publicados, alguns talvez sejam inéditos. Gostaria de poder mandar um abraço pra Fátima Odara e Ana Lívia, que eu conheci bebês e dizer a elas que estou publicando estas palavras em memória ao pai delas. Registrar a delicadeza e sabedoria desse grande escritor e pai de vocês. não são textos para crianças definitivamente. São textos fortes, alguns são engraçados, emocionantes. com certeza.

Porto do Recife - ou o onírico em prosa
É bom ter alguém por perto, muito bom. Há tempo não recebo ninguém. Os homens se foram, ficaram apenas a solidão e este pequeno cômodo que você está vendo aqui. Não me sinto infeliz por isso, não me sinto mesmo. Confesso a você que já tive tudo o que quis na vida. Hoje posso parecer uma pessoa pobre, abandonada, mas eu acho que isso faz parte da vida. Já tive dinheiro, fama, essas coisas que as pessoas consideram importantes...E ainda hoje tenho uma coisa importante que pretendo oferecer às pessoas, aos jovens, em especial. Quando o porto ainda existia, pode acreditar, a minha casa era movimentada, eu não teria, com certeza, tempo para ficarmos assim, nesse bate papo, nessa introdução. Naquele tempo eu era a mulher mais procurada do Recife. Os homens me desejavam...alguns ainda me desejam, o que você acha disso? Eu sei que o anúncio no jornal não sugere intimidade, essas coisas, mas ficaremos bem, você vai ver. Haviam os estrangeiros, com aquelas línguas ininteligíveis...mas a língua do amor, do prazer, você deve saber, não é verdade, é universal... Os gregos eram os que mais me agradavam, felizes, festivos, apesar de, quando altos, com muitas doses na cabeça, eram ruidosos e, na maioria das vezes, me causavam problemas. Espantavam a freguesia, que eram homens finos, discretos, não gostavam de publicidade, principalmente quando a polícia se envolvia. Não que eles fossem briguentos, não é isso, mas por uma questão cultural, os brasileiros, acho que, por inveja, não suportavam o tipo de brincadeira que faziam. Quebravam pratos, copos, cantavam batendo nas mesas, eram divertidos...mas pagavam tudo, até um pouco mais...É uma longa história... Venha aqui, se aproxime, não tenha medo, deixa eu pegar em suas mãos, deixa eu tocar em você...Fique calmo...Eu sei que, quando se é jovem, a ansiedade é um animal selvagem que, com suas garras afiladas, corrói por dentro...É o medo que faz isso, o medo do desconhecido... Eu sei que você deve estar achando que eu sou uma velha estúpida falando desse passado que já não existe mais, logo agora, e que você não veio aqui para isso, mas, é preciso que se diga, a cidade hoje mudou muito, se desenvolveu, como dizem por aí, mas hoje é pior, as pessoas são mais tristes, apesar de vestidas com roupas coloridas, alegres, como essas que você está vestido, eu percebo, é isso que eu acho...eu vejo. Eu tinha um amigo jornalista, um galego, que passava muitas tardes comigo convesando e, ele, nunca quis fazer amor comigo, mas me pagava...É preciso entender o mundo para que a intimidade, as relações afetivas principalmente, possam ser completas...não sei se consigo explicar...Mas não importa... A televisão hoje é que faz as pessoas sonharem. No meu tempo não existiam essas coisas, essa fixação pelas imagens, é verdade que existia o cinema, mas era apenas diversão, simples entretenimento...As mulheres sonhavam um sonho possível...encontrar alguém carinhoso, atencioso, que pudesse lhe dar uma vida agradável, sem dificuldades...Hoje eu vejo que as moças ficaram, como direi, desorientadas, fascinadas por esses personagens que, na verdade, não existem, são puramente virtuais, superficialmente felizes, onde até o pobre, ao que parece, não é pobre na realidade, não tem dificuldades, não sofre, é tudo de mentirinha, mas o ser humano, mortal, não consegue discernir com racionalidade a realidade do imaginário, a arte da vida. A televisão parece que quer acabar com o sofrimento da alma humana, mas, na minha opinião, um pouco de sofrimento é sempre necessário...O sofrimento faz as pessoas pensarem mais, as tornam mais introspectivas, e, com isso, certamente, vivem mais os momentos alegres, que não são muitos, porque se estabelecem limites, parâmetros para a vida...E eu considero isso muito positivo. Você diz que isso está parecendo pessimismo causado por um incurável saudosismo. Não é isso. É claro que todas as pessoas que tiveram um passado intenso, bom, são saudosistas, é impossível não ser. Mas isso não quer dizer que eu deva ficar fazendo apologia desse passado que vivi, e posso te dizer que foi uma experiência única, que não deve significar, particularmente, nada a ninguém, não, isso não, mas como exemplo é fundamental, aliás a sua visita, hoje, à minha humilde casa, foi influenciada por esse passado que eu insisto em reviver, apesar de não querer que a sua experiência seja a minha, o que não seria possível... um indício de completa ignorância...e eu não me considero uma pessoa ignorante, apesar de também não ser uma intelectual, uma pensadora, mas tenho meus instintos e eles, desde que eu me conheço por gente, têm me conduzido satisfatoriamente por esse mundo de Deus e, posso te garantir, nunca tive um engano assim... significativo, desses enganos que marcam...isso não... Você quer se deitar em meu colo? Venha, fique à vontade, deite-se aqui nos meus joelhos, quando foi mesmo a última vez que eu tive alguém, um homem, em meu colo...faz muito tempo, muito tempo...mas isso vai mudar, e você é a materialização disso... Há histórias muito engraçadas na vida da gente...quando eu ia me aposentar pelo INPS, nem sei se era INPS, essas coisas mudam todos os dias, e, também, isso não tem muita importância...Então, quando eu ía pedir a minha aposentadoria me perguntaram a profissão e, eu, com a maior sinceridade do mundo - uma coisa eu posso te garantir: eu sempre fui uito sincera, às vezes isso até me prejudicou em algumas oportunidades - respondi que tinha sido prostituta por mais de 30 anos...E não é o tempo de trabalho necessário para se aposentar...E a moça lá do guichê da Rua Corredor do Bispo me disse que prostituta não é profissão, e que, portanto, eu não poderia me aposentar. Eu, no primeiro momento, fiquei um pouco decepcionada, magoada mesmo com aquela indiferemça, uma ponta de lágrima surgiu em meus olhos, mas, depois de alguns minutos, recobrei a razão e quis argumentar com a moça, coitada, acho que por pura ignorância não sabia que a prostituição era a profissão mais antiga no mundo, inclusive com o especial status de estar na bíblia sagrada, coisa que muitos engenheiros, advogados não têm o privilégio...Ela sorriu e me disse que, infelizmente, não poderia concordar com o meu argumento, e me solicitou alguns documentos que chamou de “comprobatórios”- palavra bonita, achei - inclusive me pediu a carteira de trabalho para comprovar a minha atividade e eu, espantada, respondi que não tinha uma carteira de trabalho...onde já se viu uma puta com uma carteira de trabalho assinada, pensei, rindo, comigo mesma, quem seria o meu patrão, os homens, todos eles, os meus queridos homens que amei muito - o fato mais curioso que podia ter me acontecido nesses últimos anos... Me aposentei, claro, mas não foi muito bom para mim, psicologicamente falando. Não me sinto diferente de quando eu tinha trinta anos de idade e era muito atraente, como já mencionei, e posso te garantir que,hoje, continuo muito viva ainda, apesar da aparência um pouco desgastada...Mas os tempos mudaram muito e hoje a concepção do meu trabalho não é a mesma de vinte anos atrás, apesar de, enquanto prostituta que sou, com muita honra, esta nova fase é uma interrogação para mim, não tenho nem idéia o que pode acontecer, por isso resolvi publicar o meu endereço nos jornais aqui do Recife, oferecendo os meus serviços, e, graças a isso, você está aqui, o meu primeiro cliente, o meu primeiro jovem ainda em flor querendo o meu calor, as minhas carícias, enfim a minha vida... Você nunca imaginaria, se eu não te revelasse, que eu tenho mais de cinquenta anos, imaginaria? Claro que não. As mulheres quando aprendem a viver a essência da natureza dificilmente envelhecem e, eu, graças a Deus, aprendi muito bem controlar os meus impulsos, a minha energia... Venha aqui para a cama, venha! Não faça isso...Os homens sempre se precipitando... Deixe que eu tire a sua roupa, querido, não se preocupe ... Para tirar a roupa de um homem, é preciso muita concentração, pois, na verdade, é um ritual, uma fase importante do prazer, da sedução...Ah, se as mulheres soubessem disso...a minha profissão talvez perdesse a utilidade...Assim, fique assim, bem quietinho, eu vou fazer você o pequeno homem mais feliz do mundo, as suas futuras namoradas vão ser muito gratas a mim...mas, por favor, não vai sair por aí dizendo que você aprendeu o que eu vou te ensinar com uma prostituta... Não seria nobre...Sobre essas coisas não se fala com ninguém... Você está gostando? Nem precisa me responder, vejo nos seus olhos, o brilho está me dizendo o que milhões de palavras não conseguiriam traduzir...Isso me dignifica. Se você quiser pode voltar outras vezes...Traga alguns amigos...Quando a janela do quarto estiver aberta estarei livre, do contrário volte pra casa e volte um outro dia. Eu estarei sempre esperando você...pode ir...Você está feliz? Aceita um cigarro? Ah, você não fuma. É a moda...hoje os jovens não fumam mais...Eu sou do tempo em que fumar significava, pricipalmente se fosse uma mulher, poder, status, superioridade...Os tempos mudaram...Volte.

Pardal, de Paulo César Ruiz

Branquinha Para você!!! Sentadinha no banco da praça, diante apenas de deus, ela mostrava os tornozelinhos torneados, e um colarzinho, ali, íntimo. Vozes em minha mente fustigando, volição. As nuvens, em pétalas abertas, dando licença ao sol, o ambarino voyeur. Cada movimento dos pelinhos da perna dela, cada ventinho, cada, um Cézzane, um Gauguin, quem saberá? No último domingo tomamos vinho português. Aquele dia, um sonho, não o esquecerei jamais. Os caquis sobre a mesa, no porta-frutas, seus lábios. Bagas doces bagas vermelhas - bagas capazes de ferir de morte o coração mais duro, só ao mordiscar, lambiscar, iscar, tudo. E que olhar... Fico atordoado só de pensar. Cada gole do vinho, suas faces mexiam-se num balé frenético, ruborizando, e os caquis-lábios me cutucando os sentidos, onde coloco as mãos: sobre a mesa, no bolso, onde, meu deus? O que está acontecendo com os meus joelhos?! - Talvez Dostoiévski tenha entrado fundo, tão fundo, na alma do ser humano, que, no final, não conseguiu se distanciar dos personagens que criou. Ela disse. Nem Kraus nem Nietzsche acreditariam. Mas a frase me é tão insignificante que nem prestei a atenção. Tinha outros assuntos para pensar. Sua delicadeza, sensibilidade, não fragilidade, seu perfume que enchia a sala de meus pulmões com aquela fragrância doce-juvenil. Descrever-lhe a beleza, a harmonia de sua anatomia? Seria pretensão. Teria que inventar palavras novas. Um pardal cantavadiando sobre nossa cabeça, na árvore que faz sombra no banco da praça onde, depois de muito, velho, experiente (será?), comecei a viver. A pardoca só olhava, de esguelha, lúbrica. A carta que me escreveu com uma letrinha toda barroca, traço preciso, com detalhes imprevisíveis a respeito da pintura de Van Gogh. O pintor, escreveu, foi vítima de sua família. Vindo da escola, com passinhos miúdos, a saia até o tornozelo. Abraça o caderninho como se fosse um passarinho com frio no inverno rigoroso. O seu trotezinho de puro sangue faz a bundinha balançar, saliente. Nenhum homem à sua frente. Todos, estrategicamente, quando estão adiantados, param para amarrar os sapatos, apanhar uma flor. Todos conferem à distância. Sonham. De seu pescocinho voam flechas perfumadas, coloridas, sobre o desespero masculino. Ela sabe disso. Descobriu-se sozinha, sem ajuda. Está adorando o seu último esporte: matar, com a beleza, homens do coração. Aliás, esporte essencialmente feminino, preferido por todas (as belas). Nos finais de semana, usa calças apertadas, pretas ou azuis e parece também que fuma um pequenino cachimbo...nem sempre com tabaco. Como invejo este cachimbo! Daria a vida para chegar próximo daqueles caquis. Nas tardes, viro um vampiro. Não o de Curitiba, claro, apesar da semelhança. Nunca vou desistir. Ontem escrevi uma carta, que não vou mandar. Preferi, mais pragmático, falar diretamente. Passei a noite decorando o texto. Planejo persuadi-la a me seguir até o rio. No ônibus: finge que não me vê. Está indo para o centro. Toda de branco. Um lírio. Os cabelos ainda molhados, curtinhos, castanhos, o pescocinho insinuante, arguto, à mostra, desembocando na camiseta; penso enxergar um pouquinho da pele de suas costas. Vejo só as penugens. Observo de longe: seu vício: roer as unhas. Minúsculos pedaços do esmalte nácar precipita-se para a sua lingüinha vermelha, uma ostrazinha, que imagino... Usa uma sandalhinha de couro, acho que francesa, pelo talhe. Pena que esconda o pezinho com uma insípida meia branca, masculina- intempestiva. Ela fecha os olhinhos e fica assim, por alguns instantes, absorta, apertadinhos. Quando se levanta do banco, sua blusinha levanta-se também, deixando, ah, meu deus, nu o pequenino e solitário e inerme umbiguinho, de onde tudo começou, e eu me delicio, de longe, de meu banco, emocionado, escondido em minha loucura magnética, procurando não incomodar, deixando seus movimentos, o seu teatro particular, a sua exibição, para mim, acredito. Sábado. Ela vai ao Armazém. Tenho uma chance. Oi, como vai, tudo bem, quanto tempo? Nem eu acredito em minha cara de pau. Ela parece gostar de minha mentira. Todas gostam. Todas mentem. Conversamos banalidades. Meu coração está quase pulando em seu discreto decote. Me acompanha até a praça Parteira Bernardina. Não sei o que falar. Tento ser engraçado, elas gostam, mas não sou feliz. Tudo bem. Nunca fui bom em contar piada. Tudo bem. Deixo-a na porta da casa de uma amiga, que não pode me ver - vergonha, talvez -, com um leve beijinho nas mãos. Promete me convidar para uma festa em sua casa...quer que, não acreditei, conheça seus familiares...Me disse que sou um bom amigo... Não sei onde estou nem pra onde vou, tudo, parece, mudou de lugar. Basta uma girada sobre si mesmo com os olhos fechados para o homem se perder no mundo. Terça-feira. Fico marcando no relógio os segundos que faltam para ela sair de casa. São os segundos mais longos de minha vida. Ela sai. Me escondo. Sigo-a até a parada de ônibus. Resolvo não segui-la hoje. Vou escrever uma carta. Ainda não respondi a que me mandou. Não consigo escrever. Tenho que escrever. É necessário que escreva. Ricardo, jornalista, editor de cultura do jornal local, passa pela minha casa e me convida para jogar sinuca. Vou. Está um bom dia para a diversão. Talvez Rica me ajude. Estou um pouco velho e minha conversa deve estar um pouco envelhecida também. E branquinha precisa ser convencida de que não sou o velho que ela está pensando. Por trás dessa calva há um jovem louco pra agarrá-la, jogá-la no chão... Miríades de miragens sobre o pano verde-ervilha. Apanho um livro. Não consigo ler. Estou ficando louco! Cadê você, branquinha? O que é preciso fazer para beijá-la? Não sei como. Vou acabar agarrando você, fazendo uma besteira. Não. Não é uma boa tática. Mas qual é a tática? O que devo fazer, meu deus? Deus, você que está aí em cima, vendo o meu desespero, vê se me ajuda! Deus não me ajudou. Deus não ajuda ninguém. O crepúsculo masculino aconteceu depois da segunda grande guerra. O final de uma era. O final de uma filosofia. O final. Uma filosofia. Nova? Como sofro nestes tempos femininos! Ricardo me leva pra conhecer umas amigas. É uma casa de licenciosidades, como se diz. Me apresenta algumas belas garotas, embora eu tenha o pressentimento de que forcem um pouco o sorriso, uma leve ruguinha no canto da boca denunciam o que acabo de dizer, e, ainda, observo, não têm um décimo da classe de branquinha, principalmente quando ela tem um cigarrinho entre os dedos. Diz que posso me divertir. Uma culpa, o coração apertado, a dúvida crucial, um óbice momentâneo. Não consigo me divertir. Branquinha não sai de minha lembrança. Nem se quisesse conseguiria abraçar outra mulher. A morena que "fica" ao meu lado, solícita, parece perceber o meu embaraço. Me despeço dela e de Ricardo e vou-me embora. Em casa, a dor, acho, é mais suave. Um erro. Um pássaro na gaiola, preso, alucinado, e sem saída, nenhuma, aliás, uma, tenho medo, não sei o que acontece comigo, depois de velho, esse medo, medo, medo. Vou até a casa de Branquinha, que fica perto da USC. Não vou. Vou. Não fui. Jamais verei Branquinha! Me decidi: vou acabar com tudo: no rio: vou conversar com ela: a quero. Estou vivo. Como nunca. Vivo. Viva! Não fomos passear no rio. Branquinha não quis. Teve medo, acredito. Me convidou para almoçar no próximo domingo em sua casa, como havíamos combinado outro dia. Mas não me lembrava de ter combinado isso com ela. Se Branquinha diz que combinamos, quem seria eu para negar. Até porque ando bebendo demais. Deve ser isso. Hoje é quarta-feira. Tenho quatro dias para me preparar...e sofrer. Disse-me que tem uma surpresa. Estou ansioso. Será? É bem provável que não. Voltei correndo para casa rindo, chorando, rindo, falando sozinho, não acreditando, me martirizando: devo ter esperança? Ela deve saber sobre os meus desejos. Claro, as mulheres sempre "sabem". Faz parte de seus instintos. O silêncio, esse vazio. Os vidros da janela embaciados. O inverno é uma questão de dias. Os carros, na rua, lá fora, desfilam como cobras metálicas, ruidosas, pelo paralelepípedo. Rodas roendo o sossego das horas. Estico o meu pescoço para fora. Espio por sobre o parapeito. Quase fico sem meus óculos. Dois senhores conversam sobre política sob a janela. Fazem previsões que não terão tempo de ver. O senhor da direita, com um chapéu puído, preto, mostra, com as mãos, uma senhora que atravessa a rua, próximo à esquina. Bem vestida, roupas modernas, sóbrias, e carrega um perfume doce à sua volta. O senhor da esquerda gesticula. A mulher apenas os observa, de soslaio, com um parcimonioso desdém. Retomo o livro que iniciei na segunda-feira: "Os néscios e os sensatos são igualmente inofensivos. Somente os semiloucos e os semiprudentes são perigosos". Amanhã é domingo. Amanhã. Acordo bem cedo. Uma força de expressão. Nem dormi à noite. Algo de anormal está me acometendo. Nunca, que eu saiba e sinta, fiquei tão obcecado por uma idéia. Será a velhice? Quando jovem só se pensa nisso, embora, no meu caso, pouco fazia neste sentido. Mas percebo que, agora, com Branquinha, só penso nela e estou me esforçando, apesar das limitações que tenho. A velhice faz o homem exacerbar seus sentimentos? Deve ser isso. A velhice, seletiva, caprichosa, faz o homem passar, sem medo, apesar de algum medo sempre existir, vergonha pelos seus instintos masculinos. A paixão não é uma flor, como Branquinha. É uma senhora, velha enrugada, sem vergonha, prostituta aposentada, prisioneira contumaz de madeixas grisalhas. Será? Sábado. Fui ao Armazém esperando encontrar Branquinha. Não encontrei. Não deve ter saído de casa ainda. É cedo. Vou esperar um pouco. Será que ela ainda se lembra de mim? A surpresa que me reserva, talvez? Não haverá almoço. Não fui convidado para almoço algum. Esqueça!!! Nenhuma jovem em flor convidaria um velho pobre para almoçar em sua casa. Já convidou uma vez. Será o meu desejo apenas fruto de uma obsessão? Se for, tanto melhor. Não tenho muito o que perder, eu que já perdi muito, sempre perdi, sempre perco. Não é loucura. Não é obsessão. Percebi desde o início. Ela me reserva uma surpresa. Pronto. Quero falar uma coisa muito importante pra você, Branquinha! Entrei na casa acompanhado de um senhor. Mais novo que eu. Será? É o pai de Branquinha. Homem sisudo, casmurro e parece não se interessar em conversar comigo. Nem eu tenho assunto para ele. A sala de jantar, de estuque branco, esconde, entre a mobília, algo que me interessa. Branquinha. Sua mãe é atraente, simples, uma dona de casa. Me fala sobre a vida na cidade, quando chegaram expulsos da Guerra dos Cravos. Fala ininterruptamente. Branquinha me olha. Olho para Branquinha. Não queria estar ali. Branquinha me fez estar ali. Seu rosto, lívido, um pouco escuro embaixo dos olhos. Chorou? Não. A mãe de Branquinha gosta de conversar. Maria Carolina (Branquinha, claro) sempre foi uma excelente garota, desde a infância, nunca teve pensamentos estranhos à sua idade, e sempre obedeceu os pais. Não a tenho mais. A tive um dia? O almoço foi servido. Bacalhau à portuguesa. Sem vinho. Um suco de uva em seu lugar. O pai de Branquinha não pode mais beber, me confidencia: “ele quase morreu de cirrose hepática, de tanto beber”. Percebo um leve desconforto nos gestos de Branquinha. Rápidos, ríspidos, certeiros. Não são gestos de uma garota intuitiva como Branquinha. Ela me diz, meio sem jeito, que admira a atriz Maria de Medeiros e que adorou o filme Henry e June, principalmente o papel que a atriz portuguesa interpretou no filme. Eu gosto, como ela, de homens mais velhos, como o Miller. À mesa do almoço, junto com seus pais. Meu coração se desespera de alegria. Tenho dificuldades em segurar os talheres. Será que ela quis dizer alguma coisa com tal afirmação? Com licença, vou ao banheiro. Não estou passando muito bem. Com licença Branquinha. Não consegui parar de rir, olhando para o espelho. Belisco minha face. Dói. Faço força, interpreto o velho papel. Volto. Estou bem. Acho que é o frio. O almoço estava ótimo. Quando nos veremos? O que você queria dizer com “eu gosto muito de homens mais velhos...” Gostou da minha surpresa? Não consigo encontrar palavras em meu parco repertório. Branquinha está em meu quarto. Ela senta-se na poltrona. Inicia uma gargalhada. Não páre!. O que farei? Este é o meu momento. Vou me aproximar e beijar-lhe a nuca, acariciar o delicado e lascivo pescocinho. Não posso. Posso. Vou. Branquinha se levanta e me dá as costas. Estará tirando a camiseta? Não acredito! Posso me deitar sobre o seu corpo?- Ela me pergunta já adivinhando a resposta, que nem tento dar. - Tire a roupa, por favor. Ainda não consigo acreditar. Sua pele é macia, como supunha. Suas mãos massageiam as minhas costas e os seios, pequeninos como um casal gêmeos de gazela entre os lírios, se esfregam em meu peito. Ela geme em minhas orelhas. Passa a lingüinha em meu pescoço, em meus peitinhos. Ai! Ela me morde os lábios. Um filele de sangue surge estre os seus dentinhos. Ela é ágil. Uma leoa sobre uma presa indefesa. Deixo que trabalhe. Há dois dias não vejo Branquinha. Ela me ama. Ela me quer. Branquinha não mora mais aqui. Foi para Portugal morar com os tios. Ela quis ficar mas achamos melhor para ela, que quer estudar artes plásticas. O sonho da sua infância é ser uma grande escultora, como a Camile Claudel. Portugal é um lindo país e a Universidade de Coimbra é uma das mais importantes da Europa. O senhor conhece? Sento-me no banco da praça onde me sentei com Branquinha algumas vezes. Olho para todos os lados. A vida é assim. No galho sobre a minha cabeça, um gavião come um indefeso pardal macho sob o olhar incrédulo da pardoca. Assim. fim. Desculpe a intromissão. É que não fui capaz de resistir à sua... esquece. Tem outra coisa: de onde eu conheço você? De Londrina? Sampa? De onde, meu Deus? Do Camélias, talvez? Beijos Paulinho

05 Fevereiro 2007

Códice

O texto Códice, de 199?, é prosa inspirada em "Carta a El Rei", de primeiro de maio de 1500 do Pero Vaz de Caminha e "Catatau", de 1975, do Paulo Leminski. códice é inspirador, de Paulo César Ruiz, um amigo de verdade que conheci em londrina. Criativo e inteligente infelizmente partiu... muito cedo

códice

de Paulo Cesar Ruiz

"seios são como dois filhotes gêmeos de uma gazela pastando entre os lírios" - Cântico dos Cânticos
Temo que jamais nos livremos de Deus, posto que cremos ainda na gramática - Nietzsche
o quante volte fusti tu veduto en fra l’onde del golfiato e grande oceano, a guisa de montagna quelle vincera e sopraffare, e col setoluto e nero dosso solcare le marine acque, e con superbo e grave andamento! - Leonardo da Vinci
pra início de papo minha lembrança aqui nesse sítio anda, baça, que lambança! é, pois, dois eu, ou três, quase de quatro depois das marditas, esse azul, essas tiquiras, essas molecas que espedançam la dentro do cerebabélico, numa voilacidade que nem se magina. bebeu, molhou, dizem, morreu. sabe lá quaisquem pós pinta e nina desgranchou axendo - santa maria! os que simbalastraram carnes, um encoche, saca né, rodobriando os costumêmbricos de uma boa esperança? e os quaquaquadrupedespuídos ferafalaicos continuam pairando sobre a fulva cabêstica oca rala fulímpia do caosmandante do savoeiro? triste é a ancorada solidão de um cadáver genérico como que hasteado na amada de pã pitis. putis- bebeste da chuva? viche, num décio mais pro têmpero, o níscio. a falha é de quem ralha, fique casto por aí, como manda o fulgurino, na certa, o axioma vira celeuma, nos estertores. aquo é ultramar, qual a dúvida mutuca? rudesmentorris, o riso riscanesses podos gregotins, nememexe. mas os omphalácios ternecen um zurrio grunhado na noita. como na península, como ali, lá, essa nossa preguiça, essa moça, juntou a tudo e tudo janto que nem nas serpas, taodos nusprexílios. nesta terra até relógio distrai, minuto vira hora, hora segundo, ora, segure firme, aperte o cinto, o mundo, no cimo, pode vir a calhar. eva, com certeza, avacalhou paraisso. essas horas vão e vem, mas nunca entram em vãos, a vã. mas uma certa lógica cá: basta olhar para as estrelas lá em cima, viu elas? nem tudo são caos. tudo certo nas errodondezas? ou resultou errada a certeza? desculpe - errei na assertiva. vai se fadar, não volto mais. aqui como é bueno, é pérbola, isso de querer é bem aqui. posso até digar que caospi depois desemaravilvar nas rangas profidalgas, ah, isso sim, mas quem não aí? o seguinte: ninguém mais manda em mim, estulpício virei, a culcanha é unha de minha cerne, descambei, amiúde, na devassidão, num sebes? tudo me pula nos colostros, deusfeito num há. aqui não se masmorre, se víveres- só homolagolambo assim nomole morre enconstrado no morro. tudo se move, se vimosvive! só se morbi no mar - se der. morro de rir. aliás, morrer é só o início. pelo visto começamos bem. veja o tamanho do rio encarnado que corre lá atrás da bananeira. tamém o que caga é esse séquito seculérico, essa chusma divina, batendo as batinas nas coçadas e, esmerechendo, fucham a vida, que acham vilda. o que é isso? mendigando tísicas alagorias nesse aréu ao dará. pecado por pecado, me glabro, pacas, no axirê, pacato. imunde eles visilar asnos nas castelações, esses furfados abronches, no galope do potropolé. que fiquem no rocio. o que quejejuandos querem afinar? ganham o que chamuscando tempilérios, salvarnarola? tô sabendo das ícias mancebas nos mosteiros! acha que só eu? nem depreque praga, qui é isso? tá manietando o que com essa instância genuflexiva? tetas costumam irritar templos, esse cu pular de vida em vida, atróz de uma outra, súbita subida, e essa imitação quer o que além de duendes? querelas quem quis assim, suma, saco. se crer é ser criado do criador, credo, que dor, cruzantojo. aos pios de proa, pua! o hábito habilita o óbito, nos extremos. obstruo exícios. aviso aos vivos - melhor que o inferno, navivergar nas fuibanas primasveras. tira logo esse pano, não quero infringir os mandãomentos duros. pros marranos a pista escarpa-lhes ao menor sinal de carne. acoimentiscaputo. quem me despe me quer, esse alheio, essa benstura, fafanha, cútis rósea, sultilão. absalutarmente, é boom decidir de uma vez por todas: uma mucosa generosa na clientela ou um general em polvorosa na chinchadela? êta mocetonas nadando nas jaças, chegadinhas numa trica, num aleive, num entono. na aléia gongorroca tá uma ferdentina que ninguém ungüenta! uma lezama! já cubou? eu xinto o xeilo do xangue num yuriandeixe angelus. tamar. descuida pra ver. esse calor nem bolor, o grude, roe. no inverno, muçambês, neca de frio, no lombo umbus, cajás, muricis, mangabas, cajus, saputis, essas graviolas. acalmo a alma no quieto, me esparramo na lama, socio. não vou permentir que os penísculos se intraumatem nas delírias ultramar. tá precisando, saiba, sacudir o pós das sandalhinhas. tô no amancéu, mesmo, a esmo, sem quaresma, que é coisa de vesgo, vosmecê tem que me ver, míope: é preciso que haja negócio entre vosmecê e eu. nem tanto já que, digo, é só que é sorriso na lapa, no comum, nem meixo mais a boca, a quina, de esguelha, já comunica. cansei da escriba, puxar de lá pra cá, o traço teia, os dedos sujos, a priori sem idéia própria, trilhando o sulco, o vosso, como tudo aí, apazniguados, campei de danda, sou um luxoxó. toda araruta tem seu dia de mingau. a era do escriba fideindigna, jaz, solidadão nundá mais pão, amasse o lenço e gaze, a mais líndima vocação de um cozedor de signos. e se galvatalvez na abissígnia a coisa ainda dê camisa? desconexo as plagas, desplugno. tenho carcomido, ultimamente, em muitas masmãos, chaga. onde há gente, como nunca foi dito, se foi, maldito, há socos, saca? que pântanos desmemoriados, sai pra lá tédio, tome seu rumo, minino. acho que cansei de manjar os fanecos aí detrás-os-montes. ainda bem que chegou o napatiguasú e suas melecas salvadoras. já tava me pelando de medo. que pino o sol no meu apricó. você é capaz de apor apoio ao opoiaz? rapaz, não brinque com isso, é sério, o papo, é celereciência, dizem. parece que os percalços já custaram até pescoços. quem guilho tina, já diziam os ambíguos. mas aqui não. aqui a corda é que totemíngua as veredas. precisa-se de procedemuitos intrincheiros. cai fora, citrino, vá acampaenella, valá na cidade dos vácios, sinta, das nefundas, dos descolumenaímpios, lambuzados, taí, traí, sou eu, na bahia. são as fluências. e tem mais: acho que o anel magno veio incendiar ainda mais esse calor, essa troca-troca, esse bem-bom, enfim, isso que, aqui, será, um dia, no crastino, o ribombar das luzes. não isso que vi por aí. não faça ouvidos de mercador: você não é o rei? então, veja o ruído, lá dentro, dos vermes roendoendo, rumimamando o mundo, rindoruindorindo, bem fundo, o gostin é meio ruim. quem quer vem que, quando muito, tem. querer é ter. esqueceu das chinelas? quer quer. querer é. a sina de afonso, o mínomo, não tem nem dez tino. isse de que nenhuu christaão nom aja ajuntamento con nenhua moura ou judia, nem algua chistaã com judeu ou mouro por serem de leyx desvairadas é cousa de babelcas, baléu, lelas, loaspe, lichotecas, intempes. ah, qui. deus nem põe o bico, se pôr, trisco, violo, volais, sofoda quando urge. nem venha com essas holandilhas funanlubres. essa porra de divindade advinha de onde vem e pra onde vai esse altaneiro pique? das sepulturas? claro, se é humano. foi aí que começou a merda toda. deixa pra lá. além disso, o roçar a mão faz o mar chão. das minhas quias, a anauguia é a acracinha. sou néu. aqui não. o manancéu está todo estralando, as nuvens estudam, astutas, satisfectas, na sua grandeza galuz, os modos espiruturnais dos bom vivantes da proturbre. eu? só as pistéis. vale elabobolorar um anarquílates de um chichisbéu atolado na sua maior ambiguidade: amo o que nem conheço, imagine... esqueça, é sonho. e pesardeles, têm? tem. tem pobre, tem, muito. os fami, gerados na mesma, morrem à míngua, as línguas gritando gritos mudos, secos, um deserto decerto, uma grãlera rafamélica. se tem. tá certo, mas é preciso que confidencie algo: que povinho pidoncho e no trampo, basquete, num tem pé-de-boi. tem mais. a partida tá no fim, apigelados no flagêpico. cadê o pitú? também, parece saco sem fundo. tudo que sobra, quando tem, traça. comi foi que foi banana, cadê o pinico, minino, tô no pânico. não vai me esquecer o pano, se não vou ter que sacrificar a aceroula. tô esperto com a leveza da urtiga. deixe. não esquenta, que a cabeça aumenta. vou contar tido por tido. o demo é meeu. matei deus na picada, no trápico, aquinócio. eles? errei o alvo, scapis! taqui! tosquiados, que sol, que selva, na beiçola pendrores na toca, fissuladas que cabe um dedão de revestrés. na pele, um anarcoíris nas constelações ossídicas, e as sem vergonhice, ein, onde fica? tão alá, soeltas, na ventoinha da silva, tantos, que tântalos, nem na cara tem inauditas cências. pairaram trunqueiras pelas rábolas colorisentes, corrientes, ininterútila. me vergo. ergo sim. ressabiados, o vinho nem bem bebericam e já cuspiapiram. não são do ramo, como eu. e tersouro nas plagas soergruras? a brasília foi feita pela prata, esses peles vermelhas. a língua, um alcatre no átrio da boca. ou será só a maminha? avisei pra num dar bandeira - mas deste, peste! nem se save. foda-se, lambona, vim pra cá do meu bolso, mesmo! tô que só me vi vendo. quanquo? balança a rede, iin oon, trance o lance, como se o vento, essa dança, fosse. e têm guapas, como, graúdas, tingidas de mel, acho, redondilhargas, cujas graseiosidades ao léu, num baila, alonguines, que as portáguas nem tem tês pra início de cotejo. e esse zoinho aberto? dizem que é flor. se dizem mentem. flor que é flor, vulva molhadinha de orvalho, não se deixa ver assim no mole, na boa. onde é que fica o mistério? e olha, roupa demais alopra. o que me incomoda é ficar dia todo no rio. tô no gasto. aí, nem pensar. até chegar duarte com as damas, as primeiras, né? babebei, babariquei um solriso, que dia, que que fauna. trateimos loguinho de nuançar pra nau as nuas, nem foi mal o meideal, não vi tamanha, tonteantes tintas delicando as sinuosidades. não achei de levar, porém, de prima, que deus do cielo que não é cego me esqueça de uma vez, esse porre, é o quequero, faça, aquieteça. fui. todos dias se vê assim: bandas roçando os roliços sob as palmairas que têm em toda casta, paumintos mil comi deitado na alcatifa massagando umalcatreira. o mar esse pavio de pá virada que de procelos tô de saco cheio, mas, sim, o mais, é incertos, que tisnam num zum-zum-zum, faustioendo as peleias ultramarinas, mania de murmuriçocas movidas pelo fedovento. ninguém é ninguém, nu. sobretudo em eloquentes silêncios. quem? não tem essa de esse é o alguém. nisso tudo é dado, até plegas. o sábio náufrago rosna com o fanho adquerido nas mil e uma noites de sonos mal dormidos - é um pecador, luxurientix, pendure o cabra no sopé de uma fofogueira, quero sentir o bordum que se esvaipora depois da pira tinindo! mas claro: com a misericórdia possível e sem o derramamento de sangue peculiar nos bárbaros. todos que pude crer já se acolchoaram nas capoeiras, se sujando de urucum, açaí, essas babas, por aí, na maior, vem ver, acãopanhados, sem querer essa de volver pra guerra nessas albertolas duca, essa cousa de dodos que mataprole. você sabe, né, sábios geralmente sabem, o que não é o vosso caso, falsom. pelo quentrevê no primeiro traveling é que por conta do bochorno não há labor na área. essa diva. a coçação é a dídava, o acabê do coração até diminuta astabaques. coercaução. aqui no mataréu sou deusmo desdentão. de quem? teo. até desembocar nesse tal de capetalismo, teve, soube, depois, uma matadeira coleando nos sertões. bem depois. antes, porém, uns tantos botaram bandeiras na areia, preocucando, como sempre, instituir o mando, quem, os donotários, mas ninguém se atiçou, nemguém. as peles andam de lá pra có, singrando, de quando em vez, de 28 em 28, sangram. doença? nunca - se há danças e cantos nos platanos. como se digo: quem cá não furta de fanicar não tem parnaíso. há dias minha rede tá cheia. e no rodízio que nem imagino, perdi a conta dos cocotes. quem não cutuca, temba pega. só em rio que bestaziagando oroou pra mudos, o pinto pequeno, mas nem tchum. gorou desde lago. o mané furou tina por tina da orgia, mas tem que ter como teve, aliás, saída. tem mocó na capepena no malto cheio de tinas que dá praduécadas, se todos dias pegar fogo nas veias, gazua, todo dia. quem se torcaz levanta vôo forátimo e fuge dosque só quer cobrir de agonia os péalados. que tera. os nasços já tão de velho nalguma beloca, não alcácer, cloro, mas que cacaulor, colararidos, que num são loqui. quer melhor? presente de índio – além de cafungo -, gongolonovo. de todo modo, o medo, no começo, se tendas, sobretudo das engalicadas que a surpresa pode nos reservar nesses catimbós da vida. bichaiada pra tudo que é lodo. nem tem vez quem não vê. nascam lindérlulas cunagua que os caraíbas acham porca vergonha, indescentézimas. macaco pendura, sucuri, jibóia, preguiça, papagaio, araras, muito mais, nem se vê fim e mais e mais aos canais do rio a natureza deu de dar. por que aves insalulares perdem a mania de asavoar? e se sabe? armadilhas títicas rondam, arcabúticas, o senho dos noctivagantes nas floras. quem não abrolho, sobra. e esses gegêsnagôs atrozidos pelos naus tratos? nem azenegue nem jalofos. eu sei de suas saídas lá em évora. fedeu-se de voz. mais algarnasvias pra confulambar o interdiscernimiundo. tão logoinho já botaram, de choçofre, um pelourinho no patrimônio. esses mininos gostam de verdor nas florestas. sábios zulus lavam na lábia mil légrimas de trilha, em média. vou falar uma coisa: escrávidos pra quilombola. o mal, este animal afobalido, deve morrer, poisque, mal penscado, branquielo, e pensa que ele pensa, o pança? deve morrer cedo, com a língua do diabo. eu tô na manha. folgando nas coisas dos suores. algas alvas galgam, como eu, gulas, quer? por acácio, já perdigaste uma mameluca nas capoeiras da vida? pra entrar nessa festa, o pai nosso basta, bosta! juramy que num voelvo. o caiporismo negro, arre, tistes como caloeyiro núplicos. as matas estão plenas de lhumas luzidias. a noitícia, podem vrer, chegou logo que o sol deu a luz. jantaram o bípolo, fresquinha, cruardinha, os antros. também feito. isso de querer cobrir o pecado não dá, um pulo nulo no estupidouro. eles são concupiscantes e proto. o roto blablablá, circunvagótico, esses que giramgiram e, no final, afunilam próbvio. qualé que é essa de mandar fubá e puxar o ouro? colocar idéia em lugar errado, custa a reputacação. entre um e dois, uma. que rio é esse? que mar! que água! não há estio por tempo muito. aliás, vou dar um talhe nesse umtudo, tale, que mané um. e o dois, o três. já que tô aqui, uma água, aí, mano, num venho dela mesmo? minha cabeça corre rapidinho bra boca a procura da resposta, que já esteve aposta na pontinha a língua, mas, num átimo, mínguô. e precisa? ah, ia esquecendo: a alma é imortal, quando anotada. ouvice. não é doce? desça daí, saia, vem proxão, que é lugar de todo tudo, trouxa! já viste alguém cair pro fundo do azul? pois clero que não. atmostrei-lhe a ginga no ato. a supra. se a sola se corta, se a pele estufa, se guaraci esvoaça cabeça, se o vinho entorta magano, mestrão dá jeito, quando unguenta. tenho todo templo dispossível de ver paisagem, o mundo. alço risos no ranço a torto e a direito, lanço pedrinhas de saliva nos rotos rostos, quase canso, é mole amosca? qual a vossa graça? tá surdo, cobra? cuidado com os urubus que grasnam na janela do de cujus - nessas palparagens grassam muchos moucos, é bom ficar espectro, vatiensinam. pra num perder, varrem, muito nas sextas, pra dentro, os homens, a sobra. quem são? sefarfandins e seus vinholívivas que na lei velha num manjam coelho, enguia, polvo, congro, arraia, pescado corado, franguinho sem um toque de peixeira - o sangue, a alma, vai pra baixo da terra - entre o mais e ter a mente na toura além de meter os panos nos sabadospapos. se cuidem que os batinas e deduros estão na cola. até halançam porcarias pra ver se caem nas arapúcaras. além disso, são louquinhos por um divã na nossa culpa, esses anais líticos. tem mais etnos pela orla. uns berdesoardaram os fanclones que sodomicarisam-se, hermeneufrodictas à solta na costa à cata de moitas, muitas, na mata, é só quemquerem para abrir vosso olho, aqui a felicidade é filha dileta do felatio. vá bogiar, mas cuidado com o fifó no fiofó - queimaisquemanduruvá!. eles colocam o pé direitinho, andam muito, ligeiro, muito, colocam na veia cada piso. desde koando tá tão imundo por aí? praias mais bonitas vivislumbro, olha que matutu? - hoje... nestamente, minha mente carece de beleza, etateno satur. mas as noites escurecem e tem candieiro, tem não, só lua, e essas luminocidades. balise, bólido capaz de cataclisma, na cisma, em cima do carismbático, prima. galisteu temia a enfisema, galileu, lia não só a lua mas o céu como se fosse seu: será uma vela ou o brilho vem sem querer? não há razão pratantus nódea. só colorcolei o dedo na ferida um átimo, só a cabecinha, muitos viram o ato, queria um chiclete de onça. sabia que era impossível mas que culpa tenho se a coisa já nasce pronta? coçotoutiço, desço de leve pro saco: minha sacripança nessas feérias brasílicas desauferiu arrobas na caloria. afira - virafania? ô homeprafalar! nunguento mais macaxeira! e xixa, então, que de ité tá até na raiz?! prefiro paqüera no caldo preto com farofa de jerimum. e os tais de mandi, mocholi, mocharna, saramugo, regaleco, jaberibeta, boca-negra, bodião, caboseira, cavala, onde é que corre? senti, da rede, depois das talagadas que se dá de caço nas tradições, um sentimanto sem um pingo de sentido - achei-o um pouco indiferente, meio chué, chego a afirmar. um desvão da conlaciência esses desvarios lúbric. ic. ic. pra gente de bem? mas bem não é comigo, bem feito. tem grilo no prelo, desculpe se essa é a sua praia. a minha é outra. exu barbariza, sem muxoxo, a mixira coeva. tá tudo escorrendo, que coisa mais histérscula! tá na cara o plano - plágio. e o paquete, chega, ou já tá lá no fundo alimentando esses calmarões. todo o começo é bom, o meio, maneiro, o cume, é o fim, sim, mas, é bom que se diga, meio sem rumo, sobretudo depois de alguns tapas no fumo! como la se via é bom com genipapo, na pele. a joanete, mais que o florete, fere as esbugórnias, nas bases, o sosseguro de um esculáspico num tropiquiurus. anchieta, o lusofosco fideitrix, abaré, sóquepoeta na tenra, o escriba fractual, incabuletero. os aborípedes o segue quenem hienacarniça, e só sobram, soçobram só? presumo que o resumo de toda lisca vira sumo, aforismas próprios chegados à enxuta lábia - é preciso que se diga, sem elos quentes - pois claro, sumas daqui pandareco, deixe os fojons livres de filtros, ao vento, ao natura, se tanto faz, o dever, o vosso, é levar um papo com esse papa, o chuço. deixe de achonvelhar com esses imbrógmas bolinera, deixadetantagoração! gosto muito de alção, principalmente quando dou o bote. deixe os latrões para outras ocorrências. eu nem trento mais dar ouvido à ladainha. a selva silva, lacrimexe, no seu jeitinho de viver a vida. ôpa, mas que silêncio. cala o bico uirapuru. e tem outras cousas e lousas: a boca é um rebocalho de engulho, engula se der na telha da goela, arroste, vamos! no erro me encerro, me forro de forras, de matérmica, antes da colagentranhas nas floléias erráticas. ancês precisam vez. preçonisco: esses cães adornados de ouro é a civilização? sirva uma doce dose de fogo pro home, agripina! pena que o latim do polacosmicapiau não me veio, cabal, no berço. apústulo no abdito. via de regra a lacraia erra o golpe quando gia. quando começa o difácil cair na malha doidifícil? todas as manhãs corro um pouco, como louco. ninguém tem jeito, só se faz normas no peito, o que não é porpouco, ou finca o pé nalgum milico. que é a regra. tem a pista do deipnosofista, tem? numdê que passo mal, esse espalha farinha! contra mal-olhado, olho-gordo, ziquezira, encosto, coisa-feita, encruzilhada, gongolina, tocaia, simioto o lance é banho-de-cheiro, quando dá o couro trinca. quando não, a força abole a forca, e, em alguns casos, a faca, na moita, se faz de entrona, a safaca! nas missões não tem festa, só missa. e isso é paraíso? parador é bom riso, bispo! quiseram me mandar pras galés. dei um baile, no olé mesmo, nesses mentecáspios. gingo bem, gringo! nesta bola que desliso, neste solo que piso, deito e rolo. eu, justo eu, o justo - que susto, custo a acreditar! custava bater pra entrar? eles entram, fazem miséria nas arcabeças, depois voltam com o assaltis feitos, esses doidivinos. e se aníbal tivesse tomado roma e colocado os macarrones pra correr, o que seria de vosmecê hoje, ein bigorrilha? um bosta nágua sem nem um buraco catacúmbico para acalmar o achaque. o foda é que em cartago não se ensina, criança, pular muro. atchim! para com isso pirro, deixa de contar história. consultei os sábios, conheci coevospovos, traduzi sensações universais nessa minha senda de escriba, mirei bolas de cristais, mexi com tudo que foi mandinga, mas devo confessar que, aqui, sem o verbo, assunto, relato, prece, nesse braseiro, persevero, vessipode? transmudei em outronisso, claro, em outro sim, qual a crise? graças a isso aqui entre coxas e cactos, cabaços e cabaças! me dá uma colher de chá. tuf. não é essa, porra! estou definitivamente louco, digo, alegre. o maior problema é que combatemos mosquitos e não engolimos só sapos mas camelos. agora é a hora, minha nesga. me queira, deixe na poeira os poetas, esses tropeiras - ele e sua lima, essa mesma de lapidar rima.. mando mudo no mundo, ando sembando, espero esperandoto, mas esqueça: a fumaça na arruaça avisa a chegada do chalacatraça. volte volter, a camisa dez é sua, cândido, é esse o gatilho? deixa eu fazer uma confissão aí pros portapatena: se vejo desejo. é das coisas do instinto, num dá pra segurar, ainda mais quando a coisa dá de levantar em pleno vôo psicodele, aqui embaixo. desculpe se vossa fuça fuça muitas fossas! não tenho nádega com isso! ela esteve sempre aí, ávida, antes da roça, essa joça - com licença, posso me desservir de vossa bossalidade, galalau? troquei o vulto - essa troça - pelos surtos do catso, que, em evorupções, me provoaça, no fluxo sanguíneo, alegorias implausíveis. fixei-me, definitivamente, nas malapróprias emalsãs das eriças peles. tenho ito e firmado preles: - isto - me desculpe a lapidar saniedade - quis por pura absorção ao natural, fato, aliás, que, nos povos iberos, sobretudo, falta, no maior desfalque à compleição do foco. preciso é ter ciência, essa miséria megera de três pontas assassígneas de arte, para depurar esse tópico. por sinal, a ciência – centopéia-mijona - e suas parcas iluminações perdem para o brilho de um simples seduciosolharútilo adolescente na cachoeira. nem tudo, porém, são ilhos. de pernadas me seguro, escálpulo pela tãogente, se caio, é uma pena, se desperto, no rabo de arraia levanto! que seria da penha sem o asco: mumbica? é um acinte o acidente - se preto cai no descrédito de zumbi - não se iluda, já era! não se alarme, quando arde o alarde, é tarde! sujeitinho ardiloso esse crioulo - por ventura, conheces o tipo? o coconho, fulá!, molambo da muléstia, quando não morde, incarde. nem zumbi aguentou o repuxo. dei porque dei um tapa no marafo, soltei o bafo, e quem entra na minha sina, abafo e mando sem volta pro algarve, que é de donde nunca mais vais assair. será que o distinto retinto comeu bosta quente e saiu na chuva? você já oyou ali naquela direção, tem uns tais de itakon, ifon, katu, mako, ilará, parece que é gente que os coloniais jogaram pros quilombolts. olha ali embaixo brotando a mandioca, devo comer de novo, é preciso, mas será que esse falalimento é suficiente para o deleite de minha alma na depreguiça: epicuro, quem diria, certa vez, isso disse. mas tem preto que precisa de quiabo, o toque no estômago de xangô, vocês sabem, aquele que faz babar arco-íris radioativo. quer um acará? nanã quer? de volta à velha prosa, teve uma feita que perdi até a voz. uma nambikiwara - será? - me me afixou junto do vulcão, naquela chave de fenda, não teve escapahistória. gostei. carma: quis repetir a dose, quase interfiro no babatimentro cardíaco, e a voz pensa que voltou? quase caio na tibicuera. tooc toc toooococo. acho que é lá dentro. pera aí. deixa eu ver. fico atento - atente pra isso: nem olho gordo assombra as bolinadas matutinas. mas nem tudo é paz. a guerra, pralguns, apraz. graças ao risco não tenho corando ultinamente. é certo que ele cego de idéias não pode ver clara a fufiamente que dez andava com três jeitos obscênias da pele o que a naturégua mede e mostra as meldidas urbrilicais: umainhapupe. é o que é, caqüete. vilvacileantes. ex-carafunchou por trilhas os trolhas e deuscobriu e acabou dependulatagado. é o que se tem de mais evivência do sacrafício. é foda saber-se nulo na noiturbiliônica zooaga. mas há maniasmasashá. topos que é bom ansia um trópico, claro, um sistema completo. topas uma apóstofa? como tudo que se come se caga a hilária riosada culminhou em choro, o de vossa majesmetade, se não me engreno. não nego dengo nega. mas foi assim. as maiúsculas intrigas foram tão fortes que fizeram bolinhos dos espagraúdos. nem sempre são de paz os nativos. era ela hera grudada nas ubíquas paródias silviculus, sem chance nenhuma pra figa. é. foi. será que é sério essa série de mariscos maracutando na paella? ou na calunga. em bicho, você e esses seus abismos. não foi, claro, só os crioulos que sifu, teve brânqueos que viraram paçoca na maçaroca. os silvos lambisguaram maises. muitos maises. búbis tentam sem pavor travar a vertiporta inglabra. e essa maldita tramela, cadê? com o bitelo na mão o negão queria entrar. olhei pra estronca mas nada de chave. foda-se. oitivando as testas mulhas não deu ostra: ósseos à solta, sob a mata, lábrica de húmus. é difóssil ver de viés quem vem testemalhando com as suas artimumunhas. mas isso é passado. a tesaura da histeria é justa, cega, eqüiname, quando riquer. com eurípedes na cachola, a revelia foi onânime. ndayé o relume? claro está o seu disfarce amarelado. dizem que é muito melão que é bom quando mel que mela pelos cantos da esgüela dos larábios canores. é mais ou menos. se menos ou mais mais tarde veremos o doce que pode escorrer pelas cachoeiras sangüíneas, lá nas finais, quando se adquirem, de fato, os encostos que a vida sufraga aos maus hálitos. eu não tenho dívida nenhuma, mas esse livre arvítreo tem essa impertimente prerrogativa cirúrgica carmasim como simples vigância aos vacantes de regramento. qualquié essa discultível inexorabilidade? eixe. é isso a vida. não o que muito fazer - viva! você deve estar com a corda pendurada na consciência aí desse lado. posso ver o silêncio de marte invadindo e trincando o capacete de sua calmaria que, vale dizer, ainda vai, um dia, culminar em alguma elegia. tenho visto sintagmas semelhentes na lambança. explico e onto: depois de muitos anus de silânceas, como sempre arrolam essas minúcias, as alegagorias voltroaram pro chão rútico destas guirlandas. a princílios existiram cebolágrimas, mas como vocês podem estravendo: cedinho, naquele migué, abacaram. tava foda. disse vai, fui e disse: dá ou desce imundície. pras minas é - e sempre foi - assim. por dúcadas o mundo foi o coentro do mando. bem que eu deveria ter vindo antes, mas a história nos reserva tantas fileiras incompreensíveis, que, juntar os liames, às vezes, demora séculos, e a luz quando chega, tarda. falimos baixo: meus pés, na deles, amam o dáctil. ame-me no esfregaesfrega. após pós mamo. pelos escarninhos da fresta dava pra ver a festa. esta um rebostreiro cujo estilo verídico era um indício de desregramamento maioral, uma verdaleira furlaúza. isso foi sempre ossim? não se dístico muito do cediço da catiça que somboreava a aldeia, essas coisas. vale dizer: caí, contudo, com tudo no entrudo, na maior contumácia que pode solicitar uma alegria. sereia com índio com negróide com batavo com português com espanhol com polaco com japonês com francês com homem de caaba com homem com mulher mulher místicos com saevus contudo o concurutete já tava doendo de estar zenzando recoestrado no burrico da fechadura e deistanciando pelo fato do phalus cabecear a paurta. ic. isso foi fussado ou paturo? há mulheres-pedras no trecho, talvez inecessárias. em agumas mergulhei flores, umas criaram pipolhos, outras, a felicidade. qui inda tem sereia, mediterrâncias, dizem, nem uilisses tomou ciência, muitomenos o féu que o mar cria quando quer o forfé. matam quando caem na lábia, mas fico na boa, naquela, tu sabes, só tirito os sarros nas cacimbas, melhor que os jardins daí. os reis precisam ver o rebu que é deste lado, nada de castelos é só piroga de lá pra cá, de cá pra lá. lógico que o neguéscio é entrar e tomar conta de algum ourofícil, roçar uma findinga. não deu berro. entroei. arripeidei de tantras histriórias descendo ladeira abaixo. ajustei o badalo como um mestre chinês e angariei fundos para a minha seca sede. esse mato acho que vem ou vai dar em deserto. e a tal da moléstria faétrica que dizem chamar proesia? não. alguém põe e ele, o cavo, vem e dispõe as heresias mais platônicas que a amplidão pode imaginar. vou amarrar um bode na rede mais tarde do que nunca. grunhitos verdadeiros mantrarados oras derramados pelo saraulão quenem catrapuz de peleja. aroeira, dizem, é ajuda pros entongos. claro que mugia estrias muitas. haja pernas pra segurar esses nadas. cada potranca, meu irmão! no esquiuro seria mais límpio. o pecado miasma, como sem, na mesma. só do lado de cima segundo os padrícios. bem lá. nos caras pálidas de tanto pálidas papel pálio alvarada, que protestam no fartum! mas houvieram muitos incidentes nos altares desde antão. acordei numa resséquia que o dia fugia entre os baldalos dos trilhões de suínos relinchegando no cântico esquerdo da tête. um chapapodeboldo basta, bolas. minha obra, por sinal, colica, quer germens, apesar do amplágio. já disce. esquiece. a priopósisto do inistante o país estrialava nas mãos do diablo que o carrega desde o empedernido nasciturro. ando ornado. que bem. uma bordegalga. de babélico entrelínguas à babelíscia entrecarnes grudeadas de um grande grude craca atávaca. os caminhos étricos castões foram desnuviados por essa falta de pueireza. moral da histéria: no vale tudo tá limpo, liberado e arreglado. podem levar os bacanais pra casa, mas, por favor, deixem os ânus em paz. você pensa que eu não sinto a fintafatura que o futuro intenta? palavra que isso, quando a seco, fere. rábia fere. púrpura sorte o alarmelou, não eram alarves. esse códice braningro para dios estrebucha o signifitroante. estalactíltere pusilâminas também, diga-se, quando afinca, fere. minha palma é estérea. e obvou. sabe-se que viveredas é coisa de mineiro. mas o mais estapafúlgido era nessa noite de calorgia aquela cigarra piscando com o cudiapasão gritando acordes ateonais. pra quem, meu deus, pra quem? cuidado minino. mire. acorda. noite tava cinza acho que por isso. as estelas não irruminavam mais nos silâncios floxas fuxas. rastaqüelas ululavam como gâneos que, nas adversas da inteligência, ao revés de gugir, administram sínteses, na lima mesmo, cada palavra merece um tipo de grosa. se querem puras, que se ourives! argos e lambas e quibungos na estreita. até os pirilampos se abriram pro breu. estavam toidos atolhados de encruzilhadas. quem diz mal ou bem - dita. mas o esquecimento, dizem, cimenta as agruras dos gripos. mentara. quando isso ocorre, dizem, raspam o lordo no sargaço à beira-mar em pleno batuque de malandro. vamos ver se os liames da lembrança não são mais broabos que o garfo do demoi, aquele de três pinácubos do caramulhão, lembra? no sonho, executo. não se pode mais, mas o bom, é crível, é pensar em. vemcánenemvemcá. vamos trilhar brilhos. viamos. vem devagar, assim, assim mesmo, entre por aqui, assim, por aqui, assim é que bom. sarei o estresse na preguiça, essas pequenas revolupções. espere um pouco, já volto, fique aí, vou molhar a palavra, um segundo, assim, já volto. todo dia é assim, toda hora, segundo, tô afinando o cabo, de mode que, se assim permaneço, me acabo, nem sempre me acabrunho, saiba. que viagem. assim sendo ser não é mas pode voltar a ter novas sendas. sem duda. cada ir, istmo? já fui narciso, quando nasceu o siso, a dor, cismei com o peso, desde então só olho pra água quando preciso de um só riso. não ríatmo de mim! sou mano. mas o que me enche o saco é que não me acostúmulo com gentelhas de corações empacados. e as artérias arteiras? tem fogo, por favor? mas quem gira, juro, deve correr por perimétodos puros, por rimas, por exemplo. é reto? erija. o ethos desfrui linguípodas lusas, as segundas. averingue o lumpêndulo das tupis e vai notar as desenvoilturas das selvirgens sobre essa exógema. eu sei. e tem mitos mais que busca de pimenta, manjericão, erva-de-cheiro. vivi disso. é patranha afirmar que o idealho tópico fixa-se em estranhas entranhas. nada. ontem a noite tomei um chá de cipó com os marajoeram, ali em piripiri, que piripiração! sumacas n’agua e cheia de aluá limbando a lua. já vistes ingência, a julgar pelo descalibre, maior? nesse ramo de negócio tudo é conhecido, e tem vida própria, autônome, se conhece, denomina, tem endereço, alhures. espoere um coupo, já tá evapiorando pelos espirros da histria. as lânguas não são choupos que caem num arrouto. puf. estou ficando esquárido aqui nesse tórrido, serão os excelsos de esporros? é preconceivo descrétipo achar que o fruto da lavra não é perfoita. aliás, a perfacção dessa perfeição perfura firulas latrinas, essas mesmas que entram pelos ovídios. íncubos tutanos quem saboreiam as ignorãças, sonhambulam sortiléguas. o escriba que só sabe muandar logosgrafos unívalos para as umbiqüas plagas fica tantã, tim tim por tantã, se tanto, tente? ivagine as causas dessas cutubas profandezas: permissividade virando perversidade, sem essa de cordial. não seria lágico admeter os pés pelas coxas, e perder a sedúcia do agaosto. já bebeste uma morte? nunca. agora, os negão sós o líquido dos despescoçados. dá liga. à noite conto estrelas. acho que estou chegando alá. De dia sigo uma serpente que quer me morder o ser, mas penteio, sei do que sou capaz, com a vara curta as hostes de uma moça que alardeia um mau presságio. ao pau. para quem late são tintalos tolos que tudo é converluído em dífitos guspudico. inconformol-se? pra vosmecê ver não ando em baixa com a coroa, pelo menos sob a minha ótica. crescei-vos e procriaivos, meus filhos, é só o que estou fazendo desde a descoberta, isso de jogar os panos fora. não custum tutelar títulos. vê sesse jacte menos, lenha verde, que coisa é issa. ou é essa coisa que issa a causa? vou mudar de astunto. encontreineme, agoura, se precisar entender melhor, vale dizer, em fragmientaras. a poeira anda baixa, as freiras tropeçam nas achas e as fulambas picham. tamakavi viu, não foi, acho, jakuí. que olhos são aqueles no coração daquele azul ali em cima? só se vê quando gira gira gira será que é o girassol, que gira e vira noite dia, claro escuro, e que giro doido, às vezes brilha, acho que pai e filho, brilho e giro, e se pira o fuso, céu, vai pro beleléu lua e sol e esses astrais todos como é que ficam - perdem a sua luz? cácomundo, por mim, não sei não. no ceilão a lei é sermão e se num arroubo de fome cometer um roubo, de probo a cotoco, manejo metafíscolo, amão, dá até pra sentir os dedinhos no vazio extremo. no ceilão. aqui? num dá nada. um bacorejo: baco amoita o báculo num beco até a festa acabar em balacobaco. se acabar. mas nunca vai abacobar. fecha o bico baco, grita a visita, ainda vai cair na fogueira, mandado parangolés. corra que lá vem gente vã. os dedo duros que se cumem, chupins, depois entregam na bandeja a ficha do caboclo aos sacros. parafernamálias paramamentam os indicones. essas araras são de amargar rachando o bico nas taquaras. uma coisa análogua é esse filcro uncruado nos ovívavos descabelábios melancorrendo do prazer. em algum lugar algum na superfícil iondefeclével da urbre alguém tá scaneando, posso ver a caatinga do homem correndo praminha napa. que nuanca mais bichotesca! mais efezúvel! para fechar o círculo corte as arestas mandifestas. o latagão latilabro desfila num fiacre cujo atratifo é não se saber onde fica a reticiência. o mapa elimina a mina da camofa, se não achar no mole, vai no tapa. mesça. mire. é crioulo fúlgido. e aí ebanocochebanto, pêlo de cúmplice: quanto tira um chafeur de quinta? ele: é meu. seu? teje preso criolina. na babaía era assimesmado. pergungante pro boca. calma alma, mais uma dessas caio de coma. não tenho mais chance se não chamar o juca - o manoel ali é que está no céu, o joaquim ficou meio louco, isso sim! como assim? é que os patrícios que vieram assinam no dedão. podem comer, tá no ponto, manda bala. tem canures que se aprochegam até ao chão, depois panham os olhos sobre o bicho, acefalandoo, e rumina até as espindelas ficarem livres, espiriteurnais, depois, com o bracotovélico em xiste no saolo e cavoca os dentes, cambiando, parece que combinado, da esquerda pra direita, com cavaco seco, depois coça o sovaco, deumpuloempé e já tao na rua que vê seu riso ridente branco, alumiando o veio, entre os lábaros pretos. são fados! a cor, o que tem a cor a ver com isca. na proa, pastou o bispo, triscou à fogo lento, a pele, nas falhas da sabedoria, porum tris, um cisquinho de tudo não feztemis verde, verde de novo, nova mente, seria um pouco sério o cotranco se a chamusca fosse num tampão de covildro, mas como é barroco, bá, escurece com tamanha densidade, não tem nada de mal, bem, pelos mesmos menos é o que eu asco aqui desse lado, desse lodo que se sujolisma. a luz vinha vindo, à pino, treme, com o dedodado, luzindo a noite, vêem-se faíscas aladas e, também, um tico, se der uma boa cubada, acima. lavão as leis correndo beijejuando os arreios. corrazeviche, no azáfama, o morfétido. não nero nem quero esses suábios cerzedores de leis, na fiúza da velerdade, nem cueiro, nem quem é, faz, imagine? persuai nas pernas queimadas - se dê risus - fomente a inveja, veja o mau, o meu, exemplo, seja, urja. o espelho é um bom mestre, pena que caolho. tolos geralmente são calouros, com a idade, depois dos galos, aprendem, já velhos. tudo que quero me encerro de cabeça, pulo de sem pulo, um pé, claro, sempre no chão. quer tirar a mão do meu pejinho, crica? é sempre assim. quem que perdeu a carne pela história que corra atrás do cão e roube o osso, ou cale a bolsa, tá cedo? cadê a pataca. ic. ic. vaidade tem validade. depende da sede, da rede, da idade. milagre! era vinho, agora, vinagre. já teve quem viuzinho? abati a hipótese no ninho. se tive, ignouvei, lá depois da lâmina azul, essa mesma que nos trouxe pro paraíso dos incertos. vi muitas esquifes no recife. já tava tão íntimo, que quase inaugura uma, o ínfimo patife da nau bretonha. ainda acha que a taxa é um luxo? mas como roda a rede, meu demo! notas novas correm, ensinadas, para as mãos leves, sem saber, um chegar lá, de mil, assim até eu. vou distrair a cabeça num sonho. sapiência é loucura sem cura, jura? agora caia na capoeira: cuem quer felizcaída que caorra para cidades naus, onçadas em volúpia, de seu afã, mecanas, piz. que horas? meia noite e meia. mais um dia. ou menos. preciso fazer as contas disso. e agora pitágoras? isaías matou o lente, de pena, no rio, era janeiro. o deimo não horripila assim. eu não credo no cropúsculo e suas asas de fogo, esse ásculo, polhastro, que ronca, teúdo argueiro, há aqui vinte vil coveiros, num zurrio de ciriojabs a proceira de um otrório. claro que clãs claras chateiam, esses clero-cleros. é velho, ralha, pirralho, ainda não, mas não perca por espernear. matar a alma no cansaço do corpo é armar a vida pra mergulhos densos. nem penso mais em espírito. que tipo é esse de vida, falar com quem não houve, pedir ao insonsopitadável, que tipo tosco, prefiro a pirraça da malícia, o sussurro, o diz-que-me diz nas lapidacões - malocas lá vou eu rancar açoiaba com a boca!. me digno nas picaréguas do badameco. quero tranças, quero seres que me comam a calma. é isso o que peso, é isso o presente - sortilégios de éter no verão assíduo. o crescilento, tudo, navega, pressinto, no priáprio zentido, farte-se dos bugios, do beloeito, mas sobretudo soeu o mais, o menos, o meio, o fim, essas coisas, o numismato, por que não? o meu servício é sobre iscas, essas mesmas que ficam com a bunda nágua, dando o maior mole, apstaptas, à mordida de uma boa linguada. é velerdade, essa de abscôndito, é pra quem não dita o cujo. detecsto preconteivos alabábacos. selvínculos não desperdiçam uma: cada minhoca, quando glande, crescida que só vendo, dá, no duro, um curumim novo. a cena que mais me fascina é a que mais espero sentado nessa esquina com o cu peidando pra lua.. se chegar, cegou, senão não, claro, tô de olho. em mau nome a natura exercita seus adustos escrípelos, e treina o reino pro banzé - tamanduás, tibujis, chipanzés, juritis, que antras, um timing complexo e coitera. escrutígneo péla, fogo intrauterregno. tenho dito. o mundo, pelas ventanas, me confessa - transporto não apenas vosmicê, mas tudo que significa, e fica, um acíntese. estou perdendo a mnemória, acho que é a amígdala que me traiu. bilhões de faunos no senso, que inferno. meu lar, o começo de um inequívilo oblurra. cadê a cruz, pardal, pergunta o cabral depois do pacheco, qualdê? me dá um pau qualquer, tanto triz, as índias são aqui mesmo. tenho muitas idéias, só me faltam um povo generoso- a propósito, ou de, o rochedo dos concurutos proeminemtres já tá ralando côco. aqui cadê você, vasco, nufragou nos atoais? quer um toque, volte pra palos e pergunte procolombo a traça. ou dizengoçalo o primo. nesse monturo eu juro que abjurei. pare. pare. pera. não anace assim a minha çabaca, cabral, tenha dó, cuidado com o nó, o cerume cega, e esporreia por alácrinas, me daquingua, some, seu górdio. vê se some ô maiorcego! ic. ic. ic. e a teimosa? a carniça erisapele, lelantla um suspito indeleve sobre os imenstérios pófagos - com a vez, sardinha. egergum vai, sedentros, me umidescer ao interferno. esses obstruques gnutos tumem a prexeca pra incendiar a gargântula. tô de larica. vico virá, o circuladô. ainda não chegamos no caos. tem chão. dá um tempo. nada como um dia atrás da noite, o vento passa e leva, levita, só não sei o honorário. desata o nóbrega, o geosuíta, que grita aos céus: que venham as putas, as filhas da puta, as vós, a terra é larga e grassa, qualquer chupetinha sai na faixa. catso, salve os lusidios das caraminholas ingras! o destinho velho de güelra nunca erra. se vim, encravo a pica no enclave. o andarórgino júpiter seu pairou. na junção aqui, das duas, só se vendo, num perecem, se esquentam no ardor. una. ela dá as biscadelas dela à dedo. é boa no gatilho a quiquilha. escorregno nas então péries. quem disse que eu ía sucubir, açoitou - acometido pelo coito - no estreito do eito, e que deleito! bem feito, feitormentecápsulo. há muitas lógicas cá, repito. aquelascívia que ainda de quebra leva uma fulô de brinde é mel pra quem, aqui, ceia. minha ventura é uma perfeita perfídia, já vaticinava o basbaques. não se esperneie pro jantar. você nãaaaaaaaaaao tem direito de espécie alguma, nem como sapiens, seu torto. eu sei que a lei é o rei. a mãonarquilo já tá criando além de crina, lema - quem viver venerá! neste especto pareço, então, um abeto, um espeto, um trôço qualquer? aristatelado como um surúdio féleo. foda-se. por mim? o que importa é que há uivos na planície, os meus sentidos usufrufruein desse hospitáculo. a aromaria corromora. recorra reco, corra! de ré, pra ver como é bom a metamorfosca. dinossauro, pra exit ir, teve que dar uma quilombola na natura - virar lagartixa. aqui víbora, num visse? atlas tem o globo na cabeça. eu, só aquilo! de vingo, tomei de um pau e lasquei fogo no estau, aquele antatro lupamarino! eles não sabem fazer a coita legal. o bruzugundanga foi general correndo feito tonto, o vice-rei com a cueca nas canelas, e os embaixadores da corte na maior baxaria. a plebe e seus fabricantes de folclores, medem o tamanho do estrago pra mandar as flores corresprepondentes, nos pesares. mal acaba o velório, mais festa. e que festa. na testa, claro, eu. eu e mimiunhas séquitas. a negrinha queria era uma porção de macho surrento ralarala rolando ritaco no cheiro da noite gemida. até filipa tava jogando sua lábia nas orelhas barregãs, a rififiona! correu loló e corroló, diga-se. até que os efebos não são de jugular fora. essas pubeldades me matam e me madeixam, atonto, no cemistério. é velerdade. afroditem se quiser! muitos zarabacanas persecutindo as partes principais da jaçanã, a velha, a intrépila, criadacobra! o foda foi a segunda, o ferro de omolu, esse hirsulto! agora vai longe, olha lá como tá branco, na argila, o lagarto, de molho, no mar, cinco dias, seis, sete noites, na oitiva saltou, vivo, o lugarto, com uma cara de home que só se vê vendo, que coisa em mbere? vá lá que kinus vadia, bem ali no cantinho do lagar do medo, ali, num tá vendo, ao lado da venda, bem na frente de seu oulho. nemguém nem guáldius numa descaída de sofreguivivant pura iria tão longe assim com o andor, que se saiba. o mundo é guerra, é natural, sai sem querer- água que amolece osso! fiquei no pé da razão o mês inteiro. num teve jeito, em água funda, nem dá pé. nem espora vi na espera. tenha penha de um mó, gente fina. uma idéia genial esse mó sempre tinha. uma delas era de que a consciência quando panda, pende de um lado só, escafede-se pela tangente, no ponto, pelo sul da coisa, e escápula, a crápula, pelo vórtice do ápice, no maior equidisplante, a troncha. conhece o dono da lavra? claro. só podia ver da península. coxa mais coxa igual a coxoxaxota, a bissetriz. educação é inimigação, não decoro. lá em goa quando chove um cisne pesca na lagoa. babalaôs siguram a muca e não entregam o ouro. a corda acorda o temor da morte, essa pinça escorpiolápide. pode apelar pra lei, que nada, desprovem. a chuva cai e corre. essas palavrovras mudam de cara todo dia, tá que nem cueca de rei. esse acacaso de bocas, lavras da putaqueopariu, das ruas, do liluxo, que é isso, essas porras sujam, flocos de nenuvens dispersos, dispenso. nenhúfares mais vai fazer o meu telhado. pensa que é tudo, crença miúda, absurda, só poderia vir desses carcamões da vida. se não revela, releva ao que o valha. tá um barro só na barroca. beloques e balagandãs se perdem na cara. para uma boa obra, chá de mamona. puruxa vida: essa dança, esse lundu, nem tá pronta a anarquitextura e já é ruína - um cocho de luxo. satori satura? só quando o surto do tchum é curto. tamar. talvez güelras entribos repelísculas com insalulabres nas quendisses cosmichonas de ifrite? nem píton saca a pista do pústula, o ágourou! segundo, procérebo, é século. não tem cabimento cabinda marcando toca no estreito do leito. e na barriga da serra zumba zomba do pau quedeu ganga. será banzo ou tombo? à guesa de lucidarte crioulo bomdebriga não apea como dantes, na áfraca. papé satan aleppe, será? não. é coisa de preto com branco. quam quer ialê, vem ver, em palmares, tem de monte, tendetudo, não só preto gê. me vi tanto tempo fora da vida que hoje vivo tanto que nem lembro da partida. portuqual, castelas, flamengos? o céu cafofundiu, deu nessa gris, nesses sons brios. servidão serve prapoucos - menos, aos mais, os servos. me acompanhe nas idéias, viaje pelas veias, sinta a finta, se no meio da mata é um tal de ata e desata, fica-se fixo aqui, como acolá, dá na mesma, é tudo do jeito que o santo não gosta. quer dizer, naquela. amanhã, quem sabe, a manha mande notícias do abismo, já mediram? cadê erotostenes? sabe o que é púcaro? não?! quenga, essa mesma de cumê baião de dois! quem sabe sabe quem não sabe sobe. cadafalso tem seu fim que esmerece. ontem tem tanto passado que já, de bronca, passei a perna no tempo, hoje não tem vez, o dia. intriga gera briga - amole o aço, cabra, tem barriga branca no pedaço, escabuja. aqui a lei é essa, num sabe? e se é necessário nem me ofende. quel pirivit? não. então volte pelo mesmo caminho que vieste. tem preto que, parece, num sensa, será encosto de exu. aquilulá é só nego livre, no maior bolebole. me dá um gole desse líquido aí, meu chapa. vou mapear a mata. quero gingoloutros!!! tem que ter medo de sucuri, que não é tonta nem nada, só que, torta, jacareja. tem macoco que nem perde tempo, rompe, de galho em galho, a ponte do poente. é óbvio, mas quem vê o óbvio, viu, acabou a moleza, meu. vou criar problemas prolixos, chega de sínteses. aprazme dicotocomíase. e tem outra cousa: a fatábula é rasa pra essa causa sem pé nem cabeça, isso, minha deusa sem asa, voe, me faça vuar, arrasa, vê se não me usa só e joga fora em desuso. não disce- fractos fictos deamburlando pelas peladas, no pé do ósculo, no cume palavrisíaco. algarnavias é fécil, o que não é mole é aguentar pândegos pendurados nas orelhas todo santo dia. que calor! pra que tanta mata caída, já tô vendo papagaio se arrastando na sua. occaminho, esse mesmo, sem tino na cachola, sem nada na carteira, tudo à solta, à espera, cadê essa porra de quilombo em eboxalá? num tô atrás de muicanzo, visse, teje firme, pois não? até porque num tou sentindo nenhum cheiro de churrasco, que, dizem, trouzeram de lá, da áfrica. já tá capenga de novo! eu não. tô de lua, na especta, nu. o lombo só que dói, sem o boi. o baito tá cheio de baitola - maiorubixarabas morubins? ainda chego lá. escravo não tem nada, só comida, cana inchada e pernada. êta pecado doce esse, o da cana em pé, na moita. vacumulo sapiência nessas landanças. essa a traça: umafaçatez. dá só uma olhada no trecho, mirebem, vascuolhe. generanalise as bústulas, mas não esqueça os flancos, os tentos, os quiques que o ponteiro dá quanto soçóbrio. ic. ic. ic. é nôa, é? que memória a minha - nem acontece já me lembro, a danada. que vergonha veríndicos de pijamas - gastados no açúcar! a floresta além de flor, restaguarda muito medo. interrogue os crumins, esses sarádios. sei de tudo meu, o que não presta, de onde veio, sei de tudo um pouco, e eles nem se sabem, é bom quando se sabe, ainda bem que em brasília não importa, só pau de tinta, que exporta. caí na superfície, detesto profundidade, essa cilada do intelecteco. tô aqui pororocaso, como tudo, e vou ficar nessa, vosmecê faz caso, por acaso? onde já se viu ácaro na poeira. paulista é que nem judeu - tá em todo canto, esses papistas comedores de miúça. quando ando tanto algo vago em mim desanganda, vê-se, na cara, vazando gotíolas pra tudo que é canto, e salgam a língua se lamber, será o cérebro liquidificando idéias fugidias? vou retormá-las no rio, se vou, o mesmo que nunca é o mesmo depois do pulo do sapo, eu, nem também depois da caída à esmo. eu? vim pras américas buscar essas luzes, não tinha outros calminhos pras minhas solas. arrego grego? - uivinhos! carcamanos de roma comendo romãs agrariam a massa. que selvilização é essa, se serviu, serviu, não sirvo mais a nunguém, eu e minha maresia. ao invés de quizumba, erva-doce. se tem coisa que me entristeste são esses faraônibus histrionculus, salgangálgulas, esses filhis nihilico de uma uta. se marcar solto do epicume das duanas arrenossas lá do lado de lá, já desceuma? ou lavo o pé do nino no salalé, num sabe? quem vive, senha! e quem sossonha vive. viche. esquálidros nos mesçou de pé a pé, não sabias fazer outra coisa, o mero. celeumaculo essa corjagem! o fim de todo tolo é o lodo - sem dolo. carangueixa flexa a ilíada, a pequena, da ilha, acerta na moça, bem no istmo da bissetriz. bom de tiro esse minino! tá escondido em rio...a vida é assim mesmo: quando não esconde, explode. o negão estrelava os músculos no ar, pé voando, mãos no chão, mente na liberdoada, coisa de angola, quase não há quem que segure o fio da história. tiveram penas patrocínias, mas parcas. pude ver ali, na minha, na boa, no à toa, no vôo que se dá quando sesta, essas coisas que aprendi na gamboa, crea. me dá uma bicada aí desse gumbo. sincretamente, o meu prato anda cheio de sangue. tudo que é dia vejo os pelicos sembando no rosto o hálito de dentro, acompanho, como às palavrovras, um a um, nunca tive olhos de vildro. cheguei bem cedo, nem bicha tinha ainda, um polvo já amanhecia. a cincha ainda não premia. nem quis morrer sem ver o pinapitáculo, o constrio que, de vicina, virou rua principal, não no princípio, no fim do milênio. estrangulo densos desntrios, se me aprochego lá, nem imargile o bote. nadando de assunto em assunto, me assusto. além disse, tem tempo que esses raposos e garcias tão na batalha, chegaram, antes, faz tempo, chi, nas pratas de montoya, nas terras de iralas e guaranis e, perdidos nos rumos, internados, tordos, querem aumentar o lastro da coroa, que, sabe-se, sobretudo nas castelas, que nem só de praia vive o erário. parece, até, por outras bandas e bambas, que chegaram a achar ouro nascido nas gerais, ourossim, nunca ogó. e quando é que vem as grupiaras? a verminozia bandeirolas cheiram com os narizes pretíndios tudo que é húmus, chegam lá sempre, se chegam, hum, chegam eles, morrem ou correm aqueles, se der, se escapulápicos, tudo em riba, se não, já viu. eles adoram comparsas pra prencher a sua ignobservância na caça. dizem que um cotoco por aí põe no chinelo muito cinzeleiro tanço. mintira, bobiça? eu só sei dar de berne um tico, até porque sempre quis ver de perto esse cerne, esse inorme cloca, um pouco. dedesculpe a rusticilfilidade, desculpe, é que nem sempre o meu eu tá má cio. prefiro, claro, os óssios do ofício. a bem da verdade, costumo mentir um pouco. pertugual me mexeu louco do senso - acho que foi a pertitude do longo. sombra, saia daí já sua lombra, saia do meu lado, que perseguição. que sol é esse que determina o ângulo da proximidade? tchufff!!! distância, sempre, a meu ver, foi assunto de instante, essas instâncias da mência. mas é a sombra de um corpo, sentada, mãozinhas pantomímicas, dentro dessa atmosfélea, êta tempo de rosas duras como chamas, não como carnes, só legumes. a vida fede, sobretudo quando peidas, uns aliás, são dilacerantes, parceiro, e no verão, então, a coisa preteja de tanta explicitude. você já viu um cu falar? então é por aí mesmo, geralmente as frases são viscerais. é útil? então, fique certo, fútil - acabalmei de re-sentir. êta índios que se roçam o dia inteiro, que coisa, fiquei surpreso com a voltagem. pequei no tic. dar dói a quem ao demo deve doar. velhaca gregária. angaú. quem mais a não ser seres melancólitos desejariam ver neguinho se foder? os monjalos pairaram? é que turbânulos de batávios de novo nas águas, não cansam de viés à bahia, vieiraram precoces inimigas. jacofundiu diogo e fiu fiu, o tabacudo, parece até que levou uma caqueira no cuco. um salto no mor da história. itaipiraca salvaios de novas pragas, cartesianas de leminix, aqui mesmo, deixem os pueblos reconcavilados. noitícias vinham de tudo que é huguenortes. ajulda dos céus, demolvida pospode cair, meu amigo, rebroou a salvácio e nassau sacou e foi sacado e a voz vieio e destrocou os exércitos, eles acreditam, dizem as más quando mínguas. mas foi eu, eu e meu demo, o tinhoso, bom de briga, velho de guerra, que jogamos eles fula, atreterramos de molde a assumir lá pro norte uma nova urbe, que, dizem, ainda vai dar o que falar de tanto tento nos picuá. eu diabomino até com o faro. perqueres mais algum signal de minha furça? ungula isso é fique etho. ulule. é muita noite quente ricorrente. já fui tímido, agora estou tinindo. claro que quero essas ninfas de mel, potrâmidas, suas iras serenas, comer de boca aberta, se for preciso até na areia. mas há outras lidas: joguei, jogo o jogo sem pernão, ingreges pra tudo que foi lodo. como me agrada esse alabor. atróz de um tilburi quente tem sempre um sorriso vidrado e milhões de argentis descendo desguelha. os escandinavios pularam fora com as pilcha tudo. vai comer batata, batavo, seu batraquiomourisco!!! tão tó esse ofó. é bom ter um pouco de mente, quando ainda se é, de leve, um rostinho de gente.. se não, pique em casa, a ópria, dá mais excerto. este sítio ainda caravançará pelos fúteis urros do séquilo, acho que se contar até dois mil as coisas, se não enganar, engrenam e, se não, fazer o que além de orrir desse desespertáculo ominoso. nas matas os tambores tum tá tom tum trocano, no couro, o assunto. e tem teuto que reinspira mais quando abundam teutas, lá na vila, quase desterrado na chuva. voaiss do eu pé dédalo, apesar dos atrofalas. íscaro. ishi. homessa curuzu. vou logo que correr pros bolsos não transbvordar de másgrimas. tá na malha da história, como queira. e quem não tá nas asas dessa senhora? não vai cair, piorém, na vaia do polvópio. se é que um bom veixame alargura a auréola, não tenha dúvida. ic. ic. depois de, na gala, todas essas visões, acabou a mardita hialina que azucrina!? e o alívio é possível vir dalhures? que é istmo? pelo menos se eu tivesse essa joça de foice da irlanda... que tídio! ic. ic. i. e tem ma

02 Fevereiro 2007

Curta Metragem em Vídeo

Em breve sairá o curta metragem "Terrorista" pela Petrobrás Cultural. Fiz o papel de assistente de diretor, num filme s8 e vídeo que leva a assinatura do querido César Meneghetti, roteiro e direção. Pra completar: a edição é do grande Willem Dias. Assim que ficar pronto e souber quando e onde vai passar mando convites aos amigos

24 Janeiro 2007

se alguém perguntar por mim

diz que eu caí

rodei na subida do morro

eu não morri

S.O.S. socorro eu só caí

"perdi o contato com a torre"

eu não morri

se alguém perguntar por mim

diz que eu saí
rolei na descida do morro
mas eu subi
(música de bernardo pellegrini e yuri v sampaio, dedicada a paulinho)

23 Janeiro 2007

Os desafetos do escritório, de Karen Debértolis

Um texto Perfeito. "Escrito pra mim". De desopilar o Fígado e curar qualquer síndrome do pânico.
Certamente se n. tivesse me ajudado eu não estaria agora nesta situação, assim, como numa encruzilhada. Isto porque se for pensar bem a falta de atenção com a qual p. me tratou. É, se os dois tivessem me ajudado, pelo menos, com alguns poucos números da agenda de endereços, alguns telefonemas, um sorriso. Mas o que talvez tenha significado o total desrespeito foi a rasteira imoral provocada por e., aquele salafrário. Numa noite qualquer aquele e-mail cínico na minha caixa postal. Pior mesmo foi n. não me falar sobre aquela vaga, justamente para a minha área, que abriu no escritório na Rua das Vieiras. É, depois teve a petulância de me chamar para uma peixada. Mais indecente ainda foi l., dispensada do emprego logo depois de me promover. A promoção? Só ela sabia da maldita na repartição. Parece mesmo perseguição, mas na seqüência a outra l. , de cabelos compridos e lábios grossos, indicou outro indivíduo para fazer o imposto de renda daquela empresa de pesquisa. É uma desgraça mesmo. Ainda antes teve a história com p.. Aquele sim, um sacana. Anos antes tinha me arrumado um trabalho em que os mandantes me deram o calote (sim, porque eram realmente uns bandidos e até hoje nem sei direito do que se tratavam aqueles cálculos). Da última vez, era um dos jurados do concurso anual dos contadores mais honestos do ano. Eu era um dos finalistas, ele foi apontado como um dos infratores da banca. Sim, claro, d. , também estava, mas desta tenho dó. É, realmente isto não foi nada diante da empáfia de r. em me difamar. Sempre a mesma história pelas costas. A acusação de ter aprovado contas não tão corretas. Ele, que faz vistas grossas às licitações municipais. Ele, que anda aos cochichos com assessores suspeitos. E o que falar de c., a megera com sua cabeleira crispada pelos pensamentos vis. Mulher de maus hábitos, que se acoxava a homens rudes, de odor pestilento, que comiam costelas gordurosas com as mãos sujas de graxa e com seus dentes à mostra. Sim , não nos esqueçamos de v., talvez o pior da lista. O mais ordinário dos homens que esta terra viu nascer. O mais indisfarçado dos malandros, o mais desonesto dos homens corretos de nossa sociedade, o mais inculto dos eleitos pelas academias. Este que me classificou de torpe, que me acusou antes mesmo de ter provas, que me apontou como o corrupto diante de situação nenhuma. Este que ri como hiena, que se porta como um galo empedernido, mas que é um mandraque. E o que podemos dizer de g., falso e vil. Que se compraz em torturar seus pacientes de quem usurpa até os últimos níqueis. Tão asqueroso e imundo de pensamentos quanto b., que mais parece um bobo da corte de músculos. E a lista segue consistente. Mesmo não tão perigosa, é preciso tomar cuidado com o sorriso afável de s..Com certeza, é o mesmo caso de a. que me infernizou com suas ironias. Ou como l., o que não tem cérebro, e patenteia até mesmo a marca alheia em seu próprio papel higiênico. Meu deus, não posso deixar de citar o mais imundo dos seres. Justamente, f., o dos processos judiciais. Aquele que se passa por injustiçado, discriminado, incompreendido. Aquele que copia: idéias, maneiras à mesa, papéis, riscos sinuosos, indisfarçadamente. Antítese de r., que conversa com sua própria mão, por considera-la, ele mesmo, a de anatomia mais perfeita deste planeta. E o grande plagiador m., então, que se associa a pilantras para usurpar palavras? A ele, os nossos aplausos pela maestria com a qual escava as narrativas alheias. Mas, o que me enoja mesmo é encontrar com z., que diz que é só amigo de e. É demais mesmo! O pior é w. na mesa do canto da sala com aquele olho esbugalhado sobre nós e dizendo que não nos vigia. E aquela s., cada dia fico mais à espreita. Inconfiável. Mas, eu ia me esquecendo de j.. Depois que arranjou aquele empreguinho no escritório de baixo, ficou muito arrogante. Que inferno está se tornado este prédio. Aqui da minha mesa, posso ouvir um ignorante que grita impropérios à secretária. Como é de praxe, os medíocres têm que tornar pública a sua burrice. Eu já fiz a minha mala, comprei uns explosivos que devem ser suficientes. A cada olhar l. parece adivinhar meus segredos. Tenho planos, para bem longe. Nunca mais quero me referir a estes monstros. Vou sair de fininho e deixar um bilhete sombrio no colo de s. , aquele que me interroga com seu cinismo toda a manhã quando passo pela portaria. Já encaminhei os papéis perigosos que c. guardava no fundo falso da mesa. Uns homens engravatados virão vasculhar o seu armário daqui a dois dias. Talvez não restem muitas letras depois. Vou deixar uma flor, de plástico, é claro, dentro do pote de canetas da minha escrivaninha. Nem abelhas, nem inseto algum que habita este espaço infétido irão aproximar-se. Mas a presença insistente, distante, tão falsa da flor, irá retalhar o coração de m. , aquela farsante, que me negou o amor.

20 Janeiro 2007

três amigos

Paulinho Ruiz , Preta, mãe do Locki no colo e Elisabete "Betusca"

19 Janeiro 2007

Lágrima da Alice

A lágrima da alice

É feita de vinagre e sal

Mas o sorriso do gato Alice...

Alice encolhe, cresce, sobe, desce, mergulha na superfície

Escute o que eu te disse
Não vá tentar atravessar a nado
A lágrima da alice
(trecho de música de Bernardo Pellegrini e Yuri V Sampaio)

16 Janeiro 2007

o ser humano é uma besta
neste carnaval vou sair de animal
ser da seresta flor da floresta

com loucos anseios de dormir em teus seios

07 Janeiro 2007

"A grande ironia do enforcamento de Saddam Hussein...foi o fato de ter sido condenado à morte por crimes cometidos em 1982, quando era apoiado pelos Estados Unidos e recebia em seu gabinete um Rumsfeld com o sorriso de garoto propaganda da indústria bélica. Não só os EUA, mas também a União Européia, o Japão, a Arábia Saudita e até a então União Soviética formaram uma santa aliança para abastecer de armas Saddam Hussein...Se Saddam foi condenado por crimes contra a humanidade, conforme a sentença que o levou à forca, os responsáveis pelo Irãgate e pessoas como o ex-secretário da Defesa Donald Rumsfeld também deviam estar no banco de réus. Afinal eles insuflaram uma guerra de oito anos que deixou um milhão de mortos (Irã x Iraque). A memória é curta e muita gente já esqueceu as imagens de milhares de soldados iranianos mortos com armas químicas e biológicas produzidas pelo Iraque com tecnologia ocidental, sobretudo dos Estados Unidos. Não é bom remexer em tal lama. O enforcamento de Saddam Russein remexe, evoca imagens incômodas, faça o que fizer a grande imprensa que mama nas tetas das corporações que sustentam o império estadunidense. O mais provável é que os Estados Unidos, depois de perder 3 mil soldados na ocupação, tenham de aumentar a produção de sacos plásticos de empacotar cadáveres. Já não é preciso ter bons olhos e bom olfato para perceber que a ocupação do Iraque parece com a do Vietnã e tem o mesmo cheiro de sangue..." texto de Tarcísio Lage capturado no http://bafafa.com.br/default.asp

29 Dezembro 2006

acontece que os índios já haviam descoberto as "Indias"

O secretário do governo inglês disse querer internacionalizar a Amazônia, privatizar a floresta, junto com outras potências, para protegê-la . Acontece que antes do Tratado de Tordesilhas, Colombo, Cabral e Cia., índios de várias tribos já haviam descoberto o caminho das "Indias" e preservaram a natureza toda muito bem até que um dia... A história é bem conhecida. Recentemente alguem teve uma idéia, nem tão original, já antecipada pelo Raul Seixas nos anos oitenta: "a solução é alugar o Brasil". ou se quiser também pode comprar (estrangeiro, brasileiro... laranja ou não) grilar... Vi outro dia anúncio de uma fazenda a venda: mais de 30 mil alqueires, vizinha da aldeia das índias da foto(tirei a foto). Muitos estrangeiros com certeza tem boas intenções e fazem muita coisa boa pela floresta e seus habitantes. Muito mais que orgãos do Brasil as vezes. Existem organizações estrangeiras sérias que arrecadam dinheiro e doam pros índios se estes se comprometerem a não se vender para as madeireiras e garimpos. madeireiras e mineradoras que corrompem os índios e que oferecem um carro pro cacique em troca de madeira ou minérios que valem cem, mil vezes mais. Amazônia de muitas riquezas: água, remédios, madeira, frutos...e também: diamante, ouro, bauxita, etc. - quer comprar ? Talvez o comprador queime a floresta pra fazer pasto ou então derrube a madeira nobre e plante soja para exportar e alimentar o gado americano e europeu como tem sido feito. Vamos plantar soja na Amazônia, eita negócio bão. Em Araçatuba, "terra do boi gordo" convivi na adolescência com alguns filhos de latifundiários na escola. Um dia no colégio ouvi uma história de arrepiar de um colega sobre "como os jagunços a serviço da fazenda davam um "jeito" nos posseiros e índios: carne seca envenenada deixada no mato "de presente" ou então o velho e conhecido "chumbo grosso", esse colega contava isso e daaaava risada.

27 Dezembro 2006

sobre tiranias e crueldades

pinochet na Missa, setembro de 1973

O exército chileno se recusa a guardar as cinzas de Pinochet. No Brasil cidadãos são queimados vivos, dentro de carros, ônibus. Quando criança passei meses preso num campo de refugiados no Chile de setembro de 1973 a 19 de janeiro de 1974. até sermos resgatados por um grupo da ONU, formado em parte por ex-combatentes da resistência holandesa contra o nazismo. Cujo trabalho era justamente esse, retirar pessoas ameaçadas de lugares onde imperavam a tirania, a guerra, fria ou não. No Brasil a ditadura fazia as coisas mais escondidas, costumavam "suicidar" as pessoas, como fizeram com o Vladimir herzog, Rubens Paiva e tantos outros. Frei Tito escapou vivo da prisão, mas não aguentou as lembranças da tortura e se matou "ele mesmo". foi nos visitar na Holanda um pouco antes de morrer. Aqui no Brasil a crueldade se disfarçava. Não enchiam os estádios de prisioneiros políticos e fuzilavam na frente de todos como aconteceu em Santiago. Fuzilamentos que parecem fichinha perto das execuções que tenho tido noticias agora no Brasil. Os bandidos, de qualquer classe estão apelando, principalmente os filhos da favelização e da ganância. Será esse fogo um reflexo de décadas de abandono social, de impunidade, corrupção dos poderes, da moral ou simplesmente filha da putice extrema:queimar pessoas vivas dentro de carros e ônibus? voltando à história, os holandeses foram lá, fizeram uma entrevista, conseguiram um avião e tiraram a gente de lá com passaportes da ONU. antes disso presenciei tiroteios e nossa casa sendo invadida por um caminhão de carabineros(soldados). Meu pai ficou muitos dias sumido no estádio de concepcion logo após o golpe. Conseguiu escapar por um anjo, uma amiga dele com o mesmo sobrenome, conhecida de um embaixador que conseguiu convencer o comandante do campo de concentração a mandar a família toda para um campo de refugiados, mais light, com celas (era um antigo convento) para cada família. foi lá que tive a minha primeira comunhão (eu e outras crianças roubávamos hóstias da capela abandonada pra matar a fome) e a primeira febre tifoide. Continuo tentando escapar das tiranias, quentes ou frias. Sinto elas por perto.

camões baby

light my fire?

26 Dezembro 2006

sobre eg(g)os e ovos ou...sem dó e sem pena

sou uma partícula de luz. um pingo do sol na praia. um átomo de areia em fusão no cisco do pisco on the rocks. nado como uma âncora, um iceberg do ano 2010. uso bloqueador com fdps "sun of a beach" . nada de ameaçador no ar. nem amor nem paz. só um mar de conchas, de cascas quebradas e pérolas chupadas. other ostras, sambaqui que eu sambo lá! sabe lá?

25 Dezembro 2006

tropicalismos temperados

aves do amor voam cambaleantes entre pétalas

podadas por um traficante de sentimentos

um beija flor subnutrido tenta um pouso de emergência